Philip Roth versus Wikipedia
Será?
Philip Roth, mais importante ficcionista americano vivo, publicou ontem no site da New Yorker (7/9) uma carta aberta desancando a Wikipedia. Todo mundo imediatamente repercutiu.
Na carta, Roth diz ter requerido a supressão de uma informação equivocada a respeito de seu livro A Marca Humana (2000). Ele nega que o personagem principal do romance teria sido inspirado na vida de Anatole Broyard, crítico literário morto em 1990. E completa dizendo que o protagonista Coleman Silk tem inspiração em um amigo professor de sociologia de Princeton que conheceu há mais de trinta anos.
O pessoal da Wikipedia sacou do regulamento e disse que a alegação do autor não era suficiente: precisariam cotejar a informação com “fontes secundárias”.
É evidente que um peso-pesado com a envergadura de Roth calculou o estrago produzido pela pancada.
Antes a Wikipedia tirava proveito e de certa forma fomentava a discussão travada por seus entusiastas (liberais digitais) contra seus detratores (conservadores offline).
Agora, finalmente, alguém chega e diz “ei, apaga essa bobagem que vocês escreveram”. Como esperado, ninguém ignorou Philip Roth, o verbete foi reeditado e agora tem uma retranca registrando a posição do autor.
Ao questionar a credibilidade da Wikipedia, Roth expõe o que todo mundo sabe: os wikieditores são falíveis, suscetíveis e, sobretudo em questões subjetivas relacionadas às humanidades, frequentemente se deixam contaminar por idiossincrasia, interesses de grupo e ideologia.
Estarão equipados intelectualmente?
Para tirar a dúvida, leia a ótima matéria de Bernardo Esteves, publicada na piauí, sobre os desentendimentos entre editores da precária wikipedia brasileira.
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