Boa Vida

/// Por que os sites de restaurantes não têm cardápio com preço? (3)


Continuando a pegar no pé dos restaurantes que não publicam os cardápios completos com preço em seus sites, fucei nas páginas dos lugares gregos aos italianos. Foram 57 casas no total. Apenas 3 sites informam os valores de todos os pratos.
Comecei bem, na página do grego Acrópoles. Curiosamente, trata-se de um lugar em que a carta não é levada à mesa. Há uma placa pendurada na parede com todos os preços, mas quase ninguém vê. O cliente se levanta e vai se servir na cozinha, onde ficam os réchauds com a comida (como se vê na foto do próprio site).
As outras casas com transparência total de preços são os caros e ótimos La Vecchia Cucina, de Sergio Arno, e Emiliano, no hotel homônimo.


/// Compre Tarako


Este longo, estranho comercial japonês vende Tarako, que são ovas secas de bacalhau adoradas no arquipélago nipônico. Veja os vídeos relacionados para mais bizarrices nipo-bacalhoeiras.


/// Por que os sites de restaurantes não têm o preço da comida? (2)


Como prometi anteriormente, vou fazer uma série de posts para divulgar os restaurantes que brindam os internautas (leia clientes em potencial) com os preços da comida nos cardápios do site. Para não usar uma amostra totalmente arbitrária, resolvi usar a lista do Guia 4 Rodas, a começar por São Paulo. É um trabalho braçal, maçante até a morte, mas não vou esmorecer. Neste post, trato dos restaurantes alemães até os franceses, em ordem alfabética de especialidade.
De 92 casas, somente sete têm cardápio virtual com preços.
São elas os árabes Almanara e Folha de Uva (cuja carta traz até as calorias de cada comida), os contemporâneos Chakras e Allucci Alluci, o Bolinha (classificado como “feijoada”) e os franceses Paris 6 e Eau. Este divulga também a procedência e o peso das carnes, em gramas e em onças, como o carré de cordeiro uruguaio da foto, de 350 g e R$ 54 .
Merecem menção também as casas do chef Cássio Machado, cujo site não lista todos os pratos, mas todos os pratos listados vêm com preço. A churrascaria OK dá o preço do rodízio no site, mas nada do custo das bebidas e sobremesas. Vários restaurantes divulgam apenas o preço do almoço executivo. Por último, o site da churrascaria Vento Haragano tem uma chamada “preços” que remete a um formulário que deve ser enviado ao restaurante. Simplesmente bizarro.


/// Jacaré Grill faz festival de carne… de jacaré


Ontem comi carne de jacaré pela primeira vez na vida.
O bar paulistano Jacaré Grill, que até ontem (literalmente) só devia o nome ao apelido do dono, Marcelo Silvestre, está servindo a carne do réptil pantaneiro num festival que vai até amanhã.
A reunião de pauta da VIP aconteceu lá. E nós pedimos o tal jacaré, que vem em duas versões de petisco: croquete e iscas de carne. Nossa mesa ainda foi presenteada com uma porção de linguiça, que não está no cardápio do festival.
O croquete é a melhor opção para os cautelosos. O gosto da carne mal se percebe na deliciosa massa de batata e cebolinha. Se você quer realmente saber do que se trata o bicho, peça as iscas (foto). Já virou clichê dizer que o gosto do jacaré fica no meio do caminho entre o frango e o peixe, mas não é exatamente isso. O primeiro pedaço de carne lembra peito de frango, mas com uma consistência ligeiramente mais firme. Quando você dá a segunda mordida e analisa o sabor com mais atenção, vê que a coisa lembra pintado, tambaqui ou outro peixe de rio. Depois você percebe semelhanças com carne de rã e conclui que aquilo é gosto de jacaré e fim de papo.
Já a linguiça… a experiência de comê-la foi como errar o passo ao descer da chalana e cair de boca na margem do rio Paraguai. O sabor é forte demais, lodoso, desagradável. Talvez não incomode os fãs incondicionais de peixes de rio. De qualquer modo, não está no cardápio. E iniciativa de servir uma carne diferente (de animais criados de acordo com as diretrizes do Ibama) é 100% positiva. O Jacaré só poderia nos poupar das imagens de animais recém-abatidos, mortos e sem couro, que está nas filipetas e faixas que o criador espalhou pelo bar.
Se você quer saber mais sobre o festival de jacaré do Jacaré, clique aqui.

Jacaré Grill
rua Harmonia, 305/321, Vila Madalena, São Paulo tel.: (11) 3816-0400/3031-5586

P.S: O site do Jacaré Grill é todo invocado, mas não mostra o preço de nada no cardápio.


/// Por que os sites de restaurantes não têm o preço da comida? (1)


Uma coisa me incomoda muito nos sites dos restaurantes brasileiros: a maior parte deles, mesmo quando traz a lista dos pratos, sonega ao internauta a coluna da direita do cardápio. Ou seja, os preços. Nos Estados Unidos e na Inglaterra, só para citar dois países em que o respeito ao consumidor existe também no mundo virtual, todo site de restaurante que se preze traz a comida e seu respectivo preço.
Não existe nenhuma razão técnica para que o custo da refeição fique de fora. Suponhamos que o dono do restaurante alegue ser difícil atualizar a carta: ora, não é preciso ser editor de revista para deduzir que mexer num arquivo digital é uma tarefa que sempre precede a impressão das folhas de papel que serão entregues às mesas. Para ilustrar a banalidade desse processo, peguei o exemplo do Chez Panisse, em Berkeley, Califórnia. É um dos restaurantes mais importantes do mundo, que inventou a chamada California cuisine etc. etc. O menu muda todos os dias. E ele está sempre atualizado no site, com preços, como você pode ver na foto acima.
Para mim, isso cheira a ação deliberada para evitar que o cliente desista de visitar determinado lugar se souber do preço de antemão. Claro, há sempre a possibilidade de ligar e perguntar. Mas também é claro que as pessoas têm vergonha de fazer isso.
Só para lembrar os antecedentes dessa história: até meados dos anos 1980, alguns restaurantes mais finos não estampavam os preços nos cardápios entregues nas mesas. Isso mesmo, o valor da conta era uma surpresa que chegava depois do café. Algo semelhante tem se repetido na internet, já que quem se impressiona com um site bacana (e faz uma reserva para um jantar especial) pode calcular o tamanho do rombo na carteira somente depois de entregar o carro ao manobrista.
Vou retomar o assunto em outros posts, divulgando as poucas casas que têm a atitude decente de publicar os preços em seus cardápios virtuais (e eventualmente pegando no pé de quem não faz isso). Quero a sua ajuda nisso: se você conhecer algum exemplo positivo, publique o link nos comentários.


/// Sorvete que não derrete


Era o que faltava. A sorveteria americana Cold Stone Creamery, em parceria com a gigante de gelatinas e pudins de caixinha Jell-O, lançou dois sabores de sorvetes que não ficam líquidos quando são aquecidos. Eles viram pudim. Comentário de um sagaz leitor do blog Food2: “Tem certeza de que não é pudim congelado?”


/// Kaá em nova fase


Vou assinar embaixo do que toda a imprensa especializada já escreveu: o restaurante Kaá, na av. Juscelino Kubistchek, serve uma comida no nível das melhores casas de São Paulo. E por bem menos dinheiro. Como você não é obrigado a ter lido o que já saiu, vou resumir: o lugar, que tem uma ambientação de selva em pleno Itaim, teve um início vacilante (dizem) e foi massacrado pelos críticos. A contratação do francês Pascal Valero (ex-Eau, ex-Le Coq Hardy) para comandar a cozinha pôs as coisas no rumo. Fui ao local a convite da assesoria, o que me garantiu uma amostragem mais ampla do cardápio do que eu teria se precisasse pagar: atum selado com chutney de manga (na foto, talvez o melhor prato da noite), ravióli de foie gras com espuma de azite trufado (massa perfeita, recheio e molho ótimos, conjunto um pouco enjoativo no final), codorna recheada ce couscous aos molhos de chouriço de sangue e de maçã (úmida e saborosa) e, para terminar, uma versão gourmet do bolo Floresta Negra (que leva cerejas negras no recheio). Os pratos principais custam entre os quarenta e poucos e os cinquenta e muitos reais, o que é barato para um restaurante de alta cozinha. Vá lá antes que o homem que cuida dos preços perceba isso e imprima um novo cardápio.

Kaá
Av. Presidente Juscelino Kubitschek, 279, Itaim Bibi, São Paulo
Tel.:(11) 3045-0043


/// Os sardinistas estão chegando


O The Washington Post traz artigo sobre os sardinistas, movimento fundado na Califórnia pelo cineasta Mark Shelley para reintroduzir as sardinhas no cardápio dos americanos. Segundo Mark (em foto do WP com bolinhos de sardinha), os peixe sofrem preconceito por custarem pouco. Eu, particularmente, não gosto de sardinha. Mas acho legal que as pessoas entendam que comida barata pode ser muito boa.
Qual a comida barata que você considera injustiçada? Músculo de boi? Fígado? Barriga de porco? Manjuba? Diga aí.


/// Pegadinha: como fazer um drinque explosivo


A revista Wired traz neste mês uma pegadinha para os pândegos de plantão pregarem nos convidados de festinhas, reuniões e eventos afins: um drinque que explode. Trata-se de uma versão do já célebre experimento da bala Mentos com refrigerante (aqui, um vídeo do que acontece quando os dois são misturados).
Aqui, eles dão um jeito de retardar a explosão ao colocar a balinha dentro de uma pedra de gelo. Os outros ingredientes do drinque são irrelevantes e podem ser trocados por qualquer outra coisa. O artigo completo está aqui (em inglês).


/// Câmara dos Lordes decide: Pringles é batatinha


Uma emocionante batalha judicial envolvendo a Procter & Gamble e o fisco britânico terminou com uma sentença mais ou menos óbvia: a batatinha Pringles é mesmo batatinha. A razão da pendenga é a categoria fiscal em que a Pringles se encaixaria. No Reino Unido, a batata é mais taxada que os salgadinhos — categoria em que a P&G pretendia encaixar a Pringles, que é feita de farinha de batata (40%), milho, arroz e trigo. A história completa dessa epopéia tuberculística está neste artigo do New York Times. Dica do Ricardo.


/// Almoço no Cosí (SP)

O Cosí fica do lado “errado” da avenida Angélica, onde a aristocrática Higienópolis dá lugar à mais humilde Santa Cecília. Um lugar que começa a ter vocação para restaurantes e afins (em frente há a loja de vinhos Le Tire Bouchon e, algumas casas abaixo, a cachaçaria Club da Cana). Ponto para o Cosí.
Fui lá no almoço do sábado passado. Antes de conseguir mesa, uma olhada no cardápio italiano elaborado por Renato Carioni (ex-Cantaloup): são poucas as opções que ultrapassam os R$ 30. Mais um ponto para o Cosí. Aí vem o couvert (R$ 4,50 por pessoa) que tem pães ótimos, sardela, conservas de berinjela e pimentão que estariam deliciosas se não viessem geladas e o excepcional presunto defumado artesanal (foto ao lado), úmido, macio e de sabor bem suave de fumaça. De prato principal, escolhi o pappardelle com coelho desfiado (R$ 25), um clássico da Toscana. Quando o prato (foto lá em cima) chegou, vi uma certa ausência de molho e temi que tudo estivesse seco. Nada disso. A carne estava suculenta e o caldinho do assado temperava perfeitamente a massa de ovos incrivelmente fresca. Preciso voltar para provar outras coisas, mas tudo indica que pintou um favorito na área.

Cosí
r. Barão de Tatuí, 302, Santa Cecília, São Paulo Tel.: (11) 3826-5088


/// Refrigerantes esquisitos


O blog Now That‘s Nifty, que compila tudo o que é tranqueira estranha da internet, traz uma lista de refrigerantes com sabores bizarros, engraçados ou simplesmente de venda limitada a uma determinado região (o post está em duas partes: 1 e 2). Tem até o guaraná Antarctica. Alguns destaques:
Calpis, bebida japonesa que parece um Yakult com gás.
O tradicional guaraná Jesus, do Maranhão.
Irn-Bru, a bebida nacional da Escócia (uísque? o que é isso?), feita de gengibre.
As edições especiais da Jones Soda, que já vieram nos sabores: peru ao molho, couve-de-bruxelas, cassarola de vagem e antiácido.