Boa Vida

/// Uma novo mapa-múndi… e suas implicações gastronômicas (ou não)

O amigo e colega Marcelo Orozco postou no Twitter um mapa que mostra como seria o mundo se os países mais populosos tivessem os maiores territórios (clique na na imagem acima para ver em tamanho decente). Dá para viajar legal nas possíveis consequências dessa mudanças (mundanças?):

● Os melhores vinhos do mundo seriam malaios e senegaleses

● Os franceses fariam ótimos queijos de lhama

● A comida na Grã-Bretanha seria mais interessante

● Brasil, EUA e Irlanda continuariam na mesma

● O Paraguai teria mar; sorry, Bolívia

● A Argentina, para alegria de alguns, seria bem longe

● A África do Sul seria MESMO logo ali

Claro que muito mais coisa rolaria… contribuições são muito bem-vindas.

/// Cervejas esquisitonas

O site americano Slashfood listou 10 cervejas com sabores que eles consideram “malucos”, tais como pizza, torta de limão e pimenta chipotle. Se formos ver bem, a adição de elementos estranhos na cerveja é um costume bastante tradicional: veja só o exemplo das cervejas frutadas tipo lambic, fabricadas há seculos na Bélgica (neste link, você pode comprar uma que tem gosto de cereja). Só nesta semana, eu recebi a notícia do lançamento de duas brejas fora do comum. Uma é a italiana Noel, que supostamente traz notas de passas e chocolate para combinar com a sobremesa da ceia de Natal. A outra é a brasileira Due, feita para comemorar os dois anos do bar de cervejas Melograno. O nome do boteco significa romã, e a bebida tem essa fruta na lista de ingredientes.
Qual foi a cerrveja mais bizarra que você já tomou?


/// A noite em que fui atacado pelo jantar

O siri mais casca-grossa a oeste de Xangai

É preciso um pouco de espírito de aventura para explorar os restaurantes chineses da Liberdade, em São Paulo. Não me entendam mal: eu adoro a brincadeira, tanto que até escrevi uma matéria sobre isso na VIP de agosto. Mas, volto a dizer, exige que o cliente baixe a guarda e não espere o que esperaria de um estabelecimento ocidental.

Ontem à noite voltei ao Chi Fu, que já foi objeto de post neste blog. O restaurante chinês mudou para um endereço bem próximo da sede anterior. Já a aparência não poderia ser mais distante do que era. No lugar da espelunca gordurosa, escura e com aparência francamente suja, temos um salão gigante (na verdade imagino que são dois, pois há um elevador com trânsito constante de pessoas com feições orientais), claro e imaculadamente limpo até onde se pode ver — banheiros também tinindo de limpeza.

Beleza, então mudou tudo… espere, não é bem assim. A comida continua ótima e as garçonetes continuam sem falar português, o que torna a experiência de jantar lá quase surreal. Não é possível pedir sugestões entre as centenas de itens do cardápio. Sabendo que a especialidade da casa são os frutos do mar, mandei trazer lula ao molho de missô e siri ao vapor com alho. A lula estava macia, mas o molho escuro e o refogado de cebola e pimentão tinham aquele gosto que costumamos associar a “comida chinesa”. Bom. Nada de mais.

Já o siri… O molho de alho e cebolinha se mostrou uma das melhores coisas que eu já provei. A carne, branca e fresquíssima, era de uma delicadeza sem par. O problema era chegar até ela. A garçonete entrega uma bandeja cheia de carapaças ferventes, sem instruções para você rompê-las até chegar ao que interessa. Usei as mãos, como achei que deveria, e, claro,  não foi bonito. Enquanto apertava uma das patas, a dita cuja explodiu. Eu tomei um jorro de molho quente no olho direito.

Moral da história: o Chi Fu pode ter o melhor siri de São Paulo, mas ele ataca quem tenta comê-lo.

Chi Fu

Praça Carlos Gomes, 200, Liberdade, São Paulo, SP

Tel.: 3112-1698 (Você quer mesmo ligar? Vá em frente…)