George Lois, o homem que liderou a revolução criativa da publicidade americana nos anos 1960, foi escolhido pelo legendário editor Harold Hayes para desenvolver nova linguagem visual para Esquire, revista que registrou as profundas transformações da cultura americana, publicando textos dos mais brilhantes autores do Novo Jornalismo – outra revolução da época. Lois inovou no design de revistas com as 92 capas criadas entre 1962 e 1972. Concisas, quase todas as peças trazem imagens poderosas e conceitos que vão muito além da mera ilustração. Mais importante, fomentaram o debate público em torno de questões então controversas, como racismo, feminismo e… leia mais »
Muitos chefs — e o Alex Atala é o mais conhecido deles – andam fazendo uma cozinha contemporânea que valoriza a culinária regional brasileira, sobretudo a amazônica, que agora é oferecida aos gourmets em forma de mimosas criações gastronômicas encimadas por rococós de inspiração europeia. É uma velha moda, que vai e volta. Se prestar atenção, verá que desde 1665 nossa comida satisfaz olhos e estômagos dos mais urbanos. Padre Antônio Vieira atestou, horrorizado, que a mesa belenense da época era puramente indígena, um festim permanente de peixes moqueados, caças e frutas da estação; os colonizadores portugueses, saciados, deitavam nus em suas redes…. leia mais »
Meu irmão, o Guilherme, um médico neurocirurgião que mora em Araçatuba, veio a São Paulo outro dia e me convidou para ir ao DOM, o sofisticado restaurante de comida contemporânea do chef Alex Atala. O restaurante havia sido nomeado naqueles dias pelo S. Pellegrino World’s 50 Best Restaurants como o 7° melhor restaurante do mundo. O que para mim diz pouco porque não conheço os outros representados no ranking e fico sem termo de comparação. O ambiente é relativamente austero; classudo, sim, mas as mesas são muito próximas umas das outras. É caro. R$ 400 por pessoa custava o menu degustação de oito… leia mais »
A gastronomia, para a grande classe média brasileira, começou há 20 anos, no máximo. Antes disso, só os ricos tinham acesso a produtos de qualidade, tanto em casa como nos restaurantes. O conhecimento a respeito de vinhos e comidas era também muito restrito — mas é evidente que havia comida muito boa, como acontece desde que o mundo é mundo. Os supermercados simplesmente não vendiam arroz arbóreo, mostarda dijon, creme de leite fresco, açafrão e outros coisas corriqueiras que, mais do que nunca, hoje estão à mão. Lembro-me da sensação de beber a primeira lata de cerveja importada, uma Lowenbrau. E… leia mais »
A julgar pelas razoáveis dimensões do ego e do físico do cidadão americano que atende pela alcunha de Hulk Hogan – media 2,05 metros e pesava 137 quilos nos áureos tempos –, ele diria, para começo de conversa, que foi o responsável, na década de 80, por levar a luta livre do amadorismo mambembe e corrupto ao mainstream do entretenimento de massa nos Estados Unidos. Batizado Terry Bollea, filho caçula de um trabalhador da construção civil e de uma instrutora de dança, começou a puxar ferro em 1967, em Tampa, no estado da Flórida. Depois de estudar administração de empresas… leia mais »
O Theodoro, três anos, nasceu surdo dos dois ouvidos. No Brasil, a probabilidade é de um em mil nascimentos. Ou seja, muito mais comum do que a gente imaginava. O pediatra dele não notou, nós também não. Quando percebemos, mais ou menos aos seis meses de vida, mergulhamos numa via sacra de exames. Não havia tempo para lamentações. Conhecemos uma técnica nova, o implante coclear, que no Brasil é quase exclusividade dos médicos da USP. O implante coclear é um dispositivo eletrônico de alta tecnologia, também conhecido como ouvido biônico, que estimula eletricamente as fibras nervosas, permitindo a transmissão do sinal elétrico para o nervo auditivo, afim de… leia mais »