Vivendo e aprendendo com as mulheres de Truffaut
Sem nenhum gancho específico, mas só porque de vez em quando vale a pena lembrar de filmes realmente bons: acordei hoje com vontade de rever o melhor Truffaut: Beijos Roubados, de 1968.
Beijos Roubados é o segundo filme da série sobre Antoine Doinel (Jean-Pierre-Léaud), o jovem alter-ego de François Truffaut. No primeiro, Os Incompreendidos, o protagonista é um moleque de 12 anos flertando com a delinquência. No segundo, pós-adolescente, Doinel está lutando pra virar gente grande (essa luta viraria o seu tema ao longo dos próximos filmes, mas aqui ele estava no timing certo). Arruma empregos alternativos (vigia noturno, detetive particular, estoquista de uma loja de calçados) e tenta lidar com as mulheres, partindo do fácil não-relacionamento com as profissionais do amor, passando por um affair com a esposa do chefe e terminando com sua paixão de adolescente, a linda Christine (Claude Jade, então noivinha de Truffaut).

Claude Jade e Jean-Pierra Léaud, curtindo o banco da praça em Beijos Roubados
Separei o trecho abaixo, que traz duas provas irrefutáveis de que Truffaut era gênio: primeiro, vemos o jovem Doinel escrevendo uma carta para a tal mulher do patrão e a remetendo através do “Sedex pneumático” de Paris – uma sequência que é uma aulinha de cinema, e também uma declaração de amor à cidade. Logo depois, vemos a mulher tomando as devidas providências a respeito do conteúdo da carta.
Veja (com legendas em inglês):
httpv://www.youtube.com/watch?v=AeslM9BRaTY
O discurso de Fabienne (Delphine Seyrig) é o resumo perfeito do cinema de Truffaut: honesto, direto, apaixonado pelas mulheres e, acima de tudo, humano. Essa frase diz tudo: ”não sou uma aparição; sou uma mulher – o que é exatamente o contrário” – e que delícia é ver ela implodindo a fantasia do rapaz sobre uma mulher, mostrando que ela é de carne e osso, que pessoas são pessoas e que, basicamente, ela quer fazer sexo sem compromisso – agora.
“Pessoas são formidáveis”, assim ela arremata a parábola.
Nos filmes do Truffaut, são mesmo.











Deixe seu comentário
1 comentário
Classico cinema françes mais tal ideia e agradavel penso estar em tal situaçao se ela me aparece voíla