Se você tem um interesse mínimo por cinema e literatura, certamente concorda que Mike Nichols é um dos maiores homens vivos. Os quatro primeiros filmes que dirigiu formam a sequência mais impressionante criada por alguém no fim dos anos 60 e começo dos 70, um dos períodos mais criativos da cultura americana. Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, A Primeira Noite de um Homem, Catch-22 e Ânsia de Amar são filmes geniais, que carregam nos créditos nomes do topo da cadeia criativa dos Estados Unidos do século XX: Joseph Heller, Elizabeth Taylor, Richard Burton, Anthony Perkins, Jack Nicholson, Art Garfunkel, Orson Welles, Jules Feiffer, Edward Albee. Isso para ficar num período de criação que corresponde a míseros seis anos.

Mike Nichols continuou reunindo os melhores talentos de gerações posteriores e seguiu entregando trabalhos que, raramente, não alcançavam o reconhecimento do seu período inicial, e até esses satisfaziam de acordo com a ambição projetada. Na década passada, com os filmes Closer e Jogos do Poder, e a série Angels In America, voltou a ser figura onipresente em premiações e a ter seu nome acompanhado de superlativos. Quem se envolve com ele, geralmente é alçado ao patamar dos grandes. Foi por causa de Closer, por exemplo, que Natalie Portman ganhou respeito como atriz e como mulher gostosa.

Sem contar que sua vida pessoal detém a experiência de um personagem bíblico. Fugiu dos nazistas com a família, da Alemanha para os Estados Unidos, quando tinha oito anos de idade. Está no quarto casamento e tem três filhos. Já ganhou Oscar, Tony, Grammy e Emmy (um dos raros EGOTs vivos) e ainda é primo distante de Albert Einstein.

Aos 80 anos de idade, se prepara para estrear na Broadway a mais recente adaptação de uma das peças americanas mais aclamadas do século passado: A Morte do Caixeiro Viajante (Death of a Salesman), de Arthur Miller. A peça entra em cartaz no dia 15 e o preço dos ingressos já está na casa dos U$S 700,oo. Os atores principais são Philip Seymour Hoffman e Andrew Garfield, dois nomes de peso em Hollywood. O produtor é Scott Rudin, responsável pela produção dos melhores filmes dos seguintes diretores: David Fincher, Wes Anderson, Paul Thomas Anderson, Noah Baumbach, os irmãos Coen e David O. Russell.

Assim como The Book Of Mormon, estreia na Broadway de Matt Stone e Trey Parker (criadores de South Park), atraiu a atenção de gente que nunca teria a oportunidade de ver o musical, mas se empolgou com as críticas unanimemente positivas, a adaptação de Mike Nichols de Death of a Salesman já desperta uma ansiedade de trincar os dentes. Resta esperar que essa versão seja levada aos cinemas, caminho que, felizmente, The Book Of Mormon já começa a percorrer.