/// Periguetes de Hollywood

As atrizes Nicole Kidman e Jennifer Connelly estão tão periguetes em seus novos filmes, que deveriam abandonar de vez os personagens classe média que costumam fazer e investir pesado em parecerem ainda mais gostosas e bem mais alcançáveis, como nos exemplos abaixo.

Na primeira imagem, está Nicole Kidman, numa posição metaforicamente sexual, no novo filme de Lee Daniels, The Paperboy. A credencial anterior desse diretor é Precious, um drama pesado para quem leva Manoel Carlos a sério.

Virginia, o novo filme de Jennifer Connelly, foi escrito e dirigido por Dustin Lance Black, que escreveu Milk e J. Edgar. Para quem não entende de mulher, Black até que teve uma excelente ideia em colocar Connelly numa camisola. Nenhum desses filmes tem previsão de estreia no Brasil.


/// Não o melhor, mas o mais divertido

Scarlett, a vingadora que importa

Todas as adaptações para o cinema de histórias da Marvel que culminaram em Os Vingadores seguiram a mesma cartilha, o que só aumentou, crescentemente, o cansaço do público com a fórmula. Em um curto espaço de tempo, essa base foi usada em cinco filmes, com leves variações para melhor (Homem de Ferro 1 e 2) e para pior (Capitão América). Quando a fórmula precisava se manter intacta para sustentar personagens mais difíceis (não por acaso, Hulk foi interpretado em menos de uma década por três atores [Eric Bana, Edward Norton e Mark Ruffalo], em três filmes distintos) ou mais desconhecidos (Thor), acabava dando origem a filmes de regulares a corretos.

É, basicamente, o tripé de sustentação de todo blockbuster, com a adição de um quarto item específico para filmes de super-heróis.

1) Ação – onde os efeitos especiais chamativos serão desenvolvidos.

2) Romance – para atrair o público feminino e enrolar tempo de filme, evitando que cada segundo da película custe 5 milhões de dólares.

3) Piadinhas – como alívio cômico entre uma explosão e uma briga de casal.

4) Enredo – ligando os itens anteriores, o enredo precisa mostrar a origem do personagem, como ele adapta suas especialidades ao mundo normal e a sua rotina, como essas características darão início a uma guerra entre mundos, ou impedir um conflito já em curso, ou provocar a inveja de uma só pessoa que irá se tornar seu nêmesis e que vai provocar um conflito.

O que coloca Os Vingadores em larga vantagem sobre todas as outras adptações da Marvel é: ausência do item 2 e de vários sub-itens do 4º. As origens já foram contadas e esse é um filme de guerra, um que não faz concessão nenhuma para qualquer outro assunto que não vá interferir diretamente nesse conflito.

Chifres, a essência dos quadrinhos

E o conflito de Os Vingadores só parece óbvio nos primeiros 15 minutos. No prólogo, Loki, o irmão megalomaníaco de Thor, invade o quartel da S.H.I.E.L.D.  e rouba o Tesseract. Esse cubo detém energia o suficiente para ser única fonte de abastecimento de toda a Terra. Também é capaz de abrir um portal entre dois mundos, possibilitando uma invasão e dominação de aliens sobre o nosso quintal. Quando Loki rouba o cubo, põe em risco o nosso benefício em favor do seu: permitindo que seu exército aliado domine a Terra, ele se torna senhor soberano e seu plano NÃO inclui HBO de graça para todo mundo, e sim submissão irrestrita da humanidade.

O roteiro adiciona algumas complicações à trama simples de um jeito bem original. Os conflitos extras explodem numa sequência que pode ser considerada a melhor adaptação das ideias de Watchmen para o cinema até agora. Com todos os heróis reunidos no avião da S.H.I.E.L.D., Tony Stark e Bruce Banner começam a avaliar melhor o plano de Nick Fury de reaver o cubo. Enxergam brechas e desconfiam que o chefe da S.H.I.E.L.D. não foi inteiramente claro com eles. A dúvida dos dois descamba para uma discussão tensa entre todos, deixando a fortaleza aérea vulnerável e acelerando a execução do plano de Loki.

Mas, até aí, já vale apontar os míseros defeitos do filme. Se perdeu em cafonice anulando qualquer possibilidade de romance, ganhou em diálogos bregas por causa do clima de guerra em dois momentos. Em um deles, alguém diz para o Capitão América que, em tempos como esse, o país precisa de alguém antiquado e que vista as cores da sua bandeira. Desce dois BITCH PLEASE aê, por favor.

No segundo, depois que Loki invade uma festa na Alemanha e vira, intencionalmente, um alvo fácil, ordena que os civis assustados com o estardalhaço violento que fez (essa sequência tem uma cena que lembra bastante aquele clássico uso de um lápis feito pelo Coringa em The Dark Knight) se ajoelhem perante a ele. Todo mundo faz o que ele manda, mas um velhinho, com sotaque convenientemente judeu, volta a ficar de pé. Pela roupa do Loki, nota-se a intenção de recriar brevemente um A Lista de Schindler – Edição de Carnaval.

Schindler, ao fundo

Mas os momentos cafonas são bem, mas bem poucos. Depois desse, o filme não desce mais o nível em nenhuma linha de diálogo. Tony Stark está mais histérico e hilário do quem em seus dois filmes solos (já tentei, mas é impossível abusar dessa facilidade toda que o Downey Jr. tem em recriar essa esperteza sem suar, parece um personagem do Sergio Leone on cocaine, não erra uma linha). E a mesma facilidade para as tiradas espertas foi distribuida para todo mundo. Até Thor, que só fazia graça em seu filme porque riamos dele, e não com ele, tem uma tirada que consegue superar as do Stark.

A ação do filme é quase ininterrupta. As duas sequências principais (invasão da S.H.I.E.L.D. aérea, batalha em Manhattan) são extensas, mostram em iguais proporções o que acontece com todos e em espaços distintos e faz questão até de levar em consideração as vidas civis. Parece bobo, mas quando uma batalha intergaláctica acontece bem no meio de uma cidade lotada de gente, alguém precisa salvar as crianças de um ônibus e evacuar as pessoas dos estabelecimentos da área. Ah, como em As Aventuras de Tintim, Os Vingadores também mostra um plano sequência de colocar o queixo sete palmos abaixo da terra.

(O diretor Terry Gilliam esnobou esse tipo de truque em sequências inteiramente recriadas em computador, dizendo que não havia dificuldade em manipular uma “câmera virtual”. Alguma dificuldade deve haver, já que sequências de efeitos especiais existem há décadas, mas só agora, esses truques estão sendo aplicados de maneiras incríveis).

Entre as sequências de ação principais, conflitos pessoais de primeira grandeza. Um desses, entre a Viúva Negra e Loki, é tão assustador que é a única vez que dá para levar a sério a vilania de Loki. Nem seus inimigos respeitam suas ameaças, como fazem questão de deixar claro ao longo de todo o filme.

Mesa de centro

No geral, Os Vingadores não é sério como X-Men 2 e The Dark Knight, nem emocionalmente denso como Homem Aranha 2. Mas não quer mesmo ser nada disso. A intenção é só ser o filme de herói mais divertido e o mais fiel à alma dos quadrinhos, especialmente quando decide abraçar com gosto os collants, armaduras coloridas, capacetes chifrudos, aliens feios e alianças intergalácticas. Tudo o que faz dos quadrinhos um meio tão específico – e que o cinismo de outros filmes do gênero evita como se fosse uma lepra – Os Vingadores usa em prol de uma história que é só superficialmente óbvia e desenvolve com uma direção bem impressionante.

Observações:

- É importante mesmo que você veja todos os filmes que culminaram em Os Vingadores, especialmente Thor.

- Homem de Ferro 3 é o próximo da linha de montagem. O diretor e roteirista é Shane Black, que criou o ainda muito massa Máquina Mortífera e dirigiu e escreveu Beijos e Tiros, a melhor (e talvez única) paródia séria do gênero noir. Depois de Os Vingadores, a Marvel mostra que está pronta para explorar variações mais radicais da fórmula. Sob a direção de Shane Black, Homem de Ferro 3 deve ser a esbórnia de piadas e ação definitiva da franquia.

- Os únicos heróis sem origem contada no cinema são Viúva Negra e Gavião Arqueiro. Em Os Vingadores, foram espalhadas pistas suficientes para deixar o público com vontade de ver um filme dedicado só aos dois, que têm um passado em comum, e envolve a cidade de SÃO PAULO!

- Se Os Vingadores transpõe bem o conceito mais HQ do entretenimento, o crossover, o novo Homem Aranha vai levar para as telas pela primeira vez o conceito de reboot imediato. É claro que é tudo em prol do mítico bilhão de bilheteria mundial, mas esses já nascem como os dois filmes mais *quadrinhos* desse gênero.

- Só não falei da Scarlett Johansson por aqui porque tem duas páginas só sobre ela e a sua Viúva Negra na VIP de junho, que está indo para as bancas nessa sexta.

- Reforçando o óbvio: não saia do cinema antes do fim dos créditos.


/// Duas moças e um Zach Galifianakis antes da fama

Fiona Apple

Foram divulgadas músicas novas das cantoras Fiona Apple e St. Vincente. A primeira se prepara para lançar um novo disco de inéditas depois de um hiato de sete anos, o impossível de ler por inteiro sem piscar The Idler Wheel Is Wiser Than The Driver of The Screw And Whipping Cords Will Serve You More Than Ropes Will Ever Do (pode tomar uma água e tirar uma pausa para descans0).

A primeira música liberada é “Every Single Night”, que mostra Apple sem mudar uma nesga da maravilha que sempre foi.

 O último disco dela, Extraordinary Machine, já parece tão velho que uma das músicas, “Not About Love”, ganhou um clipe com um Zach Galifianakis fazendo as palhaçadas que o deixariam famoso quatro anos depois em Se Beber Não Case.

St. Vincent

Já a St. Vincent fez “Krokodil” especialmente para o Record Store Day (evento em que centenas de artistas registram novo material para chamar a atenção do público para as lojas de disco independentes) que aconteceu no dia 21 de abril. A música está a continentes de distância do que ela está acostumada a fazer. Apenas que: punk rock.


/// Achados da Netflix Brasil, vol. II

O primeiro episódio da série britânica The Hour mostra, em seus primeiros cinco minutos, três ações paralelas acontecendo ao mesmo tempo: os bastidores de um telejornal, uma festa de debutante e um professor universitário sendo seguido. Os protagonistas da primeira ação também serão o centro da série. A debutante vai servir de conexão entre eles e o professor, que, quando assassinado, dá início a uma investigação envolvendo editores inescrupulosos e membros do governo de índole igualmente corrompida.

Por se passar no final dos anos 50, suscitou comparações com Mad Men, mas a semelhança fica só nos figurinos, nos detalhes obsessivos de direção de arte e na qualidade excelente de tudo. O trio de protagonistas sustenta uma dinâmica parecida com a do (muito ótimo) filme Nos Bastidores da Notícia.

A comédia de 1987 mostrava uma equipe de TV e um triângulo amoroso formados por uma editora esperta, um repórter idem e um apresentador tapado, que conseguia empregos como a face dos telejornais mais por influência e aparência do que por competência. O trio de The Hour é bem semelhante, só que de um jeito mais sutil, já que estão todos muito ocupados tentando colocar um novo telejornal no ar e se esquivando de ameaças de morte.

The Hour continua inédita na TV brasileira, mas está disponível, na íntegra, em HD e legendada, na Netflix. A segunda temporada, ainda sem data de estreia, já está sendo produzida. Entre os novos atores, está Peter Capaldi. Ele foi protagonista do melhor seriado político – justamente por ser a maior enciclopédia de xingamentos já registrada na mídia – da TV britânica, The Thick Of It (Netflix, aproveita o embalo e traz essa também). Abaixo, o trailer da primeira temporada de The Hour:


/// Maior tela, maior clima

Tela do Vivo Open Air no Jockey Club

Amanhã, dia 17 de abril, começa um dos eventos de cinema mais bacanas de São Paulo. A 10ª edição do Vivo Open Air exibe filmes novos e clássicos a céu aberto, numa tela gigante, bem gigante. Para uma ideia de proporção, a tela do Open Air tem 325 metros quadrados, três dezenas a mais que a tela do IMAX do Shopping Bourbon, com seus 294 m². Nesse ano, a tela ainda vem em formato Cinemascope.

Mas o melhor mesmo é a programação de clássicos do suspense e do terror. Serão exibidos os eternamente eficazes Psicose, O Exorcista e O Bebê de Rosemary. Segundo a assessoria do evento, as cópias, todas em película, foram restauradas a pedido da produção especialmente para o evento. Se você não se empolga em rever os clássicos do Hitchcock, do William Friedkin e do Roman Polanski numa tela desse tamanho, em uma película nova em folha, a céu aberto e no meio de um público lotado, não entende AS MANHAS do cinema.

O restante da programação é igualmente obrigatório. Tiveram a ótima sacada de exibir os sensacionais capítulos finais de Harry Potter (As Relíquias da Morte, partes I e II) seguidamente. Os dois filmes possuem um ritmo completamente diferente. Vistos um depois do outro, essa disparidade fica óbvia e só melhora as qualidades específicas de cada um.

O filme de abertura é a pré-estreia de A Perseguição. A resenha desse está em destaque na seção de cinema da Revista VIP de abril. Tem Liam Neeson enfrentando lobos no mano a mano e só essa informação deve bastar para que você garanta o seu ingresso de imediato. E aproveite mesmo a oportunidade de ver especialmente esse na tela gigante, já que não será exibido em IMAX comercialmente.

Ainda tem As Aventuras de Tintim, que certamente não perdeu um mísero da sua grande graça (aquela sequência do navio deveria ser vista ao menos uma vez por mês, como se fosse uma paisagem bonita ou um belo pôr do sol); Batman – O Cavaleiro das Trevas, que é sempre bom rever, especialmente com o capítulo final da saga dirigida por Christopher Nolan prestes a estrear; Anjos da Lei, a melhor estreia do mês de maio e, escancaradas todas as proporções, um novo marco da comédia americana (confira a resenha na edição de maio da VIP); Ponyo, animação bonitona do Hayao Miyazaki; e Carnage, o novo filme de Roman Polanski que, depois de agradar meio mundo, finalmente chega ao Brasil.

PAR-TAY!

Além de tudo isso, depois de cada sessão, shows e baladas seguram o público por mais algumas horas. De imperdível, ao vivo: Tulipa Ruiz e Lucas Santtana, os nomes mais hypados da música nacional atualmente. Baladas: Trabalho Sujo e VOODOOHOP, duas das festas mais divertidas das noites de São Paulo.

O festival acontece no Jockey Club de São Paulo. O ingresso custa R$ 40 (R$ 20, meia entrada), e dá acesso tanto aos filmes quanto às festas (e ainda tem pipoca grátis). Caso as entradas para os filmes se esgotem, será disponibilizado um novo lote de ingressos apenas para as festas (o preço continua o mesmo).

Confira a programação completa: http://sp.openairbrasil.com.br/programacao/


/// Mais Father John Misty, mais mulheres violentas

Enquanto J. Tillman, que também atende pela alcunha de Father John Misty, continuar fazendo vídeos com mulheres gatas e agressivas, vou continuar indicando aqui. O de Nancy From Now On é ainda mais instigante que o de Hollywood Forever Cemetery Sings e tem nudez de verdade. Sutil e lá pelas tantas, mas o suficiente pra apertar o play de novo.


/// Os altos e baixos da 1ª edição do Lollapalooza BR

Primeira noite do Lollapalooza BR


OS ALTOS

Pontualidade: Todos os shows começaram com uma pontualidade tão exata que nem parecia que era no Brasil. Alguns tiveram a audácia de começar minutos antes da hora marcada. Com três palcos e shows acontecendo simultaneamente, essa exatidão só ajudou a vida de quem queria ver ao menos um naco dos shows das bandas que gostava (e estava com a resistência intacta para conseguir cruzar as distâncias nível Terra Média entre os palcos). Só o Racionais MC’s atrasou quase uma hora pra subir no palco. Brasileiros lembrando que aqui é o Brasil: melhor licença poética do festival.

Perry Farrell: Torço muito para que, em algum lugar, esteja sendo editado o documentário “As Loucas Aventuras de Perry Farrell no Brasil”. Se acontecer, é possível que seja mais divertido que o próprio Lollapalooza. No twitter do líder do Jane’s Addiction e fundador do festival, você vai encontrar as melhores pérolas do turismo acidental. Numa dessas, Farrell saiu para comprar repelente de insentos e voltou com veneno. Passou no corpo mesmo assim. Em todas as entrevistas que deu para a TV, estava mais chapado que macumbeiro recebendo exú, e sempre acompanhado de alguma moça de comportamento estranho e, possivelmente, fetiches sexuais idem. Ah, houve também a maravilha de ruído de comunicação entre entrevistado e entrevistador. Pouco antes do Jane’s Addiction subir ao palco, Farrell confirmou em entrevista para a Multishow que levaria O Rappa para a edição americana do evento. A repórter: “It’s revealed!”. Farrell: “Did you say I’m from de village?”. Tóim!

Matthew Schultz, do Cage The Elephant

Cage The Elephant: o primeiro show acima da média do festival. Os americanos se apresentaram na muito quente tarde de sábado e só ajudaram a aumentar a temperatura do local. Já na primeira música, o vocalista pulou para a platéia. Continuou fazendo isso ao longo da apresentação, ganhando os corações e as mentes dos jovens com a ajuda do espectro do Pixies em todas as músicas que executaram. O segundo disco da banda, Thank You Happy Birthday (EMI, R$ 29,90) foi lançado no Brasil recentemente e vale repetidas audições.

Peaches: A doida do eletroclash subiu ao palco vestida de peitos. Na primeira música, que incendiou o povão de imediato, o computador dela falhou, a mesma batida ficou em loop infinito, ela ficou irada, gritou com o pessoal da produção que estava na lateral do palco, jogou microfone no chão, deu uns cascudos no técnico de som e, quando tudo foi consertado, abraçou o cara e foi pra galera. Nunca pensei ver uma artista apanhando de um computador como uma mãe tentando programar um videocassete.

Tv On The Radio

Tv On The Radio: Fez o melhor show do festival. Pena que foi a última banda a tocar no palco Cidade Jardim antes do Foo Fighters e foi recebida por uma platéia mais indiferente que judeu a Jesus Cristo. Começaram com “Halfway Home”, uma música que, no disco, é mergulhada em produção pesada e que foi executada ao vivo com a mesma precisão (sinceramente) acachapante. Seguiram com “Dancing Choose” e “The Wrong Way”, duas maravilhas do swing barulhento e saxofônico. Apresentaram um setlist que deu atenção a músicas conhecidas e outras nem tanto de todos os quatro discos da banda. Dave Navarro, do Jane’s Addiction, deu uma palhinha no solo final de “Repetition”. Tocaram um cover do Fugazzi (!) e encerraram com a genial “Wolf Like Me”. O público só levantava as mãos quando as câmeras que registraram o evento passava por cima da platéia. Nesse nível.

Joan Jett

Joan Jett: a mulher já cruzou meio século de vida e tá tão inteira que deveria dar palestras motivacionais sobre.

Dave Grohl, do Foo Fighters

Foo Fighters: Para os fãs presentes (a quantidade de pessoas indiferentes à banda no primeiro dia caberia numa vaga de garagem do Hot Wheels), o Foo Fighters entregou bem mais do que o esperado. Duas horas e meia de show, músicas alongadas em solos de guitarra e bateria, piadinhas, um Taylor Hawkins que parecia o filho bastardo e desnutrido do Iggy Pop, Joan Jett dando uma canja, Dave Grohl se esgoelando, todos os hits de 17 anos de carreira e um público tão dado que, nas mãos de seitas erradas, seria capaz de destruir uma nação.

Friendly Fires

Friendly Fires: Se o som não tivessão tão fraco, quem estava há mais de 50 metros de distância do palco ouviria bem as versões esticadas e animadonas das músicas geralmente regulares do Friendly Fires. Clima de balada que atravessa a madrugada, só que em fim de tarde.

Skrillex

Skrillex: Haters gonna hate, mas a multidão que lotou o palco Perry para ver o Skrillex foi uma das platéias mais animadas do festival. Com imagens de projeção que iam de gifs famosos a trechos de musicais Bollywoodianos, passando por closes de bundas com tamanhos bem nacionais, o dj entregou um set que fez os pescoços mais duros se flexibilizarem ao eletrônico pesado criado pelo nome mais ascendente do gênero atualmente (e o cabelo mais ridículo).

Alex Turner, do Arctic Monkeys

Arctic Monkeys: Se o Quentin Tarantino fizer algum filme ruim na vida, o protagonista vai ser algúem parecido com o Alex Turner de hoje. O líder do Arctic Monkeys abandonou o estilo “cara normal” adotado ao longo dos dois primeiros (e melhores) discos da banda, para cultivar um visual caminhoneiro boliviano em crise de meia idade nos últimos anos. Felizmente, isso não estragou o jeito de fazer show dos caras. No palco, continuam sem firulas ou frescurinhas visuais, mantendo a velocidade da execução das músicas tão rápidas quanto as pausas entre uma e outra. E o setlist foca nas músicas da melhor fase da banda. “Brianstorm” ao vivo só a fortalece no posto de um dos melhores rocks surgidos na década passada. E aproveitar “The View From The Afternoon” e “I Bet You Look Good On The Dancefloor” da maneira que merecem é um dos testes mais difíceis para a saúde das suas pernas (foram executadas uma seguida da outra, do jeito que está no primeiro disco). Se o Suck It and See foi um álbum dolorosamente ruim, o show de ontem deu a entender que, talvez, essa seja uma má fase passageira.

OS BAIXOS

Segundo dia do Lollapalooza BR

Organização: No primeiro dia, o festival alcançou sua lotação máxima: 75 mil pessoas. Filas que cruzavam de uma ponta a outra o espaço do Jockey para comprar fichas, para pegar produtos e para os sanitários deixaram o lugar parecido com o labirinto de Pac-Man. Os palcos Perry e Butantã estavam colados. Quem não conseguia ficar próximo da grade do segundo, ficava bem no meio de uma pororoca formada pela colisão do som dos dois. Mas uma coisa muito válida seja dita: Tremenda ideia a de fazer um festival desse porte num lugar como o Jockey Club. Bem no meio de São Paulo, de fácil acesso, com espaço para alojar tudo o que um festival de grande porte precisa. Como foi o primeiro ano, é de se esperar que algumas falhas não sejam notadas durante o planejamento.

O Rappa: Apenas que >>houve boatos de playback<<

Foo Fighters: É difícil dedicar duas horas e meia de atenção para uma banda que não mostra quase nenhuma diferença na maneira como executa da primeira à última música. Depois de uma hora de show, só o fá mais dedicado (e só tinha esse tipo de gente por lá) conseguiu manter a empolgação intacta. E fã é um troço chato. Quem estava guardando lugar na plateia para ver o Foo Fighters quatro horas antes da banda subir ao palco tratava qualquer um que quisesse ver qualquer outra coisa feito lixo.

Calvin Harris: o dj entregou um set tão ordinário que parecia um cd-r com o top 10 da Jovem Pan.

Gogol Bordello

Gogol Bordello: se alguém quiser ver ciganos se comportando mal, não precisa se prostar em frente a um palco. Tá cheio deles no centro de São Paulo.

MGMT: os caras subiram no palco bem na hora que a chuva começou a cair no Jockey. Nem com a melhor iluminação natural possível (os raios eram constantes), a banda mostrava animação. A primeira metade do show foi até correta, quando executaram as músicas mais aceleradas do segundo disco e dois dos três hits do primeiro (“Kids” e “Electric Feel”). Na segunda parte, executaram uma música inédita, que mostra que o MGMT continua se esforçando para afinar a ruindade de suas composições, e outras igualmente irritantes. O estrago foi tão grande que nem “Time To Pretend”, penúltima música do show, trouxe de volta a atenção do público.

Line-up: Se o Foo Fighters foi a maior razão para que o primeiro Lollapalooza Brasil acontecesse, que trouxessem a banda para fazer um show no Morumbi e pensassem no festival como um evento de grande porte que precisa ser. Sem outro nome do mesmo peso do Foo Fighters, a banda quase conseguiu estragar todas as outras apresentações do primeiro dia (muito por causa do problema citado no parágrafo sobre o TV On The Radio) e desvalorizou o segundo dia. Tinha cambista dando ingresso na entrada do evento no dia 8. Comparando esse line-up com o do último SWU, o Lolla fica bem anêmico.

O SWU trouxe a possível última apresentação do Sonic Youth; o Kanye West no auge da sua popularidade (tinha acabado de lançar Watch The Throne e era “o” assunto em qualquer conversa sobre cultura pop); o Snoop Dogg e o Black Eyed Peas, os maiores arroz de festa de anos recentes; e aquela penca de bandas metal/stoner que inflaram o último dia do evento (Megadeth, Stone Temple Pilot, Faith No More, Alice In Chains). De novo, dá-se um desconto porque foi o primeiro ano do evento. Mas uma filial do Lollapalooza falhar no line-up é um defeito que mancha até a honra da matriz.

Fotos Primeira Noite, Cage The Elephant, TV On The Radio, Dave Grohl: Fernando Saraiva.

Todas as outras: Divulgação.


/// Aquecimento Lollapalooza

De hoje até o dia 9, esse blog vai ser atualizado diariamente apenas com resenhas de shows e outros assuntos ligados a primeira edição do festival Lollapalooza, que acontece nesse sábado e domingo, a partir das 13h, no Jockey Club de São Paulo.

Na noite de ontem, a banda Foster The People se apresentou no Cine Joia, casa de shows no bairro da Liberdade, em São Paulo, na primeira das duas Lollaparties programadas para acontecerem no encalço do festival. A oportunidade é ótima para quem quer ver um show da sua banda favorita sem a dispersão de público característica de um festival desse porte.

Com ingressos esgotados dias antes do show, o Foster The People já subiu no palco com o jogo quase ganho. Abriu com “Houdini” e já seguiu com “Miss You“, a melhor música do bom disco de estreia, Torches, que caberia perfeitamente bem como clímax – barulhenta, animada e acompanhada por uma iluminação de ressuscitar defunto – mas que, queimada logo no início, fez o resto do show parecer mais um esforço contínuo de se chegar nesse ápice do que uma apresentação constantemente acima da média.

Mas os esforços atingiram ápices semelhantes quando executaram “Love”, “Call It What You Want”, “Don’t Stop” e “Helena Beat”, com o público acompanhando cada refrão como se entoasse o juramento da bandeira da Hipsterlândia.

Depois dessa, veio uma das sequências mais erradas que uma banda já teve as manhas de conceber. Seguido de um pedido tremendamente empolgado do público para um bis, os integrantes voltaram para executar as duas músicas mais modorrentas que já criaram, “Ruby” e “Warrant”.

Tão distantes do que o público pedia que conseguiu estragar até a primeira metade de “Pumped Up Kicks”, última música do show e maior hit da banda. Mas fizeram o favor de estender a excecução dessa faixa com um final eletrônico similar a “Yeah”, do LCD Soundsystem, e o público respondeu com um arranque que foi de reação morna a gritos e danças animadonas em questão de segundos.

A banda se manteve empolgada no palco o tempo inteiro,com destaque especial para as dacinhas meio “Moves Like Jagger” do vocalista. E o público respondeu de maneira idem quase o tempo todo. Mas funcionar numa casa de shows de pequeno porte é fácil. Se conseguirem manter a animação do show de ontem no Lollapalooza, aí sim o Foster The People vai fazer juz ao boato de que é uma das bandas mais divertidas em cima de um palco atualmente. Eles se apresentam no festival no dia 8, às 19h, no palco Cidade Jardim.

A próxima Lollaparty também será no dia 7, às 00h, com a banda Friendly Fires. O ingresso custa R$ 120. Se quiser um after depois da primeiro noite do Lollapalooza, essa é a melhor pedida. Se ainda não tiver o que fazer no sábado, a indicação é a mesma.

O Cine Joia é a casa de shows mais bacana de São Paulo. Além de ter um som excelente, projeções bacanas nas paredes e uma boa visualização do palco de qualquer ponto da plateia, ainda tem a melhor reunião de mulheres bonitas e cools de São Paulo. Tanto que a demora nas filas para comprar e pegar cerveja nem parece defeito (mentira, é um defeito chato pra caramba sim, mas também é uma oportunidade extra de abordar as moças que ficam impaciantes com esse raro ponto de desorganização do local).

Fotos via iPhone: Luiz Romero


/// Western tupiniquim

Villas Boas em momento de descontração

O novo filme do diretor Cao Hamburguer (do muito bacana O Ano em que meus pais saíram de férias) é uma espécie de western tupiniquim. Sem o bang bang, só com a exploração de novas fronteiras e os conflitos que surgem disso. Conta a história real dos irmãos Villas Boas, três homens (interpretados por Caio Blat, João Miguel e Felipe Camargo) que foram até a Amazônia para negociar terras com os índios em nome do governo federal e acabaram se afeiçoando ao lado mais fraco da disputa.

Bem feito, é um raro filme entre a safra recente do cinema nacional porque dispensa todos as escolhas narrativas fáceis. Tem um romance, que só é explorado para aumentar ainda mais a tensão contínua do filme. Tem discurso em prol dos fracos e oprimidos, mas nem quem o faz tem fé no que está falando, porque sabe que os precedentes em situações do tipo descambaram inevitavelmente em um conflito trágico.

Todas as escolhas narrativas do filme são feitas para destacar essa tensão constante, sobre a qual uma disputa do gênero se sustenta. Os Villas Boas excercitam o tempo inteiro a retórica, a paciência e o cúmulo da flexibilidade para evitar que qualquer tiro seja disparado. O esforço, raras vezes, resulta no que se espera.

Xingu é o primeiro filme brasileiro que trata parte importante da história do país com plena consciência de que é uma obra de ficção. Como tal (mesmo baseada em fatos reais), precisa se distanciar de julgamentos e/ou acusações de qualquer uma das partes envolvidas e se importar em manter o público interessado na narrativa que está contando. Qualquer reflexão que surja é efeito (benéfico) colateral.

Nem o trio de personagens principais se exalta escandalosamente com os golpes baixos que os representantes do governo desferem constantemente contra os índios e eles mesmos. E não por conformismo, apenas por pura consciência de que o máximo que eles podiam fazer já estava sendo feito.

Xingu consegue entregar justamente o que uma ficção precisa para satisfazer público (às vezes, além das melhores expectativas): produção impecável, atuações idem e um roteiro que evita com cuidado as obviedades que enredos similares foram acumulando ao longo de décadas. O filme estreia amanhã.


/// Dois vídeos de suma importância

O primeiro deles é uma propaganda de calcinha, em que a modelo Bar Refaeli (com um layout desses, poderia se chamar Quitanda Refaeli que ninguém notaria) joga tênis só de calcinha e sutiã. O sexto segundo desse vídeo provoca o mesmo efeito de meio litro de colesterol no seu coração.

 O outro vídeo é o trailer do primeiro filme escrito e dirigido pelo criador de Family Guy, Seth MacFarlane. Ted conta a historia de um cara (Mark Wahlberg) que encontra a mulher com quem quer passar o resto da sua vida (Mila Kunis, justificado), mas não consegue abandonar seu melhor amigo, um urso de pelúcia imoral, maconheiro e boca suja. O trailer é bem engraçado, especialmente na hora em que o Wahlberg cita uma impressionante sequência de nomes white trash de mulheres (a legenda do trailer abaixo é nível 1 de inglês para crianças, não se atenha a ela). Previsto para estrear no Brasil no dia 26 de agosto.