Um Dia Perfeito em Chicago
Conforme prometido, vamos celebrar por vários dias aquele dia de vagabundagem explícita de Ferris Bueller em Curtindo a Vida Adoidado, clássico que completa 25 anos neste mês e que é objeto de matéria na VIP deste mês.
Pra começar, vamos seguir os passos de Ferris e Cia. numa jornada de curtição pela Cidade dos Ventos. Sim, Chicago é um personagem tão central para Curtindo a Vida quanto o próprio Ferris e seus amigos. A rigor, o filme é uma celebração de uma das cidades mais bacanas do mundo.

O ponto de partida, todos sabemos, é uma tranquila casa num subúrbio de Chicago, onde Ferris engana sua família, fingindo uma doença com “sintomas não específicos”, e inclui uma passada na mansão do melhor amigo, Cameron, que reluta, mas acaba liberando a Ferrari do pai para a aventura. Os dois arranjam um jeito de sacar a gatinha Sloane, namorada de Ferris, da escola (iniciando a série de dribles no diretor Ed Rooney). E aí temos o seguinte diálogo:
Sloane: E aí, o que vamos fazer?
Ferris: Não pergunte o que vamos fazer; pergunte o que NÃO vamos fazer.
Cameron (amedrontado): Não diga que não estamos voltando pra casa… não diga que não estamos voltando pra casa…
Ferris (encarando a câmera): Se você tivesse um carros desses nas mãos, a primeira coisa que faria seria levá-lo de volta para a garagem? NEM EU.
E o rolê começa. Confira os passos da incursão do trio pelo coração de Chicago:
1- Deixe o carro com manobristas profissionais: Ferris sabe confiar num bom profissional, e confia no poder de uma nota amassada de cinco dólares na mão do malandro. Veja a cena:
httpv://www.youtube.com/watch?v=XVACbEHkV2Q&feature=related
2- Arranha-Céus: Chicago conta com mais de mil edifícios - a média dos dez mais altos conferem-lhe o título de skyline mais alto do mundo. O principal, cujo topo é visitado por Ferris & Cia, é o Wills Towers, ex-Sears Towers, o prédio mais alto do mundo na época das filmagens e, ainda hoje, prédio mais alto dos EUA.

3- Chicago Mercantile Exchange: acompanhar um pregão já foi mais divertido antes da Internet. Hoje em dia a coisa rola na web, e o acesso aos prédios está suspenso, em razão do terrorismo. Mas é num camarote da Bolsa (presumivelmente do pai milionário de Cameron) que os amigos conversam a sério. Ferris pede Sloane em casamento, ela nega (Ferris assume que é porque ela se sentiria estranha sendo a única cheer-leader casada), e Cameron começa a ponderar sobre a terrível dinâmica familiar que o afasta mais e mais dos seus pais.
4- Almoço no melhor restaurante da cidade: o Chez Quis, restaurante frequentado pelo pai de Ferris (e por Abe Froman, o “rei da salsicha de Chicago”), é fictício, mas está teoricamente localizado na Rush Street, junto a outros restaurantes estrelados.

“Sim, sou Abe Froman, o rei da salsicha de Chicago!”
5- Wrigley Field: conheça a casa dos Chicago Cubs, time de baseball local. Dizem que, desde que Ferris Bueller pegou uma bola nas suas arquibancadas, os ingressos para um jogo dos Cubs ficaram muito disputados por turistas. Multidões tiram fotos em frente ao letreiro eletrônico da entrada – que, durante o filme, exibia a frase hoje tornada mantra e nome de banda: “SAVE FERRIS”.

“A esta hora, estaríamos na aula de educação física!” – e Sloane, entediada, fazendo a lição de casa…
6- Art Institute of Chicago: num momento especialmente lírico, o diretor de Curtindo a Vida, John Hugues, afirmou querer fazer a cena com o maior número de obras-de-arte da história. E pôs o trio de protagonistas a passear entre obras de Picasso, Modigliani, Pollock, Gauguin, Rodin, Matisse… Cameron pira observando uma obra-prima do pontilhismo, de George Seurat. Já Ferris e Sloane se beijam na frente do vitral America Windows, de Marc Chagall.
Veja a cena, com a trilha original – uma versão instrumental do Dream Academy para Please, Please, Please (Let Me Get What I Want), clássico dos Smiths.
7- Von Steuben Day Parade: sempre em setembro, a parada da colônia alemã em Chicago foi o palco onde Mathew Broderick, como Ferris Bueller, reabilitou os Beatles como trilha sonora da adolescência, e sua versão de Twist and Shout, como som obrigatório nas festas de formatura e de casamento. A cena é uma das coisas mais icônicas da década de 80 e da história do cinema. Dizem que Paul McCartney odiou o uso de metais adicionado à gravação dos Beatles (Ferris dubla sob o som dos rapazes de Liverpool, e uma fanfarra adiciona um sonzinho para dar mais naturalidade)… frescura de Sir Paul! Eu sou um dos muitos beatlemaníacos iniciados por Ferris Bueller.
httpv://www.youtube.com/watch?v=tgd46QiHz4I
Veja a cena e relembre como era bacana berrar no meio de Twist and Shout!
Depois dessa, só mesmo tomar o caminho da roça, levar um papo cabeça, destruir uma Ferrari, beijar a garota e voltar correndo pra casa, a tempo de livrar o rabo do encalço do Rooney, aquele mala.
Quando eu for pra Chicago, já tenho a programação do dia feita. E imagino que não estarei sozinho.











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