Oscar 2012 – Balanço Final
Final de temporada de premiações. Agora, sobra o agradável período de março a meados de maio, quando ainda temos a raspa do tacho dos filmes “selecionáveis” sendo lançados por aqui. Depois, chegando em junho, é aquela história: animações, Transformers, comédia do Ben Stiller. Aproveitemos.
Mas não custa nada fazer um balanço do ótimo ano que tivemos em termos de cinema, e da boa cerimônia de premiação dos Oscars que rolou na noite de ontem.

Jean Dujardin carrega seu Oscar de melhor ator e Uggie, o cão que rouba a cena em O Artista: consagração
A “festa do cinema”
Em primeiro lugar, foi uma cerimônia ágil, sem grandes frescuras, o básico do básico. Billy Crystal faz bem o papel do básico do básico e, embora tenha muita gente achando o cara chato, velho e obsoleto, eu gosto do seu estilo e das suas piadas internas sobre o mundo do cinema e a dinâmica de Hollywood. Ele é elegante e se presta ao papel de “condutor” do roteiro, nunca de estrela. Foi bacana. (E ainda teve aquele momento sensacional, em que ele fala da música nos filmes e um gigantesco livro dourado de partituras surge no palco, sob música triunfal e um fundo estrelado, uma coisa brega e megalomaníaca que chega ao ápice e então, após um segundo de silêncio, Crystal dá de ombros e resmunga: “eh.”)
Não que tenha acontecido algo especialmente brilhante na festa: pelo contrário, o número do Cirque Du Soleil foi meio sonolento e, na falta de atrações musicais e daquela apoteose dos prêmios pelo conjunto da obra (coisa que foi “comprimida” em uma breve citação), a coisa meio que se resumiu aos prêmios. Ainda bem que estes foram bem, e muito.
Enfim, um Oscar justo
Pra quem gosta de cinema do bom, não há o que reclamar: neste ano, os Oscars foram dados quase sempre para os melhores, privilegiando as contribuições e o nível geral dos filmes.
Assim, O Artista confirmou o favoritismo e ganhou os prêmios principais (filme, diretor e ator, além de dois técnicos). É um filme sobre o cinema, que usa e abusa das melhores práticas do cinemão clássico. Não por acaso, Hazanavicius agradeceu e dedicou seu Oscar de melhor diretor a Billy Wilder (Crepúsculo dos Deuses, Se Meu Apartamento Falasse, Quanto Mais Quente Melhor etc). Jean Dujardin citou Douglas Fairbanks, o astro do cinema mudo que claramente o ajudou a compor seu personagem. O Artista é a vitória do cinema, aquela coisa artesanal que foi virando indústria no começo do século 20 – e não do pós-cinema de plástico e ações filmadas na frente de um fundo verde que impera hoje em dia.
Nas categorias técnicas, nada de Harry Potter ou Transformers: A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorsese – outro filme que homenageia o cinema de 100 anos atrás -, arrebatou os prêmios de efeitos visuais, edição de som e montagem de som. De quebra, levou os mais artísticos: fotografia e direção de arte. Um grande feito, e uma premiação justa para um filme que vai muito além de ser “apenas” uma produção grandiosa.
No campo dos roteiros, tudo de acordo com o retrospecto histórico: o Oscar costuma premiar os autores mais atrevidos com uma estatueta de roteiro, evitando ousar e dar-lhes uma de diretor ou filme. É o que aconteceu com Quentin Tarantino e Pulp Fiction, Sofia Coppola e Encontros e Desencontros, Cameron Crowe e Quase Famosos… e, agora, com Alexander Payne e sua adaptação de Os Descendentes (repetindo o triunfo de Sideways, há dez anos) e Woody Allen e Meia Noite em Paris (terceiro Oscar de roteiro para Allen, que já tinha vencido com Annie Hall em 1977 e Hannah e Suas Irmãs em 1986). Bacana, reconhecimento necessário para dois dos melhores filmes do ano.

Meryl e o Oscar: feitos um para o outro
Por fim, a Academia resolveu acabar com o jejum de quase trinta anos de Meryl Streep, maior atriz viva e recordista absoluta em indicações (17 até ontem, com apenas duas vitórias, a última em 1983): ela finalmente ganhou com sua performance como Margaret Thatcher em A Dama de Ferro. Não é exatamente um filme ou uma atuação com a força de As Pontes de Madison, Dúvida ou As Horas, mas é sempre um trabalho um ou dois níveis acima do resto da humanidade.
(Agora, eu prefiro a atuação – e a presença – de Rooney Mara, 23 anos, a garota com a tatuagem de dragão em Millenium – os Homens que Não Gostavam das Mulheres. O filme foi uma das melhores surpresas do ano para mim, mas acabou só levando um Oscar: a merecidíssima estatueta pela sua montagem ágil. Poderia ter levado pela fotografia, pelo roteiro adaptado e, claro, pela mocinha. É que é duro concorrer contra uma carreira inteira de Meryl Streep.)
Passando a régua
Este blogueiro não consegue vencer a barreira dos 80% de acerto. Há quatro anos, fico com uma boa porcentagem de acertos nos pitacos do Oscar, sempre entre 75% e 80%. Neste ano, 79% (11 de 14 palpites). OK, estou na minha média.
Pelo menos desta vez meu ídolo, Woody Allen, me ajudou no cômputo geral (eu sempre cravo uma apostinha nele, geralmente frustrada pelo gelo que Woody e a Academia impõem um ao outro).
E continuemos indo ao cinema, que tem muito filme bom em cartaz e outros tantos ainda a estrear!
Dica para esta semana: O Homem que Mudou o Jogo, filme de baseball com Brad Pitt. Um filmaço. Escreverei sobre ele no blog até o fim da semana.
P.S.: obrigado a todos os leitores que acompanharam a nossa “transmissão” do Oscar pelo Twitter da VIP; foi divertidíssimo, com a moçada trollando sem dó a tradução simultânea da TNT, o Rubens Ewald Filho, o sinal digital da NET, a Angelina Jolie, o Carlinhos Brown, o Corinthians, o Vasco e quem mais fosse citado em qualquer comentário.











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