Requiém por Santino
Quando lançaram O Poderoso Chefão, é claro que o foco era todo em Marlon Brando, o Don Corleone original (embora a história trate da passagem de bastão do velho Don para seu filho caçula, Michael). No segundo filme, Al Pacino e seu Michael tomam a frente, mas a sombra do pai continua equilibrando o jogo, em boa parte graças à performance de Robert DeNiro nos flashbacks que mostram a juventude do chefão.
Daí veio o terceiro filme (o piorzinho dos três) e encerrou o assunto: a série era sobre Michael Corleone, um cara que entrou no mundo do crime meio por acaso, e que perdeu o controle sobre seus atos e seu destino, e que passou a vida tentando limpar o nome da família – em vão.
Até aí, tudo ótimo: adoro O Poderoso Chefão, como filme, como série e como guia de vida. O que lamento é a redução do papel do irmão mais velho de Michael, Sonny, no legado da trilogia.

James Caan, como Sonny, mostra o que se faz com cunhado folgado.
Santino Corleone (nome de batismo, usado apenas pelo sempre formal Don Corleone), Sonny para os íntimos, era tão central quanto o pai e o irmão no primeiro filme. A bem da verdade, a primeira metade do Chefão original é quase toda de Sonny. É ele quem transa uma italianinha espevitada durante a sequência de abertura, no casamento da irmã. É ele, estabanado, quem propõe sociedade com traficantes – ganhando uma repreensão exemplar do pai. É a ele, enfim, a que todos correm quando há algum problema: a irmã, que apanha do marido, conta com Sonny para dar uma lição no pilantra. Mais importante, é ele quem lidera os planos da família quando o Chefão é baleado.
Sonny não se formou em faculdades, como Michael. Sonny não pensa: ele é um brutamontes, o tipo que atira primeiro e pergunta depois. Se Sonny assumisse a cadeira do pai, a família Corleone seria dizimada pelos Tataglias e Barzinis da vida, e não haveria segundo nem terceiro filme. Mas ele não viveu para afundar o império do pai: o intempestivo Sonny foi abatido na batalha, na morte mais violenta do cinema desde a cena final de Bonnie e Clyde – Uma Rajada de Balas.
O bacana é que o YouTube está aí, e uma boa alma prestou sua homenagem a Santino Corleone, ao som da guitarra de Slash, que sempre tocou o tema de O Poderoso Chefão nos shows do Guns’n'Roses.
httpv://www.youtube.com/watch?v=VnoijjrChfE
Problemas: “Call Santino”, como diz nosso chefe e diretor de redação, Ricardo Lombardi
James Caan, que viveu Sonny no filme, construiu uma carreira respeitável em Hollywood, tendo estrelado o cult trash Rollerball, de 1975, e feito piada com seu papel mais famoso, vivendo o chefão mafioso cuja filha se casa com Hugh Grant na comédia Mickey Blue Eyes. Foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por Sonny (ao lado de Pacino como Michael e de Robert Duvall, como o consiglieri Tom Hagen), mas – sabe como é -, o bizarro às vezes acontece no Oscar, e a estatueta foi para um fulano em Cabaret.
Típico caso em que chamamos Santino e ele resolve a parada.











Deixe seu comentário
1 comentário
Neto,
Você é novo, vai entender que há horas em que precisamos do Sonny pra resolver a parada.
Abração,
Ricardo