/// Anderson Silva, o retorno

Otimista, animado e brincalhão. Assim estava Anderson Silva na coletiva de imprensa que deu hoje à tarde, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, para falar de sua volta ao octógono, no UFC 183 (em 31 de janeiro do ano que vem), contra o bad boy americano Nick Diaz. Não conseguiu ver? Clique abaixo na tela para assisti-la (tem uma hora de duração). Ou, se preferir, confira os highlights.

Sobre as lutas com Weidman
“No começo foi um drama, mas agora não mais, acontece. É como um dia de trabalho comum. Você tem seu dia de trabalho e ele não foi bom. Nas minhas duas últimas lutas, foi isso que aconteceu. E também tem um pouco de cansaço mental. Mas estou com meus treinadores, minha equipe não mudou absolutamentenada, a gente só trouxe pessoas com mais experiência pra ajudar que eu supere isso tudo que aconteceu. Estou renovando uma fase daminha vida que passou. Foi bom como experiência e eu acredito que não vá atrapalhar em nada.”

Sobre o momento que mais o marcou pós-luta
“Foi quando cheguei em casa. Não podia pegar avião por conta da pressão na perna [quebrada]. Quando desci do ônibus que o UFC disponibilizou para eu voltar pra casa, meus filhos estava me esperando. O menorzinho, o Joãozinho, disse: ‘Pai, tá tudo bem, tá tudo bem, a gente te ama’. Foi o momento mais marcante porque eu nunca imaginei na minha vida que ia chegar em casa com a perna quebrada e ver minha família naquela situação.

Sobre a carreira de ator
“Estou trabalhando isso, porque é uma coisa que eu sempre quis fazer desde garoto. Eu sempre achei que era o Homem Aranha. realmente eu tinha problemas, né? Minhas brincadeiras sempre foram de imitar as pessoas — inclusive já tomei várias broncas de imitar o Rogerião [Camões, preparador físico e líder da equipe X-Gym] na academia. Essa coisa de ser ator sempre esteve junto de mim. Eu gosto disso e estou buscando isso, estudando, correndo atrás. Já estou filmando alguns filmes em Los Angeles. Estou tendo oportunidade e quero fazer isso tão bem quanto fiz dentro da luta e faço ainda.

Sobre a perna pós-cirurgia
“A perna tá legal. Até o Dr. Tannure [Marcio, médico e diretor da Confederação Atlética Brasileira de MMA] diz pra mim: ‘Cara, pode chutar, você não vai ter problema com essa perna, essa perna não quebra mais’. Aí eu brinco e digo que, na dúvida, vou chutar da cintura pra cima, pra não ter problemas. Mas acho que não vou levar nenhuma vantagem, não [pelo fato de a perna estar cheia de parafuso].  Vou ter que continuar treinando, como sempre fiz, focado. E agora com menos pressão. Não tenho mais a pressão de ter ficado sete, oito anos vencendo e ter que continuar fazendo aquilo porque eu me sentia pressionado. Não existe mais isso.”

Sobre a luta com Nick Diaz
Acredito que vai ser uma luta boa, porque ele vai estar na mesma condição que a minha, ficou um tempo sem lutar. Ele é especialista em jiu-jítsu também, tem um ótimo jiu-jítsu, luta bem em pé, é um cara que troca bem. E eu vou treinar para fazer uma luta bonita para meus fãs e espero fazer uma volta boa e que a gente consiga ter a vitória.”

Sobre querer o cinturão
“Na minha equipe, temos Jacaré. Na equipé da Black House, o Lyoto [Machida], o Kalil, um novo atleta que está chegando e tem todas as armas para disputar o cinturão. Eu passei dessa fase e tenho que respeitar isso. Jacaré está se destacando e trabalhando para disputar o cinturão. Então não tenho essa pretensão de disputar o cinturão agora. Acho que tenho que me credenciar novamente para que possa ter essa oportunidade de novo. Para deixar isso bem claro: a gente tem o Jacaré e outros ateltas do time que estão se destacando, estão se credenciando para lutar pelo título. Nada mais justo do que eu, que já passei por tudo isso e já passei pela experiência de ter o título, dar essa oportunidade e deixar as pessoas que querem fazer isso com propriedade. Nada mais justo do que deixar o Jacaré fazer isso.”

Sobre a terceira luta com Chris Weidman
“Nunca falei dos meus adversários, nem de quem gostaria de enfrentar. Aprendi na minha academia que você se credencia a chegar onde deseja, mas nunca desafia ninguém. Acho que, como atleta do UFC, as coisas vão acontecer. Se me credenciar de novo para lutar contra ele, vou lutar. Com quem eu não lutaria? Não lutaria é com o Jacaré, que é meu amigo, meu irmão, desde quando ele entrou na academia sei o quanto trabalha e quer isso. Ele quer muito e se credenciou pra isso. Se tiver que lutar com Weidman vou lutar, luta é luta. Mas não gosto de ficar falando vou lutar com esse, desafiando esse ou aquele.”

Sobre o contrato com o UFC
“Pretendo fazer todas as minhas sete lutas [previstas em contrato] e Dana [White, presidente do UFC] já falou que, antes das sete, para eu não fugir, a gente refaz o contrato de novo.”

Sobre Vitor Belfort x Chris Weidman
“Minha opinião sobre o Vitor é a seguinte: de todos da categoria até 84kg, Vitor é o atleta mais completo. É mais explosivo, tem o melhor boxe, tem um bom jiu-jítsu e um bom wrestling. Weidman é novo, não é da minha geração, não é da geração do Vitor, e está com todo o gás. Vai ser uma luta que todos vão querer ver. Com minha energia toda vou torcer para que o Vitor vença, óbvio. Sempre digo que quando o título estava comigo, ele não era meu, ele era nosso. Estando no Brasil, está tudo certo. Quando tem uma disputa de cinturão e dois brasileiros lutando por ele, é porque somos muito bons no que fazemos. Vou torcer para o Vitor sem demagogia, sem nada.”

 


/// Anderson quer lutar boxe antes de voltar para o MMA

Anderson face to faceAgora à tarde, das 17h às 17h45, Anderson Silva fez um chat com seus fãs pelo Facebook. No momento em que o chamado Face to Face terminou, 15.193 pessoas haviam curtido o bate-papo. Anderson respondeu 31 das 7221 perguntas (grande parte era só comentário ou votos de melhoras) que recebeu (até o fechamento deste texto). Foi o primeiro contato mais direto com os fãs desde o fatídico 28 de dezembro, quando quebrou dois ossos da perna na luta contra Chris Weidman pelo UFC 168. Anderson falou nesse papo, entre outras coisas, que pretende fazer uma luta de boxe contra Roy Jones Jr. antes mesmo de voltar ao octógono. Aqui seguem algumas de suas declarações:

Sobre a motivação para continuar lutando
“É 100% a paixão pelo que faço. Não consigo me ver fazendo outra coisa, ao menos por enquanto. Não apenas lutar, e sim treinar. Sou feliz em acordar todo dia vendo que sou perfeito, que posso correr, treinar. Essa situação tem servido para que eu mesmo valorize esses momentos especiais e simples.”

Sobre estar fazendo outros trabalhos para desestressar

“Eu estou fazendo aulas de atuação! Estou treinando para meus planos no cinema!”

Sobre o que pensou quando caiu no chão com a perna quebrada no UFC 168

“Naquela hora não pensei em muita coisa, não. Tive que ter uma presença de espírito muito grande para não apoiar o pé no chão e piorar a fratura. Na hora eu só pensava na dor!”

Sobre voltar a lutar

“Eu tenho 100% de certeza de que vou voltar, mas não é algo que depende só de mim. Eles [médicos] estão acompanhando minha recuperação e até agora está tudo superpositivo. Mas preciso do feedback final deles para poder voltar 100%!”

Sobre a rotina atual

“Eu acordo, tomo café, vou para academia fazer fisio. Almoço e volto para a clinica fazer fisioterapia. Minha vida está focada 100% na minha recuperação!”

Sobre a surpresa com o apoio dos fãs

“Não imaginava que tinha tantos fãs assim. Confesso que fiquei emocionado e feliz em saber que tem milhares de pessoas que torcem por mim. Só tenho que agradecer aos fãs de todos os lugares do mundo!”

Sobre haver uma segunda revanche contra Chris Weidman

“Eu não tô preocupado com isso agora. Agora meu foco é ficar bom e 100% na minha recuperação. Quero ficar bom!”

Sobre a quantas anda sua motivação

“100% motivado”

Sobre os principais responsáveis por difundir o MMA no Brasil e no mundo

“Acredito que não só eu, mas outros atletas que trabalharam para o crescimento desse esporte foram importantes. Como Minotauro, Chuck Lidel, Randy Cutore, entre outros.”

Sobre o filme que o inspira

“Atualmente o que mais me inspira é Homens de Honra, com o Robert De Niro e Cuba Gooding, Jr. Tenho visto quase todo dia!”

Sobre querer ainda lutar contra Roy Jones Jr.

“Claro! Depois que eu melhorar é o meu maior gol! Até porque eu não poderei lutar MMA logo em seguida. Está nos meus planos lutar boxe sim, logo que eu puder lutar! E Roy é um grande ídolo meu!”

Sobre ter dor

“Sinto bastante dor ainda. Menos do que no começo, mas ainda dói muito.”

Sobre objetivos profissionais para 2014

‘Primeira coisa é focar na minha recuperação. Quero ficar 100% e voltar para minhas atividades normais, meus projetos pessoais. Um deles é atuar como ator de cinema e outras novidades que estão vindo por aí!”

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Vocês já viram o especial incrível sobre os 20 anos do UFC que fizemos? Anderson Silva está na lista dos 10 maiores lutadores da história do evento. Veja aqui.

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E, como podem ter notado, depois de um longo e caloroso verão, o blog voltou. Sugestões, dúvidas, crítica? Me escreve: claudia.lima@abril.com.br.


/// Anderson mescla treinos com vida de modelo

A Nike Sportswear está lançando sua nova coleção CBD. As roupas são inspiradas na Copa do Mundo de 1962. E adivinhem quem é o garoto-propaganda? A menina-dos-olhos da marca, claro. Anderson Silva, campeão dos pesos-médios do UFC, passou uma tarde no estúdio Burti, em São Paulo, para fotografar para a campanha.

O lutador já está se preparando para enfrentar Chael Sonnen no próximo UFC do Brasil, que acontece não se sabe ainda se em São Paulo (estádio do Morumbi) ou no Rio (Engenhão) em 23 de junho. Neste sábado ele participou de um treino aberto na praia da Barra da Tijuca, no Rio, para promover a academia dos irmãos Rodrigo Minotauro e Rogério Minotouro, no evento chamado Team Nogueira Day.

A propósito, a jaqueta que ele usa na foto custa R$ 329,90 e a camiseta, R$ 99,90.


/// “Como Água” estreia hoje em 163 salas

Anderson pós-treino, em cena de "Como Água"

Em 7 de agosto de 2010, o nome Anderson Silva ainda não dizia muita coisa para a maioria dos brasileiros. Chael Sonnen, menos ainda. Foram poucos os que assistiram ao vivo, portanto, a uma luta épica, o UFC 117, que aconteceu na Califórnia. Nela, Anderson, campeão dos meio-pesados, apanhou por cinco rounds mais do que já havia apanhado em toda sua carreira no UFC – foram 289 golpes, contra 208 nas 11 lutas anteriores. E brilhantemente encaixou um triângulo de jiu-jítsu a poucos segundos do final da luta para vencer um atônito Sonnen.

Se poucos brasileiros acompanharam o evento, menos ainda foram as pessoas que viram os acontecimentos que antecederam a luta. Meses antes, houve uma vitória cheia de arrogância de Anderson sobre o paulista Demian Maia em Abu Dhabi, em que o campeão ficou chamando o adversário para a briga, fez gestos de impaciência e ficou correndo no octógono. Teve ainda a ameaça do presidente do UFC, Dana White, de demiti-lo depois disso. E o duro treinamento do atleta de 60 dias no exterior, longe da mulher e dos cinco filhos, e a costela machucada que o prejudicou no embate (lesão da qual muitos duvidaram). E, claro, as constantes ofensas e provocações, chamadas de “trash talk”, feitas por Chael contra seu maior inimigo.

Isso tudo foi capturado pelas lentes do cineasta Pablo Croce e está no documentário Anderson Silva – Como Água, que chega hoje a 163 salasa de cinemas do país todo. A trash talk domina grande parte do filme. Chael Sonnen é um mestre na arte – construiu muito de sua popularidade usando-a. Anderson poucas vezes respondeu. Limitou-se a um: “Falar de mim é fácil. Difícil é ser eu”.

O documentário estreia em uma época em que a trash talk voltou. Isso porque Anderson Silva e Chael Sonnen devem fazer a tão aguardada revanche. A luta, que ainda não está no calendário oficial do UFC, mas já foi confirmada por Dana White, deve acontecer em 16 de junho, em São Paulo. Uma das coisas mais bacanas do filme é que, apesar de sabermos seu fim, ele consegue manter a tensão. Sentimento que aumenta ainda mais com a possibilidade do segundo combate entre os dois.