Uma breve análise dos trailers das novas temporadas de quatro séries que vão estrear em breve. Todas são exibidas no Brasil pelos canais citados entre parênteses, mas ainda não anunciaram as datas de estreia de nenhuma delas por aqui.

Fringe (Warner Channel)

 Nunca na história da cultura ocidental houve uma série de ficção científica erguida sobre uma premissa tão emotiva e intimista: Fringe é sobre um pai que comete um erro imperdoável por amor a seu filho, colocando em risco a existência de dois (ou mais) mundos. Tirando isso, é o programa mais criativamente violento da TV desde Sopranos. Aquelas facadinhas de Dexter não são nada perto das explosões de cabeças em Fringe. É o melhor produto de J.J. Abrams pós-Lost. A última temporada tem tudo para ser uma das melhores, já que só terá 13 episódios. Como as outras sempre tinham de 20 a 23, os roteiristas precisavam esquecer a concisão e colocar a trama principal em segundo plano um pouco além do necessário.

Homeland (FX)

 Ah, Homeland! Ninguém estava preparado para tanta qualidade vinda de um canal de TV tão errado. Showtime, que exibe Homeland nos Estados Unidos, é especialista em pegar boas premissas e aniquilá-las em programas que acabam ficando irritantes a medida em que vão se esticando muito além do necessário (Weeds, Dexter, The Tudors, Californication, nenhuma dessas merecia ir além do segundo ano). Homeland é bem filmada, tem um elenco todo superlativo e uma história que mantem o seu ponto principal (“ele é ou não é?”) muito bem camuflado em desdobramentos críveis e imprevisíveis. O último episódio da primeira temporada coloca a protagonista em um lugar tão inesperado (via acontecimentos tão deprimentes) que o trailer da segunda não consegue “spoilear” nada para quem ainda não viu nenhum episódio da série. Só desperta uma vontade urgente de saber QUE CABARÉ É ESSE?

Treme (HBO)

 Falo de Treme só para ter mais uma oportunidade de repetir que The Wire é a melhor série de todos os tempos. E também para tentar fazer com que mais pessoas assistam a mais recente série de David Simon, criador da citada obra prima. Treme consegue ser excitantemente divertida (carnaval! bounce!) e deprimentemente realista (descaso das autoridades, polícia inepta) em questão de minutos, ao mostrar como diversos moradores de Nova Orleans seguem com suas vidas depois da passagem do furacão Katrina pela cidade. Como o Emmy nunca premiou The Wire e segue ignorando Treme (atualmente, as melhores atuações da TV estão nessa série), David Simon ainda consegue mostrar indiretamente o crescente descrédito de um premiação que existe há 64 anos.

Dexter (FX)

 Finalmente, a temporada que deveria ter sido a 3ª e última Dexter estreia com uns cinco anos de atraso. Se você aguentou firme e forte a irritante narração em off, as tramas mais batidas que bunda de stripper e toda a latinidade jeca de Miami pelas últimas três temporadas da série, parabéns pela bravura. A provável recompensa: uma última temporada de 12 episódios, onde 10 vão ser de pura enrolação, com diálogos variando em cima dessas três frases: “Debbie, no!” “How could you, Dexter?” e “Arriba arriba arriba!!!”.