/// Belas (e feras) no ringue amanhã

Esta é para quem vai passar o sábado em São Paulo (ou para quem quer um ótimo motivo para vir para São Paulo amanhã): a 16ª Copa Gibi Thai. Quem conhece muay thai sabe que Gibi dispensa apresentações. Moisés Batista, o Gibi, foi campeão do mundo quatro vezes no esporte – uma delas na Tailândia. Hoje mantém uma bem-sucedida equipe e duas academias de lutas em São Paulo. Nelas, organiza com regularidade torneios de muay thai, que servem de vitrine para muita gente.

Neste evento específico, duas amigas minhas vão lutar – duas amigas lindas, por sinal. Paula Dell Omo e Stefani Bacon treinam comigo na equipe Still/Fight Club. Paulinha vai para sua terceira luta (com duas vitórias). “Ela é muito técnica, muito forte e está melhorando a cada luta”, diz Ivam Batista, nosso professor. Eu já treinei algumas vezes com ela e posso afirmar: a menina é casca-grossa (e, fora do ringue, é uma graça, de uma delicadeza impecável!).

Stef, que trocou recentemente sua Espanha natal pelo Brasil, faz sua primeira luta. “Nunca havia pensado em lutar de verdade assim”, ela me confessou. Mas eu juro que eu já tinha pensado que ela lutaria. Stef, que já foi modelo e agora é estilista, é muito forte no boxe – eu que já apanhei algumas vezes dela em luvinhas que fizemos posso afirmar isso com propriedade. “A Stefani parte para cima”, concorda Ivam.

A pesagem é hoje, 29 de agosto, às 19h30 na academia Oficina (rua Martinho Prado, 61, Bela Vista). E a 16ª Copa Gibi Thai acontece amanhã, dia 30, a partir das 15h, na unidade da academia da avenida Brigadeiro Luís Antônio, 1786. O card completo é este:

 

1- Felipe Melo         VS Bruno

(GT)         53 KG         (Cícero Mogi)

2- Pedro Barros       VS David

(GT/Pamplona)    65 KG        (Puro Impacto)

3- Felipe               VS Diego

(GT/Gilvan)    70 KG        (Terrier)

4- Cyrus                VS Rubens

(GT)                73 KG      (Mestre André)

5- Paula                VS Carol

(Still)              55 KG         (Puro Impacto)

6- Lukinha              VS Kauê

(Terrier)          58 KG          (Squadrão Thai)

7- João Carlos           VS Cristiano

(GT)                   68 KG       (Cícero Mogi)

 
8-       Evelin               VS Stefani

(Terrier)             55 KG          (Still)

9-     Jeferson           VS Paulo Almeida

(GT/Pamplona)  71 KG     (Puro Impacto)

10-   Nicomes            VS Fábio

(GT/Gilmar)      83 KG           (Lourenço Team)

11-  Anderson           VS Diego Peixe Cru

(Combat Sport)   75 KG     (Mestre André)

12- Jozias               VS Bernardo

(GT/Acquaroni)   91 KG       (Furacão)

 

 


/// Você lutaria com o Anderson Silva?

Anderson e Erick no octógono, em foto roubada do Facebook do último. :P

Este cara já fez isso muitas vezes. Guarde o nome: Erick Silva. Ele é o capixaba que venceu o Jungle Fight, um dos principais eventos de MMA do país, ano passado e estreia no UFC bem em sua edição brasileira, no Rio de Janeiro em 27 de agosto. E que era sparring de Anderson Silva – ou seja, era o sujeito que sobe no octógono para fazer luva (como é chamada a luta-treino) que os atletas fazem quase diariamente.

Erick, que está com 26 anos, começou a treinar jiu-jítsu aos 15. “Não pensava em lutar profissionalmente”, conta. “Comecei a treinar para ter um esporte mesmo.” Quando era faixa roxa, foi lutar em um evento de MMA, sem nunca ter dado um soco na vida. Venceu a luta, mas viu que precisava treinar em pé. Começou a praticar muay thai e boxe. A inspiração de Erick sempre foi Minotauro.

E não é que Minotauro foi parar na vida do capixaba? O agente do lendário lutador viu Erick lutar no Espírito Santo e o levou para um teste na equipe Team Nogueira. Erick causou boa impressão, mas só ia para o Rio de Janeiro treinar com o ídolo antes de suas lutas pelo Jungle Fight. Ano passado, Dana White, o todo-poderoso do UFC, disse a Wallid Ismail, empresário de Erick e organizador do Jungle Fight, que os vencedores do evento brasileiro teriam uma chance no Ultimate. “Eu queria ganhar para ser chamado para estrear no maior evento do mundo”, conta Erick. Dito e feito: ganhou, foi chamado e vai estrear agora na categoria meio médio, contra o americano Mike Swick – a que tem o monstro Georges St-Pierre como detentor do cinturão.

Erick Silva, na foto de seu perfil do Facebook (que eu acredito que tenha sido feita pela ótima revista Tatame)

Erick intensificou o treinamento quando seu nome foi anunciado para o UFC Rio. Mudou-se para a capital fluminense e começou a treinar para valer no Team Nogueira. Lá, virou sparring de Anderson – além de amigo do campeão mundial dos pesos médios. “A gente sempre batia papo depois dos treinos”, diz o lutador, que conta ter aprendido muito treinando com os astros do MMA. “Sou bastante observador e assim como eu tem vários na academia que têm eles como ídolos. Uma coisa muito legal nos doios é que eles são muito centrados no treino. E treinam muito. Tento absorver isso para mim.”

Erick conta que não está ansioso para a estreia. “Eu estou mais preocupado com o treino do dia seguinte, porque eles estão cada dia mais pesados”, diz. “O [Josuel] Distak e o [Rogério] Camões [treinadores da X-Gym, parceira do Team Nogueira] estão pegando muito pesado para eu chegar no dia 27 pronto. Por isso, estou tranquilo em relação à luta. Treino de tudo, e na luta vai ser muita porrada para lá e para cá.” Sobre a luta dos ídolos (Anderson Silva x Yushin Okami e Rodrigo Minotauro x Brandon Schaub), Erick arrisca um palpite: “Sou suspeito em dizer, mas Anderson e Minotauro estão voando. Certeza que trazem a vitória para o Brasil.”

 


/// Diretor quer que José Aldo faça uma ponta em filme sobre sua vida

José Aldo enfrenta Urijah Faber no WEC 48. O evento foi comprado pelo UFC

No esporte, seja ele qual for, tem muita história bacana de gente que tinha tudo para ter uma vida danada e, graças a um talento nato, vira o jogo. E cinema vive de boas histórias (ou pelo menos deveria). A distribuidora Paris Filmes então procurou Afonso Poyart, diretor da produtora paulistana Black Maria, com uma encomenda: um bom filme sobre uma boa história de MMA (provavelmente ligada no excelente momento que a luta vive no Brasil). “Eles me pediram: ‘Faz um projeto de filme de MMA que nós temos interesse’”, conta o diretor. “Mas eu não queria um projeto só sobre luta. Comecei a pesquisar a vida de alguns lutadores, procurei outros. Queria algo underground, alguém que tivesse vindo de uma situação adversa e vencido. Foi aí que cheguei no José Aldo.”

José Aldo Junior, o manauara dono do cinturão dos pesos-penas do UFC, é filho de um pedreiro (chegou a ser auxiliar do pai), que trabalhava muito, mas tinha problemas com álcool e batia na mãe quando chegava bêbado em casa – o que a levou a abandonar a família. Aldo começou jogando capoeira, partiu para o jiu-jítsu e resolveu sair de Manaus para ganhar dinheiro com a luta no Rio de Janeiro. Lá, enfrentou perrengues, claro: sem grana alguma, andou 5 quilômetros a pé do aeroporto até a academia, onde passou a morar, dormindo no tatame. Nos treinos, conheceu Viviane, que lutava jiu-jítsu e que virou sua namorada – depois esposa. Ela era de uma família abastada. Ele só podia morar em uma comunidade pobre do Rio. Ela o acompanhou. Aldo começou a se dar bem na luta. (Parêntese para uma história interessante que Rodrigo Minotauro Nogueira me contou uma vez: ele queria casar uma luta para José Aldo em um evento de MMA que promovia no Rio. Abriu uma exceção para o manauara: pagou adiantada a bolsa dele, de R$ 1 mil, porque o atleta estava na pindaíba. E, no fim, não conseguiu casar nenhuma luta, todos os possíveis adversários não toparam. “Ele me deve uma luta até hoje. Rendeu mais que a bolsa de valores”, brincou Mintoauro.) O resto é história.

História pela qual Poyart se apaixonou. “O roteiro do filme está em desenvolvimento, mas a sinopse já está pronta. A vida dele não foi fácil, mas não quero usar clichês”, conta o diretor, que pretende colocar Jonathan Haagensen no papel de Aldo. “O ator se empolgou com o projeto, mas ainda estamos fechando o elenco com a Paris Filmes.” O filme será rodado no primeiro semestre de 2012 e deve ser lançado no fim do ano. “Vamos filmar quase tudo aqui, mas também pensamos em fazer cenas nos Estados Unidos e no Canadá”, diz o diretor. “O filme é uma produção 100% nacional, falado em português, mas Aldo é um ídolo lá fora. Por isso acho que o longa tem potencial para uma bela carreira no exterior.”

Afonso Poyart diz que gostaria muito que José Aldo fizesse uma ponta no filme sobre sua vida. “Estou pensando em como seria isso. Não queria que ele interpretasse um personagem qualquer, um lutador”, conta. “Queria que ele fizesse ele mesmo. Penso em algo como o filme 127 Horas, em que o próprio Aron Ralston participa da sua ficção.” No longa em questão, o montanhista que teve que amputar o próprio braço aparece na cena final, sentado em um sofá ao lado da família.

 


/// Polêmicas de Chael Sonnen aumentam audiência do UFC, diz locutor do evento

Você pode não saber quem é Bruce Buffer. Mas você provavelmente já ouviu sua voz. Locutor oficial dos eventos do UFC – ele anunciou quase todas as lutas desde o UFC 8 e é presença garantida no UFC Rio –, Bruce ficou conhecido pelo empolgadíssimo bordão: “It’s time…!” (leia isso puxando muito o “i” inicial e aumentando seu tom de voz. Não conseguiu? Aprenda aqui: http://abr.io/1EEO). A luta sempre esteve presente na vida desse sujeito simpático e divertido: seu avô, Johnny Buff, foi boxeador e o meio-irmão, Michael Buffer, é um famoso locutor de boxe e wrestling. Bruce também luta judô, caratê, kempo, taekwondo e kickboxe. Nesta entrevista (que ele encerra com um “brigado!”, assim, em português informal, sem o “o” inicial), ele conta como cuida da voz, os nomes mais difíceis de pronunciar no octógono, seus lutadores preferidos e sobre Chael Sonnen. (Aos desavisados, um parêntese: ele é o lutador americano falastrão que anda provocando ódio nos brasileiros ao tuitar coisas como “no Brasil, cocaína é lanche” e “não sabia que havia computadores no Brasil”. Isso sem contar o tanto que ele já ofendeu os lutadores brasileiros como Anderson Silva, Lyoto Machida e Rodrigo Minotauro.) Abaixo, os principais pontos da entrevista:

O homem do bordão: "It's time!"

Alguma vez você pensou que fosse ganhar dinheiro usando sua voz?

No passado eu fazia discursos motivacionais para grupos grandes de pessoas e ensinava sobre saúde e nutrição além de marketing para vendedores e empresas. E eu sempre fui acostumado a estar no palco na frente de pessoas, mas queria entrar no mundo da luta e me apresentar em arenas ou eventualmente trabalhar meu caminho em filmes e televisão – o que é exatamente o que estou fazendo agora e mais ainda. É uma jornada maravilhosa e divertida da qual eu me orgulho muito. E nunca perdi minha paixão pelo trabalho, especialmente no octógono do UFC.

O que você acha sobre sua voz?

Eu gosto dela e tenho trabalhado muito em sua maturação e em ser melhor no que eu faço durante esses anos todos. A única vez que eu treino é quando estou no octógono na noite do evento, fora isso nunca pratico ou ensaio. Eu gosto de entrar frio e me aquecer com a energia do evento e com o excitamento dos fãs. Para mim, não é o que eu falo, e sim como eu falo aquilo.

As pessoas o reconhecem pela sua voz, mesmo sem ver seu rosto? Sei lá, gente que está no corredor do supermercado e ouve sua voz do outro lado vai lá conferir se é você?

Sim, isso acontece muito, especialmente nos últimos quatro anos.

E você fica usando em sua vida cotidiana a expressão “It’s time… [Chegou a hora...] da janta”, por exemplo, só para fazer graça?

Sim, tenho esses momentos, claro! A vida é para ser vivida, não evitada!

O que você faz para cuidar da sua voz?

O importante é não fazer nada para danificar sua garganta. Eu sempre tenho um copo de mel puro perto de mim nos shows. E quando eu fico em um hotel bacana com spa, pegar uma sauna na manhã do show sempre ajuda. Além disso, tenho alimentação saudável, descanso bastante e me divirto fazendo o que eu faço.

O UFC é hoje um evento bilionário. Como você o vê no futuro?

Vai ficar cada vez maior. UFC é como uma locomotiva subindo uma colina sem fim à vista, com Dana White como maquinista e os irmãos Fertitta e eu sentados na primeira classe aproveitando a viagem. E fazendo tudo o que posso para ajudar a deixar mais todo o possível para ajudar a tornar mais bem-sucedido o processo de ser parte do Time UFC.

Você vem para o Brasil para o UFC Rio. Já aprendeu alguma palavra em português?

Eu já estive no Brasil três vezes nos últimos anos e sempre fico muito feliz, porque eu adoro o Brasil e as pessoas que conheço aí. Eu tenho muitos amigos brasileiros e o Rio é uma das cidades mais incríveis do mundo. Eu sempre gosto de mostrar respeito quando estou em um outro país e planejo empolgar os fãs brasileiros e mostrar todo meu carinho falando algumas palavras em português durante a apresentação do evento. UFC 134 vai ser um evento histórico!

Falando em Brasil, o que você acha do Chael Sonnen falar todas aquelas coisas sobre o país e os lutadores brasileiros?

Difícil comentar um fato que eu pessoalmente nunca faria. Chael é um sujeito singular e eu acho que ele gosta de criar controvérsia e que seu senso de humor é bem diferente do da maioria. O que ele disse certamente vai deixar muitos brasileiros com vontade de vê-lo ser derrotado e isso só aumenta a audiência e a empolgação do evento, porque as pessoas querem vê-lo perder ou vê-lo ganhar.

Como você sabe a forma certa de pronunciar os nomes dos lutadores de outros países?

Joe Silva, que é o responsável por casar as lutas do UFC, e eu sempre dizemos os nomes antes dos eventos. Se eu tiver alguma dúvida, falo direto com o lutador.

Acha difícil o nome de algum brasileiro?

Eu adoro anunciar nomes dos lutadores brasileiros e, pelo que me lembre, nunca tive dificuldade com nenhum em especial.

Qual é o lutador mais difícil de anunciar?

Nomes como Jon Fitch têm só uma sílaba e às vezes é difícil, especialmente quando eles não têm apelido. Mas eu sempre acho um jeito de dar uma espécie de rugido e fazer soar bacana.

E qual o que você mais gosta?

O meu favorito para anunciar tanto por tudo o que ele significou quanto pelos “acompanhamentos” é Randy Couture, para o qual eu faço o “Buffer Bow” [Saudação Buffer] quando anuncio o nome, já que ele é realeza.

Quem são seus lutadores favoritos?

Tenho vários, como os campeões Anderson Silva, Georges St-Pierre, José Aldo e Frankie Edgar, mais as lendas como Couture, Chuck Liddell, Tito Ortiz e outros como Clay Guida, Junior dos Santos, Lyoto Machida, para nomear apenas alguns. Fiquei amigo de muitos lutadores e fã de vários. É isso que ajuda a alimentar minha paixão pelo que faço no octógono e para representar o UFC. Eu sinto que somos parte do maior esporte do mundo e eles são todos meus heróis por colocarem seu sangue, suor e lágrimas no octógono em noites de luta. Por isso, e por eles serem os guerreiros que são, meu respeito por eles vai durar para sempre.

 


/// Feira de luta prova crescimento das artes marciais no país

A tradicional feira de esportes Rio Sports Show ganha este ano, pela primeira vez, um pavilhão inteiro dedicado aos esportes de combate. O evento acontece entre 14 e 16 de julho, no Píer Mauá, na zona portuária do Rio de Janeiro. A organização aposta que o Fight Pavilion vai ser uma das áreas de maior visitação da feira. Além daquelas coisas tradicionais de feiras (stands, exposição de artigos, apresentação de produtos novos e tal), o pavilhão das lutas vai contar com um octógono, onde, claro, lutas de MMA estão marcadas.

Alguns dos maiores nomes do esporte já confirmaram presença no evento. Júnior Cigano dos Santos, por exemplo, que disputa em novembro o cinturão dos pesos-pesados do UFC, aparece por lá no dia 14, no stand da Marc4, licenciada oficial do UFC – Demian Maia marca presença no dia 15. E dividem espaço no stand da Pretorian os atletas patrocinados da marca, como José Aldo, Rodrigo Minotauro e seu irmão Rogério Minotouro, Murilo Bustamante, Thiago Tavares, Charles do Bronx’s, Rousimar Toquinho e Fabio Maldonado, entre outros.

Os organizadores esperam um aumento de 30% na visitação da Rio Sports Show em relação a 2010 (a expectativa é que 40 mil pessoas passem por lá) e que R$ 18 milhões em negócios sejam gerados.

Mais informações: www.riosportshow.com.br

 


/// Lutadores do UFC param a Oscar Freire

(ou “A noite  em que eu não entrevistei ninguém”)

A rua Oscar Freire, um dos dez endereços de compra mais exclusivos do mundo, já tinha visto de quase tudo. Peruas com roupas caríssimas, ricaços de carrões blindados, artistas brasileiros e estrangeiros. Mas na terça-feira à noite certamente o cenário foi inusitado. Homens fortões, quase todos vestindo camisas pretas, chegavam aos montes no número 228. Eram lutadores do UFC, como José Aldo Júnior (detentor do cinturão dos pesos-penas), Junior Cigano dos Santos (próximo desafiante do cinturão dos pesos-pesados), os irmãos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro Nogueira, Murilo Bustamante, Thiago Tavares, Charles do Bronx e vários outros.

Estavam todos na inauguração da loja da Pretorian, a maior marca de luta do Brasil e patrocinadora de 12 atletas do Ultimate Fighting Championship. O tumulto por causa dos atletas era tamanho  que o trânsito estava parado oito quarteirões antes da loja. O prédio de quatro andares tem mil metros quadrados no total. No primeiro, funciona a loja propriamente dita, que vai vender roupas, produtos para luta, motos e carros customizados. A Pretorian também lança uma nova marca, a PTRN, com produtos mais finos – exatamente como o novo endereço.

O terceiro e o quarto andares são onde ficam o pessoal do administrativo, o diretor de marketing e criação Alexandre Bucci e o presidente Ruy Drever. Mas o mais bacana mesmo é o segundo andar, onde foram colocados um ringue e um octógono. Uma academia particular, toda envidraçada, em plena Oscar Freire, apenas para os donos da Pretorian, seus atletas e seus amigos. Gente como os irmãos Diniz, herdeiros do grupo Pão de Açúcar, e os atores Bruno Gagliasso (que estava ontem por lá), Malvino Salvador e Wagner Moura já disseram que querem usar aquele espaço. (Ruy Drever me prometeu que eu também posso.) Na inauguração da loja, aconteceram duas lutas de muay thai (meu professor Ivam Batista foi o árbitro delas) e uma de MMA.

O evento estava tão cheio, mas tão cheio que mal dava para se locomover. Além dos lutadores, do Bruno e de empresários do esporte (como Wallid Ismail, mentor do Jungle Fight), espremiam-se na inauguração um monte de gente da imprensa. Alguns mais famosos, como Sabrina Sato e César Polvilho, do Pânico, e Paula Sack, ex-canal Combate, atual UFC. Outros, gente como eu. Com uma diferença: eles trabalharam. Eu não: decidi só papear, sem anotar nada. E tive ótimos papos. Ciceroneada por duas pessoas incríveis, o niteroiense Fernando Flores (assessor de, entre outras pessoas e empresas, Minotauro e José Aldo) e a repórter Paula Sack, fiquei flanando pelos lugares mais VIPs da festa e conversando com todos os lutadores – tudo sem o bloquinho na mão e sem gravador. Reproduzo aqui alguns dos melhores momentos:

Os atletas patrocinados pela marca com o ex-boxeador Popó (últ. à dir.), o diretor de marketing e criação Alexandre Bucci (ajoelhado, no meio) e o CEO Ruy Drever (de branco, ao lado)

  • Cheguei à festa junto com José Aldo. Ele não conseguia entrar na loja, tamanho o assédio na porta. Carregava seu cinturão, e eu pedi para segurar. Queria ver se é pesado. É, mas não muito – tem o mesmo peso de uma réplica do cinturão que é vendida ao público pelo site do UFC.
  • Thiago Tavares, maior lutador de MMA de Santa Catarina e contratado pelo UFC, é um tuiteiro fanático (@TavaresMMA). Não estava conseguindo sinal dentro da loja e começou a ficar um pouco desesperado. Saiu algumas vezes para poder postar seus comentários, quase um minuto a minuto da festa.
  • Murilo Bustamante disse que vai lutar no evento Clube da Luta, em 20 de julho, no Rio de Janeiro, e que, por isso, está sem praticar seu segundo esporte favorito até lá: o surfe. “Concentração total antes da luta”, contou.
  • Paula Sack vai ter uma coluna na nova revista UFC, a revista oficial do evento, que será lançada em agosto. “Vou falar dos bastidores do UFC, que eu conheço muito bem e há tanto tempo”, disse. Ela contou que tem tanta história que já pensou na estrutura das colunas para cinco edições. “E o que tem de casos que sobraram…”
  • Charles do Bronx franziu a testa quando me apresentei e disse que já havia falado com ele por telefone. “Já, é?”. “Já, claro!”, disse a namorada, cutucando o braço dele. E me explicou: “Eu que agendo as entrevistas dele, ele nunca se lembra.”
  • Cigano disse ainda está fazendo fisioterapia na mão por causa de sua última luta, contra Shane Carwin (ele desfigurou o oponente), e que ela desinchou um pouco. “Ele me deu umas unhadas”, disse o lutador. Ele também comentou sobre as vitórias no boxe no fim de semana dos irmãos ucranianos Wladimir e Vitali Klitschko. “O Wladimir unificou três dos quatro cinturões do boxe.” O catarinense ainda se divertiu fazendo fotos com Montanha Silva, ex-lutador do K-1.
  • Aliás, mesmo com tanta estrela do UFC, uma das grandes atrações da noite foi o ex-lutador Montanha Silva. Com 2,20m e 164 quilos, ele fez fotos ao lado de quase todo mundo. Popó, ex-boxeador e atual deputado federal, pediu para fazer uma foto de sua mão fechada (como um soco) ao lado da mão de Montanha – ele batia na cintura do cara. E Cigano também quis uma foto ao lado do gigante. “Nossa, pareço uma criança ao lado dele”, disse o atleta.

    Foto que eu fiz no celular da Paula Sack, que gentilmente me cedeu: Popó, Montanha, Paulinha e Cigano

  • Uma das duas lutas de muay thai, no ringue no segundo andar da loja. Além delas, houve uma de MMA no octógono

 

Ruy Drever, o CEO da Pretorian, me envia o vídeo produzido por eles com o coquetel de inauguração:

http://www.youtube.com/watch?v=z-uR8mEfb5g

Atualização: 28 de julho de 2001

 


/// “Tenho orgulho do UFC, mas não vejo mais”, diz Rorion Gracie, pai do evento

Rorion Gracie: "Nunca concordei com as regras do UFC"

Foi ele quem criou o UFC. Isso lá nos idos de 1993, quando o jiu-jítsu era uma luta apenas (e mesmo assim não muito) conhecida no Brasil. A ideia de Rorion, filho do lendário Hélio Gracie, era provar que a arte marcial que praticava desde criança era a mais eficiente de todas. Rorion não só criou o evento de luta que mais cresce na atualidade como também mostrou ao mundo o que era aquela tal luta de sua família – a hoje internacionalmente reconhecida Brazilian jiu-jítsu.

Rorion me atendeu por telefone. Ele mora em Torrance, na Califórnia, onde funciona uma das academias da família Gracie. Ficamos mais de uma hora conversando. Ele contou que a aventura começou em sua primeira viagem para os Estados Unidos, em 1969, quando ainda fazia faculdade. Rorion foi roubado no próprio hotel, levaram até sua passagem de volta para o Brasil. Mentiu para o pai, para não preocupá-lo, que ia ficar mais tempo por lá porque tinha “amado a América”. Para ganhar dinheiro, foi trabalhar em uma lanchonete. “Não tinha um tostão e não podia pedir para meu pai”, conta. “Até dinheiro na rua eu pedi.”

Rorion passou um ano lá e, mesmo com esses perrengues, amou os States. Ficou dois anos juntando grana no Brasil e voltou para os EUA em 1972. Passou mais quatro meses, veio fazer faculdade de Direito e, formado, em 1978, arrumou as malas para ir de vez à Califórnia. “Ninguém tinha ouvido falar de jiu-jítsu lá. Voltei então decidido a mostrar para eles, e para o mundo, o que era a arte marcial da minha família.” Veja aqui os principais pontos de nosso bate-papo:

Sobre o emprego como faxineiro

“Quis arrumar um emprego e disse que faria qualquer negócio. A mãe de um amigo me indicou para fazer faxina na casa de umas madames. Até que fui parar na casa de um homem que era assistente de direção do seriado Starsky e Hutch, um seriado policial. Comecei a fazer umas pontas de figurante em vários seriados de televisão, como Casal 20.”

Sobre a divulgação do jiu-jítsu

“Ao mesmo tempo, ficava divulgando a luta. Até coloquei um tatame na minha casa e todo mundo que eu conhecia mandava lá para fazer uma aula. Se levasse um amigo, ganhava outra aula. Os americanos amavam. Começou a criar o maior bochicho. A aula era muito prática: mostrava que, montado na pessoa, a que está embaixo não tem alavanca nem ângulo para bater em mim. E eu vencia de maneira muito clara. Quer dizer, não era eu quem vencia, era o jiu-jítsu.”

Sobre o jiu-jítsu

“Sempre foi uma arte marcial de defesa pessoal. Para a família Gracie, não dá para aprender luta se a situação for limitada com, por exemplo, juiz, regra ou tempo. O jiu-jítsu é a luta mais humana que existe, a forma mais humana de controlar uma situação. Ele não desfigura ninguém, não tem soco na cara. Se eu apertar um pouquinho o pescoço do sujeito, ele, se for esperto, desiste da luta antes de ser estrangulado. O jiu-jítsu humaniza o praticante e não provoca a briga.”

Royce, irmão de Rorion, no UFC 1 - The Beggining: ele venceu três das quatro primeiras edições

Sobre o UFC

“Como o negócio no meu tatame só crescia, resolvi criar um evento para mostrar a eficiência do jiu-jítsu. Foi assim que pensei em fazer o Ultimate Fight Championship. Era um evento em que não havia regras, juiz, nada disso – como os criadores do jiu-jítsu pregavam. Um estilo contra o outro, para mostrar qual era o melhor. Para bancar a primeira edição, consegui dinheiro com meus alunos. Escolhemos Denver, no Colorado, porque era um dos seis estados americanos que permitia lutas sem luva. Foi um sucesso estrondoso.”

Sobre o desânimo com o UFC

“Depois de cinco edições, resolvi sair do UFC. Começaram a haver mudanças e instituições de regras, e eu não concordava com elas. Ele tinha virado um show de entretenimento. E eu queria que fosse um evento com finalidade educacional. Quando vi que ele tinha se tornado algo puramente financeiro, resolvi sair. Estaria me prostituindo se continuasse nele. Dinheiro sempre foi consequência, nunca a razão do meu trabalho. Não assisto mais ao UFC desde então. Nem quando tem luta de um Gracie. E, por isso, não vou assistir ao UFC Rio.”

Sobre o UFC hoje

“Hoje, não se pode dizer que o campeão do UFC é o melhor lutador do mundo. Ele apenas aprende a usar as regras da competição. Bateu o gongo, ele tem que parar. Isso não é luta de verdade. Mesmo assim, estou orgulhoso do sucesso do evento. Sou o pai da criança. É meu filho e está crescendo, mesmo que longe de mim. Isso é motivo de orgulho.”

Sobre o método Gracie

“Há 12 anos, o Gracie Combatives, método baseado nos ensinamentos da minha família, é um programa oficial do Exército americano e do FBI. Eu criei a pedido do Exército esse programa. Também temos na Gracie Academy um projeto para ensinar os pais de crianças que sofrem bullying. O mundo inteiro já conhece o jiu-jítsu. Minha meta agora é ensinar a dieta Gracie para o mundo – especialmente para os americanos, que são um povo que come muito mal. Estamos usando e aperfeiçoando essa dieta há 65 anos. Tudo isso pode ser encontrado no site gracieacademy.com. Tem tudo em português.”


/// O clube da luta VIP

Na VIP, a gente ama luta – meu chefe, por exemplo, é faixa preta de caratê. Percebendo o enorme interesse que o assunto desperta, e vendo que poucos veículos não-especializados davam espaço para as artes marciais, já há algum tempo começamos a fazer matérias sobre o tema.

Apurando uma delas, há um ano e meio, entrevistei o professor Ivam Batista, da equipe Still de São Paulo, e me apaixonei pelo muay thai. Comecei a treinar com ele (e levo a sério: treino pelo menos três vezes por semana, uma hora e meia por dia – hoje já sou faixa vermelha, rumo à ponta azul). Treinando e fazendo matérias, acabei conhecendo um monte de gente do meio do muay thai e de outras lutas, especialmente MMA. Gente muito bacana, que sempre me atendeu de braços abertos. Gente que me contava um monte de coisa superlegal que está acontecendo no meio das artes marciais e que eu, por trabalhar em uma revista mensal, não tinha espaço para contar.

Nasceu daí a ideia de fazer este blog. Aqui, vou dividir notícias, curiosidades, bastidores, bate-papos que tenho com atletas e gente do meio. Espero que vocês curtam – e que me ajudem a abastecer aqui, mandando informações, dicas, sugestões e críticas.

Para meu primeiro post (este não vale, é só uma apresentação), fiz duas exigências para mim mesma: que fosse uma notícia exclusiva e com uma pessoa bacana. E já que o UFC Rio está voltando para o Brasil, resolvi falar com o pai do evento, Rorion Gracie. Logo, logo eu publico aqui a entrevista que ele me deu.

Um beijo.