Gostaria de estar falando sobre o novo filme do Batman – que parece ser sensacional -, mas mais uma vez um maluco estraga tudo.

Como o leitor já sabe, um freak chamado James Holmes entrou armado numa sessão de estreia de Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge nos EUA e matou 12 pessoas, ferindo mais de 50. O rapaz usava uma máscara, emulando toscamente a aparência do vilão do filme.

Uma vez que sobre a barbárie em si – o assassinato em massa – nada possa ser dito ou explicado, coube ao diretor do filme, Christopher Nolan, o lamento pela triste escolha do cenário: “o cinema é minha casa; violar um lugar tão inocente e cheio de esperança de um modo tão insuportavelmente selvagem é devastador para mim”, declarou ele.

Quanto a mim, fico tão atônito quanto qualquer um que pare pra pensar sobre o que isso significa, e fico especialmente triste que esse tipo de coisa aconteça numa sala de cinema. É chocante quando a violência acontece em lugares de celebração da vida, da paz, da educação, da arte – como o caso nas Olimpíadas de Munique ou tantos outros em escolas de ensino médio.

Mas tenho algo a dizer sobre uma certa repercussão do acontecido. É um tipo de declaração da boca pra fora, ressentida de algo não muito bem definido, que tem ganhado as redes sociais. Manifestações idiotas que, ao mesmo tempo, relativizam a violência cometida por Holmes e incriminam suas dezenas de vítimas. São frases que vão do “ah, se fosse muçulmano diriam isso ou aquilo” ao “bem feito, porque isso é pouco perto do que os americanos fazem no Oriente Médio…”

Ora, um maníaco entrou no cinema e matou um monte de gente. Como já aconteceu aqui no Brasil. É o horror. Não tem nada a ver com a política internacional dos EUA ou com ataques terroristas.

São classes de barbárie diferentes, e infelizmente há profusão de exemplos de um e do outro. E o antiamericanismo que mistura as estações traz embutido um bom tanto de intolerância e burrice.