Sou ardoroso fã do romance Uma Questão Pessoal, do escritor japonês Kenzaburo Oe. E, também por isso, foi um grande prazer conhecer a coletânea de seus 14 contos, enfeixados e publicados em português no fim de 2011: muitos dos temas de Uma questão estão ali prenunciados nas narrativas escritas entre 1957 e 1990. A edição tem um elegante texto introdutório de Arthur Dapieve (eu ignorava sua fluência em assuntos nipônicos) e um exímio trabalho de organização e tradução de Leiko Gotoda. Seventeen, um dos contos mais polêmicos, é sobre um menino de 17 anos, obcecado por masturbação, que adere ao movimento da juventude ultranacionalista. Em 1968, ano de sua primeira publicação, foi… leia mais »
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Você já deve ter ouvido a música do Maroon Five, uma homenagem ao Mick Jagger. O clipe mostra uma pequena e contagiante antologia de cenas do longevo roqueiro britânico em ação, dançando. E também homens e mulheres se movendo como Mick Jagger. O Jagger sexy que vemos ali jamais será acusado de ser alienado. Foi justamente a irreverência e a atitude ostensivamente sexual que fez dos Rolling Stones — Jagger sempre à frente — uma banda mais pertubadora e polêmica do que os Beatles, do ponto de vista político. Bono Vox, do U2, poderia ter trilhado o mesmo caminho. Teria sido muito mais interessante em todos os sentidos. Na… leia mais »
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Não consigo prestar atenção a nada quando estou numa reunião em que há alguém usando cabelo de retardado. Já faz algum tempo que venho notando um movimento estranho entre os rapazes — e entre alguns nem tão moços assim. De repente, começaram a inventar umas coisas. Espetados, amassados nas têmporas, deitados no contrafluxo, franjas playmobil, moicanos de gel Bozzano, enfim, bem complicado. Devo estar completamente equivocado — e provavelmente estou – mas o cabelo do homem antes era apenas curto ou comprido. Entre os curtos — imensa maioria – havia quem repartisse do lado direito, do esquerdo ou ao meio…. leia mais »
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Lembro-me da sensação de entrar no cinema, de repente, no meio da tarde, e pegar o filme que tinha acabado de começar, qualquer um. Era quase sempre no Cineclube Elétrico, no Cine Bijoux, no CineSESC ou no MIS. Hoje, dizem, compram-se bilhetes pela internet. Estou fora. O acaso pode trazer muitas surpresas. E atualmente não tem havido muito espaço para o acaso. Muitas e boas supresas. Mistérios e Paixões (1991), direção de David Cronenberg, baseado no romance Naked Lunch, de William Burroughs, uma das mais gratas. O discreto charme da Burguesia, de Buñuel. E os filmes de Sérgio Bianchi. Conheci… leia mais »
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Incrível a matéria de capa da edição de janeiro da National Geographic. A reportagem mostra que entender os gêmeos pode ser útil para sabermos mais sobre todos nós. A seguir transcrevo um trecho do texto que explica perfeitamente a sacada de estudar os gêmeos para avaliar a influência da hereditariedade, para tentar entender o que é inato e o que é adquirido. “(…) Foi na década de 1980 que os estudos de gêmeos tomaram uma direção surpreendente, após a descoberta de vários gêmeos idênticos que haviam sido separados logo após o nascimento. A história teve início com o caso de… leia mais »
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De quando em quando alguém sugere, maldosamente, que a peça “Senhora dos Afogados”, publicada por Nelson Rodrigues em 1947, seria fruto de um plágio. A peça brasileira é praticamente igual a “Mourning Becomes Electra”, de 1931, do dramaturgo americano Eugene O’Neill, reconhecidamente um dos grandes ídolos de Nelson. A diferença está na cena final, em que inverte-se uma situação entre os personagens. O crítico Sábato Magaldi, maior estudioso da obra de Nelson, disse em 1959 que Nelson Rodrigues fez uma paráfrase, ou seja, copiou o argumento da peça, com o cuidado de modificar todo o texto. Demonstrando honestidade intelectual, Nelson… leia mais »
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