Bolsa de apostas do Oscar 2012
OK, vamos à nossa rodada anual de especulações e pitacos sobre quem ganha Oscar, quem deveria ganhar e tudo mais.
Lembrando que este BLOGIE tem uma média histórica entre 75% e 80% de acerto nos palpites. Vou cravar meus palpites aqui, mas também não deixarei de dar minha opinião sobre quem realmente deveria ganhar em cada categoria.

Filme:
Dificilmente a Academia deixará de premiar O Artista, filme que este blogueiro classificou como o mais original dos últimos quinze anos. Realmente acredito nisso: depois de Quentin Tarantino virar o padrão de roteiro de ponta-cabeças em Pulp Fiction, só mesmo um filme mudo em preto-e-branco para trazer alguma novidade. É o filme do ano, sem dúvida.
Diretor:
O natural é que o francês Michel Hazanavicius ganhe a estatueta por seu trabalho à frente de O Artista. Afinal, quem conseguiria, em 2012, fazer um público armado com iPhones conectados no Facebook bem à mão, parar por duas horas na frente de uma tela cinza, assistindo a um filme mudo? O cara conseguiu, lançando mão de todo tipo de artifício: grandes atuações, roteiro inteligente e cheio de truques, toneladas de citações da história do cinema, filmes dentro do filme, uso de música e de sons… e até um cachorro esperto fazendo micagens. Obra de uma vida.
Só assim para derrotar seus concorrentes, todos figurões: Martin Scorsese, Alexander Payne, Woody Allen e Terrence Malick.
A zebra pode ser Scorsese, mas fico com Hazanavicius.
Ator:
Jean Dujardin é o dono da festa, com sua panca de Clark Gable em O Artista. Há uma concorrência nada desprezível de George Clooney, que desfruta de prestígio junto à Academia e fez um grande trabalho em Os Descendentes. Pode ser o prêmio de consolação para ele… mas, pensando bem… não: o Oscar fica com Dujardin.
Agora: quem deveria ganhar mesmo é Gary Oldman, com seu espião que sabia demais.
Atriz:
Eu achava que Michelle Williams levaria por sua encarnação de Marilyn Monroe em Meus 7 Dias com Marilyn. Ainda mais porque Meryl Streep, em sua 17ª indicação, é prejudicada pelo fato de seu filme, A Dama de Ferro, ser muito fraco. Mas agora estou achando que Streep sairá vencedora. Uma hora isso tem que acontecer, já se vão quase trinta anos desde que ela ganhou seu segundo Oscar e, de lá para cá foi indicada mais de uma dúzia de vezes. A hora parece ter chegado.
Quem deveria ganhar: a atuação mais inusitada e forte do ano é a de Rooney Mara como a hacker tatuada de Millenium – os Homens que Não Amavam as Mulheres. Mas vai ficar de coadjuvante.
Ator Coadjuvante:
Difícil tirar o Oscar de Max Von Sidow, 82 anos e inestimável serviço prestado ao cinema, desde os filmes cabeça de Ingmar Bergman (O Sétimo Selo etc) até blockbusters dos anos 70, como 7 Dias do Côndor e, principalmente, O Exorcista. Sua participação em Tão Forte, Tão Perto é de fato muito boa: ele é o companheiro (talvez avô?) do menino que segue o rastro deixado pelo pai, morto no ataque às Torres Gêmeas. Sua comunicação é toda de olhares, uma vez que o personagem é mudo. Bom pretexto para darem o Oscar a uma personalidade histórica.
Atriz coadjuvante:
Octavia Spencer é favorita por sua participação em Histórias Cruzadas, e acho que o prêmio fica com ela mesmo. Mas a minha preferida é Bérénice Bejo, de O Artista. Até tem chance, se a Academia entrar numa onda de premiação total ao filme mudo francês. Mas a aposta fica mesmo em Spencer.
Roteiro Adaptado:
Todos são, no mínimo, excelentes: O Espião que Sabia Demais, O Homem que Mudou o Jogo, Tudo Pelo Poder, Hugo e Os Descendentes. O roteiro mais cheio dos truques é O Espião… o roteiro mais inesperado é o de Hugo. O meu preferido, pelo seu conteúdo político corajoso e personagens ricos em qualidades e defeitos, é Tudo Pelo Poder. Mas a vitória será, não sem merecimento, de Os Descendentes. Deve, inclusive, ser o “prêmio de consolação” pela sua derrota nas categorias de filme e direção.
Roteiro Original:
Há o incrível roteiro de quebra-paus do iraniano A Separação, e há a magia nostálgica de Woody Allen em Meia Noite em Paris. Há, claro, O Artista, absoluto favorito da noite em tudo a que concorre. Muito difícil prever o vencedor… mas esta é a hora de arriscar alto: acho que o Oscar deixará seu despeito por Allen (que, por sua vez, esnoba reiteradamente Hollywood e o Oscar) e premiará Meia Noite em Paris, o filme mais bem sucedido comercialmente do nova-iorquino. Pronto, arrisquei. E é o meu favorito também.
Filme em Língua Estrangeira:
Não tem pra ninguém: o prêmio será de A Separação. Não morri de amores, mas é um filme muito forte e merece o prêmio.
De resto: aposto na direção de arte de Hugo; na fotografia e na edição de Millenium – os Homens que Não Amavam as Mulheres; na trilha sonora original de O Artista; e na canção de Rio - e fico feliz em saber que, caso o sambinha mandrake de Sérgio Mendes e Carlinhos Brown vença, não será Brown o cara a falar no microfone. Justo, porque: 1) Mendes é um dos três maiores divulgadores da música brasileira no exterior; e 2) o mundo não precisa conhecer o mala sem alça que é o genro de Chico Buarque.
Falando em Rio, recuso-me a palpitar sobre o vencedor de melhor animação, porque é ridículo Rio não ter sido indicado. Danem-se os Kung-Fu Pandas, os Gatos de Botas e outros bichos pouco inspirados.
E aproveitemos para saudar a volta de Billy Cristal como mestre de cerimônias. Muita gente torce o nariz para Cristal, mas isso é má vontade: não gostar dele é não gostar da “classe” do cinema, de Hollywood, do Oscar. Ele é representante genuíno da turma da costa oeste: é querido por todos, tem um senso de humor corrosivo até um certo limite, não deixando de ser palatável para “toda a família”; é respeitoso com o cinema e é dono de um bom repertório de piadas, além de uma capacidade de improviso MUITO acima da média (lembro-me dele tirando um sarro de Bill Murray, logo após este ter perdido o Oscar de melhor ator para Sean Penn em 2002: “Bill, não vá embora… por favor… nós gostamos de você!” – sinal de bom improviso, bom humor e uma maneira inteligente de homenagear o grande trabalho de Murray em Encontros e Desencontros, pois arrancou uma ovação para o cara). E ele é Harry Burns, claro, consultor político e o último cara a pegar a Meg Ryan antes dela virar uma frígida sem graça. Um monstro.
Enfim, noite do Oscar é um troço bacana. Deixo o cinismo de lado e curto a festa, aquelas entrevistas vazias no tapete vermelho e aquele falatório sobre os vestidos das mulheres. Rio das piadas e me emociono na hora das homenagens póstumas. É a noite mais importante do cinema – e, pensem nisso: de que outra maneira o grande público ficaria sabendo da existência de filmes como Os Descendentes, A Separação, O Artista?
O Oscar é bacana, e eu estarei de plantão: quem quiser acompanhar os pitacos deste blogueiro, estarei comentando a premiação no Twitter, pelo perfil @revistaVIP. Siga lá e boa diversão!











Deixe seu comentário