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	<title>Blogie - Cinema na VIP</title>
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	<description>Nosso blogueiro mostra que filme bom não precisa ter função social nem agradar crítico besta</description>
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		<title>5 razões pelas quais o novo Batman é o único filme de ação que importa</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Aug 2012 15:43:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Garrido</dc:creator>
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		<description><![CDATA[De uns tempos pra cá, tenho ficado cada vez mais refratário a filmes de ação e franquias de super-heróis. A repetição sem fim dos filmes em série e o tédio das cenas de ação digitalizadas ao limite (que, para mim, não trazem nenhuma diferença em relação a vídeo-games) simplesmente me cansaram. Não vi um dos X-Men, não vi uns outros três ou quatro recentes da Marvel (Thor, Hulks, Capitão América&#8230;) e não vi um outro Super-Homem que, desconfio, tenha sido lançado recentemente. Eu já vinha suspeitando de que se trata, acima de tudo, de uma questão da idade que avança...  <span id="read-more" align="right"><a class="moretag" href="http://vip.abril.com.br/blogs/cinema/2012/08/06/5-razoes-pelas-quais-o-novo-batman-e-o-unico-filme-de-acao-que-importa/"> leia mais » </a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De uns tempos pra cá, tenho ficado cada vez mais refratário a filmes de ação e franquias de super-heróis. A repetição sem fim dos filmes em série e o tédio das cenas de ação digitalizadas ao limite (que, para mim, não trazem nenhuma diferença em relação a vídeo-games) simplesmente me cansaram. Não vi um dos <em>X-Men</em>, não vi uns outros três ou quatro recentes da Marvel (<em>Thor, Hulks</em>, <em>Capitão América&#8230;</em>) e não vi um outro Super-Homem que, desconfio, tenha sido lançado recentemente. Eu já vinha suspeitando de que se trata, acima de tudo, de uma questão da idade que avança  implacável, e que eu estou me tornando um cara chato. Mas daí aparece mais um Batman do Christopher Nolan e me restitui o prazer de ver um bom filme de super-herói. <em>Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge </em>é o único filme de ação que importa, e BLOGIE lista abaixo cinco provas irrefutáveis disso.</p>
<p><strong>1</strong>- O <strong>roteiro inteligente</strong> equilibra personagens fortes e cheios de história, motivos, defeitos e manias, com uma trama complicada e, ao mesmo tempo, crível: dá para entender o que faz Bruce Wayne/Batman e seu parceiro Comissário Gordon retirarem o time de campo e observarem uma mentira ganhar os livros de História. Dá para entender &#8211; ainda que só no final &#8211; o que faz o maluco do Bane querer destruir Gotham City com seu exército de meliantes crescidos e treinados nos esgotos da cidade. Acima de tudo, dá para se surpreender com os &#8220;pontos de virada&#8221; do roteiro, com surpresas que vão nos deixar com a sensação de &#8220;como não pensei nisso?&#8221; O nome disso é <em>roteiro</em>, e faz uma falta danada a tantos outros filmes de heróis.</p>
<p><img src="http://screamyell.com.br/site/wp-content/uploads/2012/07/batman2.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>2</strong>- A delícia de todo o universo do Batman é que ele é recheado de <strong>personagens humanos, gente de carne e osso com família e emprego</strong>, e é bom se identificar com gente que nasceu no Planeta Terra e que costuma pisar numa calçada e comer uma broa no café da manhã. Com efeito, boa parte da graça de <em>Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge </em>está no ótimo trio de grandes atores e personagens que servem de família a Batman: Michael Caine como o mordomo Alfred (com maior destaque do que nos outros filmes, e com Caine entregando uma daquelas suas atuações, de dez em dez anos, que nos lembram de que ele é um dos maiores atores vivos), o executivo e inventor maluco Fox (Morgan Freeman) e o perturbado e contido Gordon de Gary Oldman. Outro tanto está nos novatos, o jovem tira bisbilhoteiro de Joseph Gordon-Levitt (de <em>500 Dias com Ela </em>e <em>A Origem</em>); a deliciosa ladra cheia de senso de humor de Anne Hathaway (sexy, enfim); a milionária bonita e apaixonada por Wayne de Marion Cotillard; e, claro, o vilão da vez, Bane.  Bane é um sujeito que fala e respira feito o Darth Vader, e vejo aí uma descarada homenagem ao vilão de <em>Star Wars</em>, tantas são as referências: por exemplo, Bane mata um de seus jagunços com as próprias mãos, suspendendo-o no ar enquanto o estrangula (igualzinho acontece no primeiro filme da série de George Lucas); além disso, os embates do vilão com Batman são todos pontuados por calmas observações de Bane como &#8220;seus poderes são fracos&#8221;, além de elegias à força superior das sombras e das trevas (ou do &#8220;lado negro da Força&#8221;, <em>as you wish).</em> Homenagem à parte, Bane é gente de carne e osso e terá suas motivações reveladas ao longo do filme.</p>
<p><img src="http://cinemacomrapadura.com.br/imagens/2011/08/batman-bane1.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>3</strong>- <strong>Christopher Nolan contextualiza a atual crise econômica mundial</strong>, de uma maneira inteligente, mas não pretensiosa nem idiota. O mais importante é que ele faz uma parábola para dar seu recado para o grande público (e um tapa na cara da turma do Occupy Wall Street e congêneres): tentar derrubar &#8220;tudo o que está aí&#8221; e botar abaixo o sistema não vai fazer do mundo um lugar melhor &#8211; especialmente se forem abandonados os pilares da democracia, sejam os populares como a ideia da justiça para todos, sejam os impopulares, como a polícia e o sistema bancário que mantém de pé a geração de empregos. Quando a coisa começa a engrossar pra valer em Gotham, pessoas são condenadas sem julgamento e se cria a falsa impressão de que a justiça está sendo feita. Mas o que está sendo feito é a aproximação com a barbárie &#8211; e, aí, <em>Batman</em> encontra Saramago e a situação não fica muito diferente de <em>Ensaio Sobre a Cegueira</em>. O horror.</p>
<p><strong>4</strong>- O <strong>caos em Nova York</strong> (afinal, para Nolan Gotham City é Nova York com outro nome) é nas ruas e é levado para a vida das pessoas. O impacto destrutivo dos vilões é sentido no acúmulo de lixo nas ruas, nas lojas fechadas, na falta de comida, no cerceamento do ir e vir das pessoas comuns. Mais uma vez, é mais próximo de <em>Ensaio Sobre a Cegueira </em>(boa literatura) do que de <em>Os Vingadores </em>(mau cinema). Não se trata de destruir uns prédios aqui e ali, mas de como isso afeta a vida dos &#8220;civis&#8221;.</p>
<p>(Observação: continuo preferindo a Gothan City de Tim Burton, naqueles dois filmes de vinte anos atrás, pois ela é sombria e estilizada feito os quadrinhos; mas não deixo de aplaudir a decisão de Nolan por uma Gotham tão realista quanto é possível &#8211; talvez porque a Nova York real, com todos aqueles arranha-céus incrustrados numa ilha cuja ligação com o mundo dependa de meia dúzia de pontes, beire o inacreditável.)</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=xEiDsnFtVhc">http://www.youtube.com/watch?v=xEiDsnFtVhc</a></p>
<p>Veja o trailer de <em>Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge</em></p>
<p><span style="text-decoration: underline"><em>Spoiler Alert</em></span>: não leia se não quiser descobrir informações importantes que só são reveladas no final do filme!</p>
<p><strong>5</strong>- No magnífico terceiro ato (e o terceiro ato previsível é o câncer dos filmes de ação), são abertas portas para <strong>mil possibilidades de continuação</strong> da franquia, e todas promissoras: um filme com Anne Hathaway como Mulher-Gato? Um filme sobre a transformação de Gordon-Levitt em Robin? Mais um Batman com Christian Bale? Tudo isso junto? Tudo pode acontecer. O mais divertido é a maneira como Batman espalha as dicas de que sobreviveu à hecatombe nuclear que ele carregou para longe: para Fox, a caixa preta dá o recado (o piloto automático fora consertado); para Gordon, deixou um holofote novinho em folha, como quem diz &#8220;precisando, estamos aí&#8221;; e para Alfred, o sonhado encontro involuntário num café na Toscana deixa o fiel escudeiro em paz. Genial.</p>
<p>Enfim, Nolan tem  muita coisa que falta a quase toda a concorrência: um talentoso e carismático elenco, personagens ricos e cheios de possibilidades, uma cabeça privilegiada para escrever roteiros ao mesmo tempo intrincados e verdadeiros e o cuidado visual de valorizar as pequenas lutas, a ação humana, em detrimento de grandiosos efeitos digitais (que, quando usados, encantam). E isso tudo vale mais um Batman, hoje e sempre.</p>
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		<title>Kristen e o diretor</title>
		<link>http://vip.abril.com.br/blogs/cinema/2012/08/06/kristen-e-o-diretor/</link>
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		<pubDate>Mon, 06 Aug 2012 13:42:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Garrido</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quer dizer que você cria umas intimidades com seus diretores? Conte-me mais.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://2.bp.blogspot.com/-pqeX6er8rNE/T740r7PKx_I/AAAAAAAADJU/hhzARi-m6Ug/s1600/12144379.jpeg" alt="" /></p>
<p><em>Quer dizer que você cria umas intimidades com seus diretores? Conte-me mais.</em></p>
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		<title>Em cartaz: &#8220;Na Estrada&#8221;, de Walter Salles</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Aug 2012 16:33:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Garrido</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Antes de tudo, a confissão: eu não li o clássico On The Road, de Jack Kerouac. Não sei dizer exatamente o que faltou: em momentos diferentes da vida, fui fã devoto de Bob Dylan, dos Beatles e do Jim Morrison, de modo que o fantasma da influência beat esteve sempre ali, me acenando com um exemplar do livro que tanto influenciou o estilo de vida rocker e a filosofia hippie. Mas o backlog de leitura se manteve crescendo, e o Kerouac foi sempre deixado de lado para dar lugar a qualquer outra coisa, de guias de viagens a literatura mais &#8220;séria&#8221;....  <span id="read-more" align="right"><a class="moretag" href="http://vip.abril.com.br/blogs/cinema/2012/08/02/em-cartaz-na-estrada-de-walter-salles/"> leia mais » </a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de tudo, a confissão: eu não li o clássico <em>On The Road</em>, de Jack Kerouac. Não sei dizer exatamente o que faltou: em momentos diferentes da vida, fui fã devoto de Bob Dylan, dos Beatles e do Jim Morrison, de modo que o fantasma da influência <em>beat</em> esteve sempre ali, me acenando com um exemplar do livro que tanto influenciou o estilo de vida rocker e a filosofia hippie. Mas o <em>backlog </em>de leitura se manteve crescendo, e o Kerouac foi sempre deixado de lado para dar lugar a qualquer outra coisa, de guias de viagens a literatura mais &#8220;séria&#8221;. Talvez tenha sido a lenda de que o cara escreveu seguindo o &#8220;fluxo da consciência&#8221;, tendo datilografado o livro inteiro em um único parágrafo, num pergaminho interminável (e eu sou meio fundamentalista quanto à composição de personagens e estrutura do romance, mas isso é outra história). Enfim, não li o livro e, com isso, o leitor terá agora o prazer de ler a primeira crítica a respeito do filme <em>Na Estrada </em>que não o coloca no banco dos réus, sofrendo a terrível comparação com o livro que lhe serve de matriz.</p>
<p>(Há de haver alguma vantagem na ignorância.)</p>
<p><img src="http://3.bp.blogspot.com/-RynDzCU5RoY/UANaW0suebI/AAAAAAAABME/0vfn1nZ3AfM/s1600/on-the-road.jpg" alt="" /></p>
<p><em>Na Estrada</em> é mais uma peça na série de <em>road movies </em>de Walter Salles. O cineasta brasileiro começou a carreira levando um jovem brasileiro arruinado pelo Plano Collor e pela morte da mãe para uma fria entre Portugal e Espanha, no belo preto-e-branco de <em>Terra Estrangeira</em>. Depois, botou Fernanda Montenegro ajudando um menino analfabeto a buscar o pai sertão adentro em <em>Central do Brasil</em>. E refez, em <em>Diários de Motocicleta</em>, os desbravamentos de um jovem Che Guevara pelo continente sul-americano, no período de formação que precedeu seus anos revolucionários. Era natural que a câmera de Salles resolvesse cruzar os EUA, o país que mais soube trasnformar a busca da felicidade em uma aventura física, territorial, em busca do ouro ou de qualquer outra explicação, de Atlântico a Pacífico. E <em>Na Estrada </em>casa bem com a simpatia do cineasta por personagens jovens e perdidos na vida, em busca da descoberta de quem são e pra que servem na vida.</p>
<p>Se há algo de novo no filme em relação ao resto da obra de Salles, é a maneira como a vida na estrada é reduzida a hiatos entre períodos de reflexão. Os críticos mais cultos do que eu reclamaram do tempo dedicado a eventos entre quatro paredes e do tédio retratado na tela, pois o que gostariam mesmo era de ver agito. Já eu gostei da maneira como <em>Na Estrada </em>(o filme) passa, meio assim passando, pelas viagens, tratando-as como breve iterações de vida entre os frustrantes períodos de Sal Paradise (o personagem principal, baseado no próprio Kerouac) tentando se convencer de que é um escritor de verdade e que conseguirá completar um livro. A primeira ida a São Francisco e as outras viagens não servem para o rapaz descobrir quem é; a bem da verdade, servem para ele ir se distraindo com umas drogas e umas transas, e para ele ir se frustrando com uma pessoa e com outra, até ele se cansar daquilo tudo e resolver contar tudo o que viveu. E, afinal, virou um escritor.</p>
<p><img src="http://www.cinelogin.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Na-Estrada-On-The-Road07.jpg" alt="" /></p>
<p>É fato que o espírito do filme é todo Dean Moriarty, o vagabundo aspirante a escritor cheio de vida que inspira Paradise e seus amigos urbanoides e intelectuais. O personagem é vivido com entrega total e muito carisma por Garrett Hedlund, de <em>Tron &#8211; o Legado</em>. Impressionante. Assim como é uma surpresa o desempenho soltinho e sexy de Kristen Stewart, uma moça que está se esforçando para se livrar da sombra de seu personagem mais famoso, a Bella de <em>Crepúsculo</em>. Aqui, ela é a amalucada Marylou, ninfomaníaca e protagonista da melhor sacanagem de estrada já filmada: uma das &#8220;grandes ideias&#8221; de Dean, no meio de uma viagem do nada para lugar nenhum, que termina com a moça e dois rapazes nus na direção do carro. Juntos. De alguma maneira.</p>
<p>Agora, o filme sofre &#8211; desconfio &#8211; da mesma doença de toda adaptação de algum livro muito importante ou cultuado: não pode querer dizer algo que já foi dito na matriz, então se limita a reproduzi-la com a maior fidelidade ou admiração possível. É o que estragou tantas adaptações de Fitzgeralds e Hemingways. Aqui, não chega a estragar, mas deixa um resultado muito bonito e um tanto insípido.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=90uDg_DN6MA">http://www.youtube.com/watch?v=90uDg_DN6MA</a></p>
<p><em>Veja o trailer de </em>Na Estrada<em>!</em></p>
<p>Resumindo, <em>Na Estrada </em>é um filme bacana, com alguns momentos brilhantes e divertidos e memoráveis, uma bela fotografia e atuações fortes e carismáticas, mas ao qual falta uma personalidade própria e a <span style="text-decoration: underline">vontade</span> de ser algo a mais do que um tributo. Algo que nunca faltou aos filmes de Salles, mas todo artista tem seus heróis, e um fã será sempre um fã.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O horror e a burrice</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Jul 2012 22:30:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Garrido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<description><![CDATA[Gostaria de estar falando sobre o novo filme do Batman &#8211; que parece ser sensacional -, mas mais uma vez um maluco estraga tudo. Como o leitor já sabe, um freak chamado James Holmes entrou armado numa sessão de estreia de Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge nos EUA e matou 12 pessoas, ferindo mais de 50. O rapaz usava uma máscara, emulando toscamente a aparência do vilão do filme. Uma vez que sobre a barbárie em si &#8211; o assassinato em massa &#8211; nada possa ser dito ou explicado, coube ao diretor do filme, Christopher Nolan, o lamento pela triste...  <span id="read-more" align="right"><a class="moretag" href="http://vip.abril.com.br/blogs/cinema/2012/07/23/o-horror-e-a-burrice/"> leia mais » </a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gostaria de estar falando sobre o novo filme do Batman &#8211; que parece ser sensacional -, mas mais uma vez um maluco estraga tudo.</p>
<p>Como o leitor já sabe, um <em>freak </em>chamado James Holmes entrou armado numa sessão de estreia de <em>Batman: o Cavaleiro das Trevas Ressurge</em> nos EUA e matou 12 pessoas, ferindo mais de 50. O rapaz usava uma máscara, emulando toscamente a aparência do vilão do filme.</p>
<p>Uma vez que sobre a barbárie em si &#8211; o assassinato em massa &#8211; nada possa ser dito ou explicado, coube ao diretor do filme, Christopher Nolan, o lamento pela triste escolha do cenário: &#8220;o cinema é minha casa; violar um lugar tão inocente e cheio de esperança de um modo tão insuportavelmente selvagem é devastador para mim&#8221;, declarou ele.</p>
<p>Quanto a mim, fico tão atônito quanto qualquer um que pare pra pensar sobre o que isso significa, e fico especialmente triste que esse tipo de coisa aconteça numa sala de cinema. É chocante quando a violência acontece em lugares de celebração da vida, da paz, da educação, da arte &#8211; como o caso nas Olimpíadas de Munique ou tantos outros em escolas de ensino médio.</p>
<p>Mas tenho algo a dizer sobre uma certa repercussão do acontecido. É um tipo de declaração da boca pra fora, ressentida de algo não muito bem definido, que tem ganhado as redes sociais. Manifestações idiotas que, ao mesmo tempo, relativizam a violência cometida por Holmes e incriminam suas dezenas de vítimas. São frases que vão do &#8220;ah, se fosse muçulmano diriam isso ou aquilo&#8221; ao &#8220;bem feito, porque isso é pouco perto do que os americanos fazem no Oriente Médio&#8230;&#8221;</p>
<p>Ora, um maníaco entrou no cinema e matou um monte de gente. Como já aconteceu aqui no Brasil. É o horror. Não tem nada a ver com a política internacional dos EUA ou com ataques terroristas.</p>
<p>São classes de barbárie diferentes, e infelizmente há profusão de exemplos de um e do outro. E o antiamericanismo que mistura as estações traz embutido um bom tanto de intolerância e burrice.</p>
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		<title>Em cartaz: &#8220;Para Roma, Com Amor&#8221;, de Woody Allen</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Jul 2012 22:23:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Garrido</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Quem acompanha este blog sabe que, por aqui, o momento mais esperado do ano não é o Natal, nem as férias, nem o coelhinho da Páscoa. O presente que todos ganhamos, ano após ano, e que faz a vida valer a pena, é mesmo o novo filme do Woody Allen. É recompensador, para mim, ver esse brilhante final de carreira de Allen (não que ele se veja em final de carreira; é a simples e triste constatação de que o homem tem quase 80 anos). De 2005 para cá, a partir do londrino Match Point e Europa adentro com Vicky Cristina...  <span id="read-more" align="right"><a class="moretag" href="http://vip.abril.com.br/blogs/cinema/2012/07/19/em-cartaz-para-roma-com-amor-de-woody-allen/"> leia mais » </a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quem acompanha este blog sabe que, por aqui, o momento mais esperado do ano não é o Natal, nem as férias, nem o coelhinho da Páscoa. O presente que todos ganhamos, ano após ano, e que faz a vida valer a pena, é mesmo o novo filme do <strong>Woody Allen</strong>.</p>
<p>É recompensador, para mim, ver esse brilhante final de carreira de Allen (não que ele se veja em final de carreira; é a simples e triste constatação de que o homem tem quase 80 anos). De 2005 para cá, a partir do londrino <em>Match Point </em>e Europa adentro com <em>Vicky Cristina Barcelona </em>e <em>Meia Noite em Paris</em>, os filmes de Allen deixaram de ser sinônimo de filme chato e cabeça para o grande público, e os shopping centers ganharam filas &#8211; filas! &#8211; de casais dispostos a conferir suas ironias, reflexões, piadas e paranoias.</p>
<p>Um belo exemplo dessa evolução são os cartazes dos filmes: lembro-me de quando <em>Match Point </em>foi lançado, e o cartaz que era exibido nos cinemas brasileiros trazia Scarlett Johansson se agarrando cheia de sorrisos com o galã do filme, Big Ben e outras paisagens londrinas ao fundo, num climão de comédia romântica &#8211; e nenhuma menção ao nome do diretor, que deveria afugentar o público (de acordo com o entendimento dos marqueteiros da distribuidora).</p>
<p>Acontece que o filme fez sucesso de verdade, e daí veio <em>Vicky Cristina Barcelona &#8211; </em>cujo cartaz também se serviu da aprazível figura de Scarlett, desta vez reforçada de Penélope Cruz e Javier Bardem. O cartaz informava: &#8220;do mesmo diretor de <em>Match Point</em>&#8220;. Oscar para Cruz, sucesso de bilheteria, mais um passo em direção ao improvável <em>Meia Noite em Paris</em>, uma comédia em que o protagonista viaja no tempo e interage com baluartes da década de 20, batendo papos e bebendo com Hemingway, Fitzgerald, Picasso, Salvador Dalí&#8230; como isso foi se tornar o maior sucesso da carreira de Allen, eu não sei. Mas sei que foi a redenção definitiva da obra do baixinho junto ao grande público, coroada com mais uma esnobada pra cima dos Oscars (ele teve o roteiro premiado mas, como fez das outras duas vezes, não compareceu à festa para buscar a estatueta).</p>
<p>E todo esse contexto nos traz a 2012 e nos leva a Roma, cidade escolhida para o diretor ambientar seu 43º filme: <em>Para Roma, Com Amor</em>.</p>
<p>Devidamente anunciado, aliás, com a imagem de Woody Allen em destaque e com o título respeitosamente precedido de um rótulo de autor: &#8220;escrito e dirigido por Woody Allen&#8221;.</p>
<p><img src="http://type2you.files.wordpress.com/2012/07/poster.jpg" alt="" /></p>
<p><strong>Um dia especial em Roma</strong></p>
<p>Eu vivi para chegar este dia. Parece que foi ontem quando nós, os cinéfilos, nos reuníamos feito clandestinos no Espaço Unibanco para conferir o lançamento tardio de<em> Poderosa Afrodite </em>ou<em> Descontruindo Harry</em>. Tínhamos que correr, porque sairia de cartaz em uma ou duas semanas.</p>
<p>Mas vamos a <em>Roma</em>.</p>
<p>O filme, seguindo a fórmula de sucesso de seu antecessor parisiense, consegue encapsular uma tonelada de citações e piadas que são tão bem aproveitadas quanto maior for o repertório cultural do espectador. Se em <em>Paris </em>era necessário conhecer os humores de Hemingway e a loucura da mulher do Fitzgerald e o frisson em torno da Josephine Baker, em <em>Roma </em>é desejável saber tudo de cinema italiano, desde as iniciativas mais pop e mais cabeça de Fellini até a tradicional comédia de costumes italiana. Por outro lado, assim como em <em>Paris</em>, quem não tem todo o conhecimento não deixa de ver graça e de se divertir com as situações e personagens de Allen, e não deixa de se apaixonar pelas cidades, fotografadas com o carinho de um turista curioso (e talentoso).</p>
<p>Ou seja, o filme não frustra os admiradores de longa data do cineasta, agradando-os na mesma medida em que se deliciam os frequentadores mais desinteressados (os casais em busca de um &#8220;filminho leve para o sábado à noite&#8221;). A bem da verdade, sobe a barra um pouco, e isso é muito bem-vindo num mundo de <em>Vingadores </em>e congêneres.</p>
<p><strong>Perder-se em Roma</strong></p>
<p><em>Para Roma, Com Amor </em>é uma comédia, e  uma das boas. Segue aquela linha de quatro núcleos completamente independentes de personagens, cujas histórias jamais se cruzam, mas ajudam a compor o quadro. Todos eles começam de um mesmo ponto, aquele pelo qual todos que já visitaram a Cidade Eterna passaram: se perdendo em Roma.</p>
<p>É o que acontece com Haley (<strong>Alisson Pill</strong>, a Zelda Fitzgerald de <em>Meia Noite em Paris</em>), uma mocinha que se perde tentando achar a Fontana di Trevi. Conhece um italiano bonitão, namora e noiva e recebe os pais para conhecer a família do cara &#8211; e é aí que surge a história central do núcleo, com o pai da moça (o próprio Allen) tentando convencer o sogro a se tornar cantor de ópera.</p>
<p>Não muito longe dali, um arquiteto renomado vivido por <strong>Alec Baldwin</strong> se perde tentando encontrar o lugar onde vivera por algum tempo na juventude. É reconhecido por um estudante de arquitetura que se encontra na mesma situação &#8211; vivendo em Roma &#8211; e vão dar uma volta juntos.</p>
<p>Mas a mais perdida é mesmo a gracinha<strong> Alessandra Mastronardi</strong>, uma recém casada do interior que procura um cabelereiro antes de um importante compromisso com seu travado maridinho. Atrapalhada, não consegue distinguir o rumo lá do meio da Piazza del Popolo (que é um troço confuso, simétrico, com prédios idênticos lado a lado). Acaba resignada, sentadinha na Fontana delle Tartarughe &#8211; onde dá de cara com um ator famoso, do qual é fã.</p>
<p><img src="http://2.bp.blogspot.com/-r2UGgvWJH2k/T2LMQtF_iGI/AAAAAAAAKKY/Y6SzTAEy_BQ/s1600/AlessandraMastronardi.JPG" alt="" width="686" height="503" /></p>
<p><em>Ale Mastronardi: eu não preciso de outro motivo para ver esse filme; e você?</em></p>
<p>E há<strong> Roberto Benigni</strong>, um cidadão comum e tranquilamente instalado com a família na cidade, o único cara que sabe o caminho por Roma &#8211; mas por pouco tempo. Um certo dia, na porta da sua casa, uma multidão de jornalistas e fotógrafos misteriosamente o cercarão e sua vida será instantaneamente transformada num inferno de mega-celebridade.</p>
<p><strong>O surreal acontece</strong></p>
<p>A partir daí, todos os núcleos viverão o improvável, o absurdo, o impossível: veremos um tenor de talento inigualável, mas que só canta debaixo do chuveiro; veremos a prostituta mais gostosa do mundo (uma <strong>Penélope Cruz</strong> sempre inspirada e carismática) caindo na cama de um desavisado; veremos um <strong>Jesse Eisenberg</strong> (o Zuckerberg d<em>&#8216;A Rede Social</em>) sendo aconselhado pela sua própria consciência personificada; veremos Roberto Benigni sendo engraçado, dando entrevistas sobre fatos de interesse nacional, como o que comeu no café da manhã ou de que modo ele faz a barba; veremos, enfim, um monte de coisas absurdas, que não aconteceriam na vida real ou nem de fato acontecem nas vidas dos personagens do filme &#8211; mas que são engraçadas, espirituosas e verdadeiras como análise das falhas humanas, da cultura das celebridades, do embate entre o impulso e a razão&#8230;</p>
<p><img src="http://www.tvprime.pt/wp-content/uploads/2012/03/to-rome-with-love-still-banner.jpg" alt="" /></p>
<p><em>Woody Allen dirige Penélope Cruz numa festa de ricaços onde ela finge não ser uma profissional do amor&#8230;</em></p>
<p>Tão importante quanto o ponto de partida &#8211; Roma é uma cidade para se perder &#8211; ou quanto o recheio &#8211; o cinema italiano é uma delícia porque aceita todo tipo de situação absurda &#8211; é o arremate das quatro histórias: a transformação dos personagens passa por experiências libertárias, que os tiram da sua mesmice e que incluem fazer sexo ardente com pessoas diferentes. Quem se arriscar a pular a cerca sairá recompensado e com uma bela história pra contar de Roma, além de mais sábio e seguro para a vida. É o que Woody Allen deseja para seus jovens e belos personagens (e até para o Benigni), e os mais velhos observam tudo com interesse e nostalgia.</p>
<p>O elenco, como sempre, é inacreditável, trazendo todos os nomes bacanas já citados e mais outros desconhecidos (mas igualmente competentes), e ainda algumas redescobertas: como é bom ver<strong> Judy Davis</strong> (que já fez cinco filmes de Allen) como a esposa do diretor, gastando o verbo e oferecendo as melhores piadas (&#8220;você está pensando em dólar; em euros, seu QI é bem menor&#8230;&#8221;).</p>
<p><strong>O xis da questão</strong></p>
<p><strong></strong></p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=2VTLONXE-K8">http://www.youtube.com/watch?v=2VTLONXE-K8</a></p>
<p>Pelo menos para mim, o ponto central de <em>Para Roma, Com Amor</em> são as aparências: todos os personagens pensam ser ou tentam se passar por algo diferente do que são. <strong>Ellen Page</strong> (a <em>Juno</em>) é tida como sexy e irresistível e inteligente, mas é de um visual desleixado e vazia feito a atriz <em>wannabe </em>que é. O diretor de óperas de Woody Allen se julga um gênio incompreendido e se vangloria do seu QI de gênio, mas é sua esposa quem arremata as discussões com tiradas geniais. Benigni adora dar opinião sobre tudo e todos, mas verá que não é tão interessante quando todos estiverem sedentos por suas opiniões. Posso continuar falando por duas horas sobre cada personagem.</p>
<p>E Roma, afinal, é o lugar perfeito para isso, com seus belos cartões postais enfeiados pelas hordas de turistas, e seus restaurantes-arapucas cheios de gente de classe média remediada pagando de ricaços em mesas nas calçadas, e toda aquela bela e sábia civilização arrasada e reduzida a ruínas.</p>
<p>Que lugar <em>Roma </em>ocupará na obra de Allen? Para a História, acredito que num estágio intermediário, como &#8220;mais um filme da sua fase europeia&#8221;. Já pessoalmente, eu creditarei uns pontinhos a mais, pois julgo o filme superior a <em>Barcelona </em>e <em>Paris</em>, colocando-o no brilhante bloco de ótimos filmes do diretor, como <em>Todos Dizem Eu Te Amo, Tiros na Broadway, Tudo Pode Dar Certo</em> e <em>Poderosa Afrodite</em>. Não chega ao patamar das obras-primas (onde residem <em>Match Point, Crimes e Pecados, Annie Hall, Manhattan, Hannah e Suas Irmãs </em>e <em>A Rosa Púrpura do Cairo</em>), mas quem se importa? Enquanto Allen estiver bem e lançando filmes, estarei feliz e aguardando pelo ano que vem.</p>
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		<title>Estreia: &#8220;Sombras da Noite&#8221;, de Tim Burton</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jun 2012 23:47:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Garrido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>
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		<category><![CDATA[Chloë Grace Moretz]]></category>
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		<category><![CDATA[terror]]></category>
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		<description><![CDATA[Depois de tantos filmes, começando lá atrás com Edward Mãos de Tesoura e chegando ao blockbuster da Disney Alice no País das Maravilhas, parece que se esgotou tudo que podia ser dito sobre a parceria de Tim Burton e Johnny Depp. Os cabelos estranhos, os trejeitos, a aparência freak - sinceramente, tudo meio que perdeu a graça. OK, entendi, você é o Johnny Depp e faz o que lhe der na telha; logo, de dois em dois anos você faz um filme esquisitão com seu amigo esquisitão, Tim Burton. Boring. Mas não é que esse Sombras da Noite (que estreou no último fim-de-semana...  <span id="read-more" align="right"><a class="moretag" href="http://vip.abril.com.br/blogs/cinema/2012/06/25/estreia-sombras-da-noite-de-tim-burton/"> leia mais » </a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de tantos filmes, começando lá atrás com <em>Edward Mãos de Tesoura </em>e chegando ao blockbuster da Disney <em>Alice no País das Maravilhas</em>, parece que se esgotou tudo que podia ser dito sobre a parceria de Tim Burton e Johnny Depp. Os cabelos estranhos, os trejeitos, a aparência <em>freak</em> - sinceramente, tudo meio que perdeu a graça. OK, entendi, você é o Johnny Depp e faz o que lhe der na telha; logo, de dois em dois anos você faz um filme esquisitão com seu amigo esquisitão, Tim Burton. <em>Boring</em>.</p>
<p>Mas não é que esse <em>Sombras da Noite</em> (que estreou no último fim-de-semana no Brasil) me fez esquecer todo esse histórico?</p>
<p>Durante as duas horas de humor negro e clima ao mesmo tempo sombrio e infantiloide, não precisei me lembrar do tratamento de <em>auteur </em>que Burton recebe há anos, e também pude rir dos personagens e situações do filme por seu próprios méritos, e não pela piada metalinguística de vermos o maior astro de Hollywood fazendo-se de ridículo. <em>Sombras da Noite </em>é uma delícia de filme, sem se levar a sério e não abandonando jamais o afeto pelos seus personagens. E é esse afeto humano que torna geniais os melhores momentos de Burton, como <em>Ed Wood, Peixe Grande </em>e <em>Edward Mãos de Tesoura -</em> assim como é sua ausência e uma ironia gratuita e exagerada que estragam filmes como <em>Alice.. </em>e <em>A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça</em>.</p>
<p><img src="http://geektyrant.com/storage/0999-post-images/EW-Dark-Shadows-5.jpg?__SQUARESPACE_CACHEVERSION=1336167763910" alt="" /></p>
<p><em>Johnny Depp e Eva Green: ele vira e mexe sucumbe aos encantos da moça&#8230;</em></p>
<p><em>Sombras da Noite </em>conta a história dos Collins, uma família inglesa que imigrou para os EUA há séculos, e que lá desbravou um porto e fundou uma cidade, vivendo na fortuna e desfrutando da admiração de todos, até que seu herdeiro &#8211; Barnabas Collins, um rapaz de modos soturnos e aparência esquisita feito um Johnny Depp em filme do Tim Burton &#8211; se envolve com a mulher errada (e eis uma rara ocasião em que Eva Green é a mulher errada). Acontece que a moça é uma bruxa e, tendo o rapaz se apaixonado por outro rabo-de-saia, ela exorcisa a rejeição lançando uma maldição secular sobre o pobrezinho e sua família. E assim chegamos aos dias de hoje com o que restou dos Collins vivendo na opulenta mansão caindo aos pedaços, com seus negócios sucateados na cidade que os ignora solenemente.</p>
<p>E do que se trata essa maldição? Bem, digamos que há espaço para o &#8220;penhasco da viúva&#8221;, mansão mal assombranda por fantasmas etéreos, vampiros, lobisomens e muito glam rock (com direito a ponta de Alice Cooper) numa trama que se equilibra entre <em>A Hora do Espanto, Os Sete Suspeitos </em>e o Carlitos de Charles Chaplin. Depp confere vulnerabilidade e coração ao amaldiçoado Barnabas, que atravessa os séculos e volta ao seu lar em plenos anos 70, onde tem de lidar com hippies, feministas e sexo livre (entre uma refeição e outra, dada sua situação peculiar). Eva Green se diverte no papel da bruxa gostosa eternamente apaixonada pelo sujeito. O mesmo pode ser dito do belo elenco que compõe o <em>freak show </em>da família Collins: Michelle Pfeiffer como a viúva durona que comanda a família; Helena Bonham-Carter como a psiquiatra alcoólatra que se interessa pela natureza um tanto diferente de Barnabas; e Chloë Grace Moretz, a impagável Hit Girl de <em>Kick-Ass</em>, aqui crescidinha como a adolescente problemática que curte Alice Cooper e vive entupida de drogas.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=WelkZN6XKeA">http://www.youtube.com/watch?v=WelkZN6XKeA</a></p>
<p><em>Veja o trailer de </em>Sombras da Noite<em>!</em></p>
<p>E tem a linda Bella Heathcote, um pitelzinho descoberta por Tim Burton numa novela australiana (a moça é natural daquelas praias), que serve de objeto do afeto de Johnny Depp e alvo preferencial da bruxaria de Eva Green. A moça decora a tela, além de ter bom <em>timing </em>cômico, e isso é bem agradável.</p>
<p><img src="http://img.poptower.com/pic-91297/bella-heathcote.jpg?d=600" alt="" /></p>
<p><em>Pois é&#8230; eu também.</em></p>
<p>Ao final de <em>Sombras da Noite</em>, temos a sensação de ter viajado no tempo, aprendendo algo e imaginando um tanto sobre a formação das cidades abastadas no Nordeste dos EUA, além de curtir de um ponto-de-vista adequado a bizarrice dos anos 70. O resto é a magia de escuridão e imaginação de Tim Burton &#8211; que, afinal, é mesmo um autor genial. Quando está inspirado &#8211; e quando se ocupa em apenas divertir e se divertir -, não tem pra ninguém.</p>
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		<title>O E.T. de Spielberg, 30 anos</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jun 2012 18:43:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Garrido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[anos 80]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Drew Barrymore]]></category>
		<category><![CDATA[E.T.]]></category>
		<category><![CDATA[Spielberg]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Spielberg]]></category>

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		<description><![CDATA[Se você acha que o último Harry Potter ou um bando de heróis da Marvel são grandes blockbusters, você deve ser muito novo para se lembrar ou ter vivido 1982. Foi uma época engraçada. A Ditadura Militar estava meio morta no Brasil, mas se recusava a entregar os pontos &#8211; naquele ano, aconteceram as primeiras eleições para governador em mais de uma década; já para presidente, as Diretas Já dariam com os burros n&#8217;água. No futebol, a Seleção encantava com Zico, Sócrates e Falcão, mas parou na Itália numa partida trágica em Barcelona, durante a Copa de 82. O rock...  <span id="read-more" align="right"><a class="moretag" href="http://vip.abril.com.br/blogs/cinema/2012/06/12/o-e-t-de-spielberg-30-anos/"> leia mais » </a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se você acha que o último Harry Potter ou um bando de heróis da Marvel são grandes blockbusters, você deve ser muito novo para se lembrar ou ter vivido 1982. Foi uma época engraçada. A Ditadura Militar estava meio morta no Brasil, mas se recusava a entregar os pontos &#8211; naquele ano, aconteceram as primeiras eleições para governador em mais de uma década; já para presidente, as Diretas Já dariam com os burros n&#8217;água. No futebol, a Seleção encantava com Zico, Sócrates e Falcão, mas parou na Itália numa partida trágica em Barcelona, durante a Copa de 82. O rock brasileiro ia surgindo, cheio de cores new wave, com a Blitz e o Barão Vermelho e todo o resto. A música que mais fez sucesso naquele ano foi um samba do Gonzaguinha, aquele que convoca todo mundo pra berrar: &#8220;viver e não ter a vergonha de ser feliz&#8230;&#8221;</p>
<p>O clima era de euforia, um país na iminência de entrar num Carnaval eterno. Só que a bola foi batendo na trave, batendo na trave&#8230; e o hino daquela geração seria mesmo o <em>Inútil </em>do Ultraje a Rigor (&#8220;a gente não sabemos escolher presidente&#8221; etc). Enfim, a década terminaria com hiperinflação e Collor na presidência e a Seleção do Lazaroni fazendo papelão.</p>
<p>Mas não sabíamos nada disso no meio de 1982. Acreditávamos na redenção coletiva e nada nos impedia de repetir que a vida é bonita, é bonita e é bonita.</p>
<p>E o que tudo isso tem a ver com cinema?, você pergunta.</p>
<p>Bom, é que nada, nada disso teve tanta repercussão e causou tanta comoção como o advento de <strong><em>E.T., o Extra-Terrestre</em></strong>, de<strong> Steven Spielberg</strong>, que estreou há exatos 30 anos atrás. Coloquemos assim: nenhum filme foi tão largamente comentado, amado e estendido em um universo de produtos, de álbuns de figurinhas a brinquedos a toalhas a todo tipo de merchandising oficial e pirata que possa ser imaginado. Durante semanas, o Fantástico se desdobrava em encontrar mais matérias sobre o filme, o simpático E.T. e seu mago criador. O assunto era inesgotável. Na escola, as crianças mediam sua popularidade em termos de quantas vezes tinham visto o filme. Lá pelas tantas, a diretoria organizava excursões para ir ao cinema, porque as crianças que não tinham tido a oportunidade de ver o filme estavam sofrendo <em>bullying</em> (na época, não era esta a palavra, mas era isso).</p>
<p><img src="http://blogs.d24am.com/cineset/files/2012/02/270-E.T.-O-Extraterrestre.jpg" alt="" /></p>
<p>Eu me lembro muito bem de onde e como vi <em>E.T. </em>pela primeira vez: num cinema em Santana, na zona norte de São Paulo, com gente saindo pelo ladrão. Mesmo. As pessoas se sentavam no chão, nas escadas, ou assistiam lá do fundo em pé, porque vendiam (muito) mais ingressos do que os assentos comportavam. E ninguém reclamava. (Bem, lembro-me da minha mãe reclamando, mas isso foi antes de começar a projeção &#8211; assim que começou o filme, ela ficou tão embasbacada e imersa na vidinha de Elliot e o E.T. quanto nós.)</p>
<p>Na verdade, aquela foi a primeira vez que fui ao cinema para ver um filme de verdade (antes, eu já tinha ido ver animações da Disney, mas dessas não guardo lembrança). Não poderia haver filme mais adequado.</p>
<p>Spielberg se tornou um nome amplamente conhecido, de brasileiros e brasileiras, ricos e pobres, interessados por cinema ou executivos sizudos. Basicamente, E.T. fez de Spielberg  sinônimo de excelência de realização, pureza de propósitos, inteligência e sensibilidade &#8211; tudo o que faltava no Brasil que acabava só batendo na trave e não encontrava o caminho. Spielberg seria eleito presidente da república, e não faria feio à frente da Seleção Brasileira. Ele era o cara, sem concorrência ou contestação.</p>
<p>Os anos seguintes trariam uma série de filmes que carregavam a assinatura de Steven Spielberg como produtor executivo &#8211; filmes que ele escolhia por afinidade com seu universo de aventuras infantis e que botava nas mãos de protegidos. Esses escolhidos iriam de Joe Dante (<em>Gremlins</em>) a Richard Donner (<em>Goonies</em>) a Robert Zemeckis (<em>De Volta Para o Futuro</em>). No imaginário coletivo, era tudo &#8220;o novo filme do Spielberg&#8221;. É como aquele monte de frases e textos que circulam pela internet e que atribuem a Millôr Fernandes ou ao Luís Fernando Veríssimo ou ao Arnaldo Jabor, como se qualquer coisa mais sagaz e inteligente só pudesse sair da pena desses caras.</p>
<p>A questão é: <em>E.T. </em>merecia toda essa repercussão?</p>
<p><img src="http://sphotos.xx.fbcdn.net/hphotos-prn1/c0.0.403.403/p403x403/526665_348707528530980_361712820_n.jpg" alt="" /></p>
<p><em>Selo comemorativo dos Correios dos EUA</em></p>
<p>Sim, e muito. É um filme definidor de época, ao retratar uma família separada sob o ponto de vista da criança (<em>Kramer Vs Kramer </em>e <em>Gente Como a Gente </em>se levavam a sério demais, e se empenhavam demais em fazer a mulherada chorar; <em>E.T. </em>vai na veia e mostra o moleque vivendo a vida, com suas sequelas misturadas à própria solução caseira que se encontra e bola pra frente). Ele deflagrou a moda das &#8220;bicicross&#8221; (aquelas bikes de aro 20 e sem marcha, que TODOS os moleques pedalaram felizes nos anos 80, rampando nas calçadas e derrapando em série). Deve ter sido o primeiro filme a mostrar pizzas entregues em casa, e também deve ter sido o primeiro a exibir orgulhoso um controle remoto zapeando pela TV a cabo com dezenas de canais. Era um verdadeiro <em>showroom</em> do estilo de vida dos anos 80.</p>
<p>E tinha a paranoia do que vinha do espaço e de como o Governo escondia tudo da população. E aí a aventura ganha contornos absolutamente mágicos, com aquele bichinho engraçado, claramente derivado do Mestre Yoda de George Lucas, aprendendo a falar e dando aulas de astronomia para a molecada. E aquela simbiose com o Elliot? Um fica bêbado, o outro fica bêbado; um fica doente, o outro cai de cama&#8230; que ideia!</p>
<p>Para mim e para quase todos, nada é mais memorável do que o bando de moleques, Elliot à frente, pedalando suas bikes ameaçadoras em direção à barricada de policiais apontando armas para suas testas, e então as bikes levantam voo e passam em frente à enorme lua cheia. Todos sabem do que estou falando. A cena é daquelas poucas que entrariam numa lista de 10 cenas mais famosas do cinema, junto com a Scarlett O&#8217;Hara gritando que nunca mais vai passar fome, ou a Dorothy batendo os sapatinhos e dizendo que não há lugar como o lar, ou o Humphrey Bogart e a Ingrid Berman se despedindo na pista de decolagem em <em>Casablanca</em>. Simples assim.</p>
<p>Veja a cena:</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=oR1-UFrcZ0k">http://www.youtube.com/watch?v=oR1-UFrcZ0k</a></p>
<p>Assisti <em>E.T. </em>recentemente e achei o filme tão mágico e cativante quanto na primeira vez, e também achei os efeitos especiais tão convincentes e reais quanto os de última geração que vemos hoje, todos feitos no computador. Claro, não gostei do Spielberg ter apagado digitalmente os revólveres dos policiais na tal cena, substituindo-os por <em>walkie-talkies</em> inofensivos. Mas o saldo foi amplamente positivo.</p>
<p>O residual de <em>E.T. </em>foi tão forte que suas estrelas mirins se viram amaldiçoadas pelo sucesso acachapante do filme. O moleque que fez o Elliot sumiu; e Drew Barrymore, que deu  graça e carisma irresistíveis à irmãzinha de 4 anos, passou mais de uma década no inferno &#8211; alcoolismo antes dos 10 anos, drogas na pré-adolescência etc. Quando Barrymore finalmente ressurgiu, aos 18 anos, fazendo uma ponta num filme do Batman, todos se lembravam dela: &#8220;a menininha do E.T. cresceu!&#8221; &#8211; e dali para um filme do Woody Allen e, então, para virar a rainha da comédia romântica, foi um pulo.</p>
<p>Se você não viveu 1982, é provável que não entenda ou não concorde com tudo isso que contei. É capaz que você pense, esse cara é um velho saudosista cuja memória começa a aumentar as coisas do passado. Sem problema. Mas acredite, E.T. é o filme definitivo de Spielberg; é o filme em que foi colocada toda a carga emocional, de valores e frustrações e pirações de um cara talentoso e tímido. E é o molde de quase tudo que é feito hoje em dia, de animações a blockbusters, ao tratar adultos como crianças e crianças como adultos, com gente normal lidando com problemas maiores do que a vida.</p>
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		<title>&#8220;Solteiros com Filhos&#8221;, ou a revolução da comédia feminina</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jun 2012 17:37:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Garrido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>
		<category><![CDATA[comédia romântica]]></category>
		<category><![CDATA[Jennifer Westfeldt]]></category>
		<category><![CDATA[Kristen Wiig]]></category>

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		<description><![CDATA[Primeiro, elas queimaram sutiãs, vestiram calças compridas e reivindicaram &#8211; e conquistaram &#8211; direitos iguais. Depois, invadiram o mercado de trabalho e ascenderam a postos gerenciais e de direção. Agora, estão começando a tomar dos homens um dos últimos lugares onde estávamos no comando: no humilde canto da auto-humilhação, do rir de si mesmo, do quanto mais idiota melhor &#8211; a comédia. Mulheres no centro: agora a comédia é assim! Claro, as comédias &#8211; ou pelo menos um tipo de comédia &#8211; sempre tiveram o público feminino na sua cabeça, e lhes ofereceu a versão inofensiva e arrumadinha do ridículo...  <span id="read-more" align="right"><a class="moretag" href="http://vip.abril.com.br/blogs/cinema/2012/06/06/solteiros-com-filhos-ou-a-revolucao-da-comedia-feminina/"> leia mais » </a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primeiro, elas queimaram sutiãs, vestiram calças compridas e reivindicaram &#8211; e conquistaram &#8211; direitos iguais. Depois, invadiram o mercado de trabalho e ascenderam a postos gerenciais e de direção. Agora, estão começando a tomar dos homens um dos últimos lugares onde estávamos no comando: no humilde canto da auto-humilhação, do rir de si mesmo, do quanto mais idiota melhor &#8211; a comédia.</p>
<p><img src="http://www.slate.com/content/dam/slate/articles/arts/movies/2012/03/120309_MOV_friendsWithKids2.jpg.CROP.rectangle3-large.jpg" alt="" /></p>
<p><em>Mulheres no centro: agora a comédia é assim!</em></p>
<p>Claro, as comédias &#8211; ou pelo menos um tipo de comédia &#8211; sempre tiveram o público feminino na sua cabeça, e lhes ofereceu a versão inofensiva e arrumadinha do ridículo humano: a comédia romântica. Das mãos habilidosas de Billy Wilder (com a imagem elegante de Audrey Hepburn) à competência em série de Nora Ephron (com a imagem corretinha de Meg Ryan), a comédia romântica sempre foi a nossa concessão à mulherada &#8211; OK, vocês não gostam do Mel Brooks, então verei esse filminho da Sandra Bullock com você<em>.</em></p>
<p>E chegamos à segunda década do século 21, com a comédia entrando de sola no terreno do mau gosto, com a turma de <em>Se Beber, Não Case</em> chutando o balde em Las Vegas e a máfia de Judd Apatow (<em>Ligeiramente Grávidos</em>, <em>O Virgem de 40 Anos</em>) se espalhando e brilhando em empreitadas solo (Seth Rogen, Paul Rudd, Jonah Hill, Jason Segel, Steve Carrell&#8230;). Tudo parecia normal no reino dos engraçadinhos e fãs de stand-up comedy, mas deveríamos ter visto a sombra se aproximando. Deveríamos ter prestado atenção no sucesso da Tina Fey no Saturday Night Live; deveríamos ter percebido que nossas namoradas e esposas estavam lotando o cinema e rindo da escrotidão dos nossos heróis e suas piadas envolvendo pêlos, peidos e nojeiras em geral. Agora é tarde: a mulherada se apoderou da comédia rasgada, e parece que elas vieram pra ficar.</p>
<p>O primeiro indício foi o atordoante <strong><em>Missão: Madrinhas de Casamento</em></strong>, lançado no ano passado e tão inesperado que confundiu todo mundo, que não sabia se se tratava de mais uma comédia descartável e nojenta (só que escrita e estrelada exclusivamente por mulheres) ou se era caso de Globos de Ouro e Oscars. O filme foi escrito por <strong>Kristen Wiig</strong>, egressa, claro, do Saturday Night Live, e trazia a história da melhor amiga da noiva que encara o fardo de ser a dama de honra &#8211; aquela coisa toda, escolha do vestido, lembrancinhas e docinhos, chá de cozinha e música de mulherzinha, com destaque para as (graças aos céus) sumidas moças daquele trio, Wilson Phillips. Só que o pacote veio polvilhado de conversas francas sobre sexo, ridicularização da aparência e dos hábitos das moças e um tanto de escatalogia (penso na já histórica cena da noiva, toda cagada, no meio da rua). É <em>Se Beber, Não Case </em>para mulheres, pode crer.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=K4YbaFTxWLg">http://www.youtube.com/watch?v=K4YbaFTxWLg</a></p>
<p><em>Veja o trailer de</em> Missão: Madrinhas de Casamento<em>!</em></p>
<p>E agora lançam uma empreitada um pouco mais light, mas que segue na mesma toada: estreou este <strong><em>Solteiros Com Filhos</em></strong>, um filme que trata da velha questão do cara um tanto imaturo, o eterno meninão, que não consegue largar da vida boa de playboy e firmar um compromisso, embora a idade vá chegando e uma família com filhos se faça necessária. Só que o cara, aqui, é uma mulher. Ou pelo menos a mulher é tão avariada moralmente quanto o homem, e isso conta muito.</p>
<p><img src="http://www.realdetroitweekly.com/imager/b/magnum/1540841/f94c/Friends-with-kids_11.jpg" alt="" /></p>
<p>O filme é escrito e dirigido por <strong>Jennifer Westfeldt</strong>, 40 anos, uma intelectual formada em Yale que é também atriz aqui e ali (seu último filme foi <em>Beijando Jessica Stein</em>, há dez anos!). Ela frequenta a turminha das<em> Madrinhas de Casamento</em> e trouxe as duas protagonistas para compor seu elenco. Também colocou no projeto seu marido, o astro Jon Hamm, de <em>Mad Men</em>. A história é a seguinte: dois amigos (um homem e uma mulher) desfrutam de uma intimidade absurda e parecem feitos um para o outro, mas são só amigos. Levam uma vida de filme de Woody Allen em Manhattan, e acompanhamos seus passos através de passeios bacanas e restaurantes descolados, com seus dois casais de amigos servindo como paradigma constante de comparação sobre como as coisas estão indo. Parece <em>Harry &amp; Sally</em>, vão dizer, e parece mesmo, mas ganha um ingrediente a mais: o tal casal de amigos resolve ter um filho.</p>
<p>E assim, o que era complicado (dois amigos beirando a meia idade e fugindo de um relacionamento mais sério) vira um inferno &#8211; pois agora há bebês (não só o deles, mas os dos seus amigos), e há escalas de vigília noturna, e há a namorada de um e o namorado da outra surgindo aqui e ali, e é muito difícil mesmo equilibrar todos os pratos nas varetas. O ponto de vista é feminino, sempre: como se manter atraente, como não abrir mão da maternidade e continuar mandando bala na <em>dolce vita</em>&#8230;</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=7NZFxPYXsf8">http://www.youtube.com/watch?v=7NZFxPYXsf8</a></p>
<p><em>Veja o trailer de </em>Solteiros com Filhos<em>!</em></p>
<p>O resultado vai um pouco além de um <em>Harry &amp; Sally </em>com filhos, em que pesem os defeitos e limitações de <em>Solteiros Com Filhos</em> (e o maior deles foi bem apontado pelo crítico Roger Ebert, do Chicago Sun Times, que descreveu sua dor em assistir aos personagens cumprindo a óbvia acomodação no terceiro ato, caminhando chochos para um final feliz). O resultado, a despeito do filme não ser nenhuma obra-prima, é o assentamento de mais um tijolo na obra que vai se construindo. É mais uma comédia para mulheres; escrita, dirigida e protagonizada por mulheres; e capaz de engrossar o currículo e criar uma &#8220;cena&#8221; de moças duronas e destemidas, que topam pagar o preço de uma gargalhada &#8211; o preço que Jerry Lewis, Jack Lemmon, Woody Allen, Jim Carrey e Adam Sandler sempre se dispuseram a pagar. Às favas com as as aparências e o peso e os ares de mocinha indefesa, é isso que elas dizem.</p>
<p>E agora é a sua namorada que vai escolher a comédia no Netflix, naquele sábado preguiçoso em que vocês resolverem comer uma pizza e dar umas risadas. É uma questão de tempo.</p>
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		<title>Estreia: &#8220;Homens de Preto 3&#8243;, de Barry Sonnenfeld</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Jun 2012 23:51:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Garrido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[anos 60]]></category>
		<category><![CDATA[Barry Sonnenfeld]]></category>
		<category><![CDATA[cultura nerd]]></category>
		<category><![CDATA[Ethan Cohen]]></category>
		<category><![CDATA[ficção científica]]></category>
		<category><![CDATA[Homens de Preto]]></category>
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		<category><![CDATA[MIB]]></category>
		<category><![CDATA[sci-fi]]></category>
		<category><![CDATA[Steven Spielberg]]></category>
		<category><![CDATA[Tommy Lee Jones]]></category>
		<category><![CDATA[Will Smith]]></category>

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		<description><![CDATA[Entre o lançamento de Homens de Preto, há assustadores 14 anos atrás, e este outono sem graça de cinemas dominados pelos Vingadores da Marvel, o mundo viu a dita ascensão do poder nerd &#8211; graças a uma dúzia de gênios tornados milionários na Califórnia, virou bacana gostar de Star Wars e HQ, e programas flagrantemente infames passaram a ditar as regras do humor. Acima de tudo, o cinema foi tomado por super-heróis de toda espécie, desde as previsíveis repetições da Marvel e da DC Comics até brincadeiras brilhantes como Kick Ass. Mas eis que o time formado por Steven Spielberg (dono...  <span id="read-more" align="right"><a class="moretag" href="http://vip.abril.com.br/blogs/cinema/2012/06/04/estreia-homens-de-preto-3-de-barry-sonnenfeld/"> leia mais » </a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Entre o lançamento de <em>Homens de Preto, </em>há assustadores 14 anos atrás, e este outono sem graça de cinemas dominados pelos <em>Vingadores</em> da Marvel, o mundo viu a dita ascensão do poder nerd &#8211; graças a uma dúzia de gênios tornados milionários na Califórnia, virou bacana gostar de <em>Star Wars</em> e HQ, e programas flagrantemente infames passaram a ditar as regras do humor. Acima de tudo, o cinema foi tomado por super-heróis de toda espécie, desde as previsíveis repetições da Marvel e da DC Comics até brincadeiras brilhantes como <em>Kick Ass</em>.</p>
<p>Mas eis que o time formado por Steven Spielberg (dono da grana), Barry Sonnenfeld (diretor) e Ethan Cohen (roteirista) volta a se juntar e, basicamente, mostra para as crianças como se faz a coisa: <em>Homens de Preto 3 </em>é um filme deliciosamente nerd e, ao mesmo tempo, divertido e acessível. É o melhor filme da temporada de blockbusters.</p>
<p><img src="http://thefilmstage.com/wp-content/uploads/2012/05/meninblack3a.jpg" alt="" /></p>
<p><em>K (em versão remoçada), Griffin e J: tudo é possível!</em></p>
<p>Entenda: como muitos nerds, frequentei a faculdade de engenharia, onde aproveitávamos a falta de moças e festas e atividades sociais para ficarmos discutindo assuntos comezinhos da vida, como viagens no tempo, discos do Dream Theater, teoria da relatividade e a mitologia de <em>Star Wars</em>. Tudo devidamente regado a cerveja vagabunda, claro. Qualquer coisa à toa gerava altos papos cabeça que se arrastavam para o folclórico Rei das Batidas, ou para o então desconhecido Bar do Sacha, na Vila Madalena. Lembro-me de uma conversa em que discutíamos, embasbacados, o final de <em>Homens de Preto</em> (o primeiro), em que o mundo, a galáxia, o universo iam sendo colocados em perspectiva, até descobrirmos que a coisa toda era um disco de hóquei num jogo de aliens. Era isso! Em questão de minutos, conversas sobre a impossibilidade da existência de Deus ou a teoria do caos estavam na mesa.</p>
<p>Já nestes tempos mais cínicos e práticos, nenhum dos filmes de heróis das últimas safras me reviveu tanto essa <em>vibe</em> dos tempos de faculdade como esse terceiro<em> Homens de Preto. </em>Simplesmente genial, ele dá um nó na cabeça de qualquer um ao levar o Agente J (Will Smith) numa viagem no tempo, em busca de salvar seu parceiro K (Tommy Lee Jones ou Josh Brolin, como sua versão jovem) da morte &#8211; e a humanidade de uma invasão alienígena. Isso acontece graças a Griffin (Michael Stuhlbarg, de <em>Um Homem Sério</em>), um alien que tem o dom de enxergar todas as variações e cenários do destino, com base nas mil possibilidades aleatórias de cada segundo. Quer dizer, ele vê o futuro &#8211; não como algo ingenuamente fatal e imutável (como acontece com a Jean Grey de <em>X-Men </em>ou com os jedis de George Lucas), mas como uma coleção de cenários possíveis, resultantes de um sistema de equações coalhadas de variáveis. Três dimensões não bastam. Lá pelas tantas, ele responde à indagação de um Will Smith indeciso quanto ao próximo movimento a fazer e suas consequências: &#8220;tudo é possível&#8221;. Filosofia para as massas. Mas só se você estiver a fim.</p>
<p>Outra pequena tirada genial é o primeiro neuralizador, então &#8220;de última geração&#8221; nos anos 60: uma geringonça enorme e barulhenta que se assemelha muito às nossas atuais máquinas de ressonância magnética &#8211; deixa para refletirmos um pouco sobre a precariedade iminente daquilo que consideramos hoje moderno.</p>
<p><img src="http://media.digitfreak.com/images/article/15001010/1502020120525/digitfreak/men-in-black-3/2.jpg" alt="" /></p>
<p>Olhando por um viés bem mais desinteressado, <em>Homens de Preto 3 </em>é tão divertido e visualmente impressionante quanto seus antecessores, com seus ETs bisonhos, gadgets criativos (eles sempre dão um jeito de inventar algo que nunca vimos antes, como o monociclo de roda gigante) e piadas com a cultura pop &#8211; desta feita, como vamos aos anos 60, topamos com uma turminha de aliens reunida em torno de Andy Warhol (um agente secreto que não aguenta mais festa estranha com gente esquisita), e sabemos que Mick Jagger é um alien que veio à Terra com a missão de copular loucamente com terráqueas &#8211; e engravidá-las.</p>
<p>É claro que os detalhes são ricos e caprichados, e a versão sessentista do escritório da Agência é cheio de mesas de madeira e máquinas de escrever, ao mesmo tempo em que alienígenas apresentam a aparência dos alienígenas de filmes dos anos 60 &#8211; um monstrengo verde pra cá, um Aqualung pra lá &#8211; e aí passa uma agente loira gostosíssima com a pinta da Jane Fonda em <em>Barbarella</em>. Referências pra todo lado.</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=IyaFEBI_L24">http://www.youtube.com/watch?v=IyaFEBI_L24</a></p>
<p><em>Veja o trailer de </em>Homens de Preto 3<em>!</em></p>
<p>E não dá para descrever o prazer que é a reconstituição, em gigantesco 3D, do lançamento da Apollo 11 no histórico dia 16 de julho de 1969 &#8211; dia em que, como todos devem saber, o agente K implantou o escudo magnético que protege o planeta de invasões desde então.</p>
<p><em>Homens de Preto 3</em> é o programa mais divertido em cartaz, o mais bem produzido, e também o mais inteligente. Se você já viu <em>Os Vingadores</em>, a sessão de <em>Homens de Preto 3 </em>lhe dará o efeito de uma piscada de neuralizador: você nem se lembrará mais de Capitão América, Hulk e cia.</p>
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		<title>Mulheres que não queremos esquecer: Marilyn Monroe</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Jun 2012 21:12:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ricardo Garrido</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres]]></category>
		<category><![CDATA[anos 50]]></category>
		<category><![CDATA[Billy Wilder]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[comédia]]></category>
		<category><![CDATA[Marylin Monroe]]></category>

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		<description><![CDATA[Falar de um ícone da cultura pop é sempre difícil. Todo mundo tem a impressão de saber tudo sobre Roberto Carlos, Paul McCartney ou James Dean. E quase ninguém consegue, no meio de todos os lugares-comuns, reconhecer as verdadeiras qualidades e toques de gênio que fizeram a fama dessa gente. Marilyn Monroe Com Marilyn Monroe, é a mesma coisa. Todo mundo pensa nela como a gostosa com o vestindo voando sobre o respiradouro do metrô; todos conhecem aquela foto da moça pelada, no pôster central da primeira edição da revista Playboy; seu caso com um Kennedy ou dois – com...  <span id="read-more" align="right"><a class="moretag" href="http://vip.abril.com.br/blogs/cinema/2012/06/01/mulheres-que-nao-queremos-esquecer-marilyn-monroe-2/"> leia mais » </a></span>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Falar de um ícone da cultura pop é sempre difícil. Todo mundo tem a impressão de saber tudo sobre Roberto Carlos, Paul McCartney ou James Dean. E quase ninguém consegue, no meio de todos os lugares-comuns, reconhecer as verdadeiras qualidades e toques de gênio que fizeram a fama dessa gente.</p>
<div>
<p><strong>Marilyn Monroe</strong></p>
<p>Com Marilyn Monroe, é a mesma coisa. Todo mundo pensa nela como a gostosa com o vestindo voando sobre o respiradouro do metrô; todos conhecem aquela foto da moça pelada, no pôster central da primeira edição da revista Playboy; seu caso com um Kennedy ou dois – com direito àquele “Happy Birthday, Mr. President” muito sexy – é parte da história; e é mais que conhecido o fim triste da estrela, entupida de calmantes, morta por ação própria ou por ação da CIA, quem sabe…</p>
<p><img src="http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/foto/0,,11714886-EX,00.jpg" alt="" width="535" height="335" /></p>
<div>… Mas pouca gente percebe que aquela loira maravilhosa, seios apontando gloriosamente para os olhos do espectador, era além de tudo uma grande atriz, cheia de timing cômico e dotada de um carisma único. Marilyn filmou com boa parte dos grandes diretores da era de ouro de Hollywood: John Huston, Laurence Olivier, George Cukor. Foi aluna do famoso Actors Studio, e ajudou a tornar popular o Método Strasberg (e contava com a supervisão pessoal da própria Sra. Strasberg durante muitas filmagens, mesmo em filmes de mestres como Elia Kazan). Acima de tudo, foi a preferida de Billy Wilder (provavelmente, o maior diretor da história do cinema), que a escalou em <em>O Pecado Mora ao Lado </em>(o filme da cena do vestido branco esvoaçante) e naquela que é considerada a melhor de todas as comédias:<em>Quanto Mais Quente Melhor!.</em></div>
<div></div>
<div><strong>Sugar Kane</strong></div>
<p><strong><img src="http://farm3.static.flickr.com/2428/3975849426_e75372cb00.jpg" alt="" width="466" height="500" /></strong></p>
<div>Há um bom número de razões para <em>Quanto Mais Quente Melhor!</em> ser considerada a melhor comédia de todos os tempos: em primeiro lugar, o texto irônico, gaiato, esperto e sacana de Billy Wilder. A trama maluca bota dois músicos de jazz fugindo da máfia, e então se travestindo de garotas, pra então integrar uma banda de jazz feminina -  e conhecendo Sugar Kane, a personagem de Marilyn, que entra em cena de maneira mágica, envolta em fumaça numa estação de trem.</div>
<div></div>
<div>Obviamente, os dois caras se apaixonam por ela – Tony Curtis, o galã, ganha os amores da loira e uma cena antológica em que o calor de Sugar embaça seus óculos; e Jack Lemmon, o cara engraçado, ganha um pretendente peludo, para quem suas pequenas idiossincrasias não serão obstáculo para um futuro lindo (afinal, como diz o cara na famosa frase final, “ninguém é perfeito!”).</div>
<p>&nbsp;</p>
<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=2OhdD5n405I">http://www.youtube.com/watch?v=2OhdD5n405I</a></p>
<p><em>Veja o trailer do sensacional </em>Quanto Mais Quente Melhor!</p>
<p>O filme é realmente perfeito, e tudo dá certo, mas o gancho para o público e a justificativa capaz de manter a farsa toda de pé (e isso fica claro no trailer acima) é mesmo a presença inebriante de Marilyn, cantando e tocando ukelele aqui, rebolando ali, desfilando em vestidos colados que devem ter inspirado uma “vestimenta” tão famosa quanto transparente da Britney Spears.</p>
<p><img src="http://1.bp.blogspot.com/-lfPx_Mtxl2g/TdKlAhcyRKI/AAAAAAAArNQ/zXEyfbFSQc4/s1600/tony+curtis+marilyn+monroe.jpg" alt="" width="468" height="423" /></p>
<p>Resumindo, Wilder sabe que saiu no lucro ao aturar a péssima mania da estrela de se atrasar e de  não decorar suas falas (em sua biografia <em>… E o Resto é Loucura</em>, Wilder afirma que, em determinada cena em que Sugar entraria no quarto e diria uma única fala – <em>“onde está o bourbon?”</em> -, tiveram que fazer inacreditáveis 65 tomadas! Um dia e meio foram gastos para filmar essa única frase). Perguntado sobre por que tinha escolhido Marilyn para Sugar, Wilder arrematou: “era o papel mais fraco, e o truque consistiu em ter de preenchê-lo com a atriz mais forte.”</p>
<p><strong>Norma Jean</strong></p>
<p>Poucos tiveram a sensibilidade e a oportunidade de conhecer a verdadeira Marilyn – a inteligente, insegura, curiosa e ambiciosa Marilyn. Uma mulher que seduziu e que teve como maridos o Pelé do baseball, Joe DiMaggio, e o escritor Arthur Miller. Que fez parte do círculo íntimo de amizades de Truman Capote, que a tinha como preferida para o papel de Holly Golightly na adaptação do seu livro <em>Breakfast at Tiffany’s </em>(<em>Bonequinha de Luxo</em>, que acabou estrelado por Audrey Hepburn). Uma mulher que, mesmo à distância, inspirou a dupla Elton John / Bernie Taupin no hino <em>Candle in the Wind </em>(no qual um jovem rapaz, na décima segunda fila de um cinema, lamenta a morte da atriz e se despede não de Marilyn, mas de Norma Jean – era esse seu nome de batismo).</p>
<p>Marilyn faria aniversário hoje, e BLOGIE presta sua homenagem àquela que é uma das maiores estrelas do cinema, e seguramente a mais sexy de todas. Duas frases, de duas pessoas bem diferentes, deixam clara a estranha química que emanava da loira:</p>
<p>“Quando a gente vê Marilyn na tela, deseja que tudo vá bem com ela, que seja feliz.” – Natalie Wood (outra mulher que não queremos esquecer)</p>
<p>“Ela era de carne, de uma carne que se deixa fotografar. Tinha-se a sensação de que era preciso apenas estender a mão para poder tocá-la.” – Billy Wilder</p>
<p>OK, ficamos com a frase de Wilder. E, principalmente, com a imagem que Wilder criou e deixou gravada na cabeça de todos nós.</p>
<p><img src="http://scottbrothers.files.wordpress.com/2010/02/marilynandbilly.jpg" alt="" width="362" height="567" /></p>
<p><em>Billy Wilder prepara Marilyn Monroe para a cena de </em>O Pecado Mora ao Lado<em>: imortais.</em></p>
</div>
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