Como o leitor já deve ter percebido, BLOGIE nunca embarca naquelas conversas de qual ator está sendo sondado pra fazer tal filme… pessoalmente, acho essa conversa um saco. Não sei por que os portais gastam tanto espaço com esse tipo de notícia. Não agrega nada.

Mas, quando leio que vão tentar novamente adaptar para o cinema um dos meus livros preferidos, tenho que abrir uma exceção.

O livro é O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald, um dos raros merecedores do perseguido título de “o grande romance americano”.

Fitzgerald no cinema: lá vamos nós...

Adaptações de Fitzgerald para o cinema dão sempre errado – embora seus textos sejam quase roteiros prontos, de tão impactantes, bem descritos, elegantes e cheios de diálogos memoráveis. A mais recente, O Curioso Caso de Benjamin Button, abandonou o clima e o texto do autor para se reduzir a uma imitação de Forrest Gump. O próprio Gatsby teve uma tentativa séria, mas mal sucedida, no meio dos anos 70: com roteiro de ninguém menos do que Francis Ford Coppola, com Robert Redford como Jay Gatsby e Mia Farrow como Daisy Buchanan, a coisa tinha tudo pra dar certo – mas resultou num troço burocrático, frio e medroso.

Capa da GQ americana em 1975, quando do lançamento de O Grande Gatsby. 
 

Penso em todos os livros de Fitzgerald e imagino ótimos filmes saindo de cada um deles (Este Lado do Paraíso, Os Belos e os Malditos, Suave é a Noite - cada filmaço que poderia pintar por aí!). Mas bola pra frente, a luta continua.

A nova tentativa inclui Carey Mulligan (aquela coisinha fofa de Educação) como Daisy. Show. Eu não conseguiria imaginar um nome melhor do que ela para adotar o ar deslumbrado e frívolo, levemente embriagado, em alva pele e douradas mechas. O próximo nome em negociação promete algo ainda mais forte: Leonardo DiCaprio, simplesmente o maior astro do cinema, como Jay Gatsby. Se se confirmar, é sensacional.

Carey Mulligan: a próxima Daisy Buchanan, a Capitu da literatura americana.

O problema aparece quando vejo quem está à frente da empreitada: Baz Luhrmann, aquele cara afetado e espalhafatoso que fez uma adaptação polêmica de Shakespeare (Romeu e Julieta, com o próprio DiCaprio), um musical inovador (Moulin Rouge) e uma bomba trash (Austrália). M-E-D-O.

Por outro lado, é um cara destemido e que não vai se apequenar diante do desafio.

Vamos acompanhar os próximos capítulos. Eu prefiriria um Cameron Crowe ou um Jason Reitman com o roteiro embaixo do braço, mas vamos lá. Em busca da adaptação perfeita de um Fitzgerald, quase cem anos depois.