Pegue cálice daqueles de pinga, com limão e sal ao lado. Encha-o de tequila e tome de uma vez só. Repita o ato várias vezes e acorde com uma dor-de-cabeça infernal na manhã seguinte.
A indústria da tequila está tentando se desvencilhar dessa imagem de bebida para porres homéricos de consequências desastrosas. Tequila não precisa ser assim, dizem. Eu concordo. Tequila é o tema da minha coluna a VIP que chega às bancas na semana que vem.
Só para dar um preview do que trata a coluna: tequila é feita de uma planta chamada agave azul, mas pode ter até 49% de outro aguardente. Geralmente é de cana, ou seja, um tipo de pinga. As tequilas realmente boas são feitas 100% de agave. Por coincidência, depois de escrever o texto, fui convidado a dois eventos que promoveram essa versão sofisticada da bebida.
O primeiro foi o lançamento da marcas Olmeca (da multinacional Pernod Ricard) e de sua versão superpremium, a Tezón (foto ao lado). Sim, Tezón, mas isso não é de forma alguma relacionado à palavra “tesão” – é uma forma reduzida de tezontle, a pedra usada nos antigos moinhos mexicanos. A Tezón é feita num moinho assim, de forma semiartesanal, e isso se reflete no preço (acima dos R$ 150). É uma bebida que pode ser apreciada lentamente, pura, sem limão nem sal.
O outro, no dia seguinte, foi uma almoço com o pessoal da Cuervo, que detém 90% (!) do mercado brasileiro. Embora também quisessem falar das garrafas menos nobres, eles frisaram que o objetivo da corporação é distanciar a imagem da tequila do folclore mexicano e do abuso. E me apresentaram toda a linha de produtos premium (foto no alto) da companhia, que vai do 1800 blanco até o Reserva de la Familia, que custa uns R$ 350 e lembra mais um belo cognac.
Filtrando todo o bullshit corporativo, sobra o seguinte: já há boas opções de tequila, numa faixa de preço um pouco superior, para você beber sossegado e não acordar com um mariachi tocando dentro da sua cabeça.