Conheça Nathan Harden, o jovem conservador que critica ferozmente a cultura da pornografia no ambiente acadêmico e prevê o fim da universidade

Conheça Nathan Harden, o jovem conservador que critica ferozmente a cultura da pornografia no ambiente acadêmico e prevê o fim da universidade

Baixei e ouvi no caminho para casa as músicas do disco Catskill, de autoria de Nathan Harden, o moço cuja foto ilustra esta página. Não chega a ser ruim, mas pode ser que demore a alcançar o topo das paradas.

O fato é que o roqueiro vem fazendo sucesso e ocupando um espaço cada vez maior como autor e comentarista de política, cultura, sexualidade e mídia nos Estados Unidos. Se, na casa dos 30, ele pode ser considerado a nova face da direita americana, então os republicanos devem botar a barba de molho.

Harden, que se diz um conservador pós-Bush, teve uma desilusão com o partido em 2004, quando ainda cursava humanidades em Yale. Ao final de uma convenção do GOP, viu-se num show de strip-tease patrocinado por políticos. Foi o ponto final de uma longa relação de amor.

O roqueiro é polêmico. Publicou Sex and God at Yale, livro no qual afirma que a correção política e a cultura da pornografia impostas por professores liberais estão acabando com a educação.

Há detalhes picantes e espinafração explícita ao evento universitário Sex Week, que segundo ele abre as portas para agentes da indústria de filmes e acessórios eróticos.

O título do livro revela o tamanho da ambição. É inspirado no famoso God and Man at Yale, de 1951, do direitaça William F. Buckley Jr., também ex-aluno da instituição, morto em 2008, que criticava o liberalismo por supostamente impor uma agenda laica e desrespeitar as crenças religiosas dos alunos e da grande família americana.

Aos poucos, Harden vai ocupando as tribunas, mas está longe de ser unanimidade. Se bem que uma resenha antipática como a que o livro teve no New York Times deve ser um pequeno troféu para um cara como ele. O Gawker também malhou.

Sasha Grey, atriz que teria sido convidada à sala de aula
Sasha Grey, atriz que teria sido convidada à sala de aula
O Daily Beast abriu espaço para o repúdio de suas ex-colegas de Yale. Elas não enxergam problema em ter um evento que trate de sexo e pornografia na universidade e também alegam que a administração já entrou em campo para regular a presença de empresas do setor erótico.

Nathan colabora com o Huffington Post e é editor do The Fix College, famoso site de comentários sobre o mundo acadêmico americano. A música esteve fora da pauta na conversa que tive com ele por e-mail.

Qual é a sua opinião sobre pornografia? Você acha imoral?

A pornografia é imoral porque denigre as mulheres. Em Yale fui exposto não só a pornografia comum, mas a pornografia bem violenta na sala de aula. Durante uma palestra exibiram filme que mostrava uma mulher nua e acorrentada sendo espancada por um homem. Isso aconteceu dentro de uma sala de aula em Yale! Eles mostraram o filme com o propósito de ensinar como podemos incorporar o sadomasoquismo em nossas próprias vidas sexuais. Não muito tempo depois, Yale esteve sob investigação federal pelo Departamento de Educação dos EUA, por supostamente criar um ambiente hostil sexual para as mulheres, após uma série de denúncias de casos de estupro, agressão sexual e assédio no campus. Na minha opinião, as autoridades de Yale são responsáveis ​​pela criação de uma cultura sexual perigosa no campus porque eles permitiram que as mulheres fossem humilhadas e permitiram a exibição de pornografia violenta em sala de aula.

É inegável que arte e sexo têm muitas conexões. Como você definiria os limites entre arte e pornografia?

O sexo é um elemento importante em qualquer forma de arte. Mas são raros os casos em que a linha entre arte e pornografia parece indefinida. Na maioria das vezes, é muito fácil dizer a diferença. Pornografia é facilmente reconhecível, em parte porque é ingênua e vulgar – as narrativas são artificiais e as atuações terríveis. Pornografia serve principalmente para ajudar os homens a se masturbar. A arte eleva a alma, nos diz algo sobre a beleza. A pornografia aprisiona o homem em si mesmo. A arte leva o homem para além dele próprio.

 

A intelectual Camille Paglia, também ex-aluna de Yale, considera que as garotas que saem às ruas para participar das Slutwalks (Marcha das Vadias) são tolas por ignorar a natureza agressiva do sexo. Qual é a sua opinião sobre isso?

Estou de acordo com Paglia, as slutwalkers se baseiam em uma negação da realidade. O fato é que uma mulher jovem precisar estar atenta aos lugares que frequenta, às situações em que se coloca e com quem anda. Ficar bêbada perto de pessoas que você não conhece e não pode confiar aumenta o risco de se tornar uma vítima. Isso não é culpar a vítima – é apenas a realidade. Essas marchas pregam a ideia de que o recato é uma forma de opressão. Na verdade, o recato empodera a mulher, dá a ela mais controle sobre as suas relações com o mundo.

Você conhece o professor Hugo Schwyzer? Ele ensina pornografia no Pasadena College e considera que o pornô é um elemento importante da cultura. Qual é a sua opinião a respeito?

Conheço o curso de Schwyzer. É um curso inútil, desenhado por um homem que quer assistir filme pornô para ganhar a vida e ser pago por isso. Se ele quisesse ter um sério debate intelectual sobre a pornografia, então deveria convidar pessoas com diferentes pontos de vista para suas aulas, como as feministas anti-pornografia, por exemplo, que acreditam que a forma como as mulheres são retratadas é profundamente humilhante. Os pais que estão pagando 20 mil dólares por ano para os seus filhos para assistir filme pornô na sala de aula do Sr. Schwyzer estão desperdiçando seu dinheiro.

Por que o politicamente correto e o sexo são ruins para a universidade?

“Politicamente correto” significa que certos pontos de vista são excluídos no campus. Em Yale, estudantes religiosos e conservadores são marginalizados. Se você não concordar com a maioria secular e politicamente liberal, então a sua voz será silenciada. Isso não é saudável para qualquer campus porque a universidade é um lugar onde várias ideias devem ser livremente debatidas e discutidas.

Em Yale, o sexo não é tratado como um assunto acadêmico sério. Ao contrário, o assunto é apresentado na sala de aula geralmente de forma vulgar e juvenil. Empresas que fazem filmes pornôs e brinquedos sexuais estão autorizadas a entrar vender seus produtos diretamente ao aluno. Isso não tem nenhum propósito intelectual e é uma vergonha para uma instituição de prestígio. Eu apoiaria se quisessem ensinar sexualidade de forma inteligente e responsável. Mas o que estão fazendo agora é uma desgraça.

Por que há tanta obsessão por sexo na Universidade?

Yale é dominada pela elite da América. Em seus corações, não acreditam que os costumes normais da sociedade devem se aplicar a eles. Um costume comum entre os estudantes é participar de “festas do cabide”, nas quais os alunos se reúnem para socializar sem roupa. Isso é muito comum, mas não acho que aconteça em qualquer outra universidade. Da mesma forma, muitos professores e administradores de Yale se opõem aos valores tradicionais e aos valores religiosos. A introdução da pornografia e outros materiais sexuais em sala de aula é uma forma de derrubar a moral tradicional.

Você disse que, num prazo de 50 anos, metade das cerca de 4.500 faculdades e universidades que operam nos Estados Unidos terá deixado de existir. O que vai acontecer com Yale, Harvard, Princeton, Berkeley e Stanford?

As principais universidades vão crescer. Na educação on-line, as universidades mais importantes vão atrair mais alunos. Enquanto as menos prestigiosas terão muita dificuldade para sobreviver. A internet é ilimitada. Os estudantes da América Latina poderão assistir às aulas on-line das universidades americanas pagando muito pouco ou nada por isso. Estudantes americanos também terão acesso a universidades de outros países.

Por que todas as outras irão desaparecer?

Por causa da “bolha universitária”, ou seja, as altas dívidas decorrentes dos empréstimos que as famílias americanas estão assumindo a fim de pagar a faculdade dos filhos. Por causa do rápido aumento dos custos de matrícula e o valor decrescente do diploma universitário no mercado de trabalho. É muito parecida com a recente “bolha imobiliária”, em que os preços da habitação nos EUA continuaram a subir mais e mais. Há uma sensação agora de que o diploma universitário perdeu o valor. Ensino superior custa muito caro e, para mais alunos do que nunca, não compensa financeiramente a longo prazo. Isto é especialmente verdadeiro porque uma grande percentagem de alunos que iniciam a faculdade nunca concluem seus cursos. Os que terminam às vezes estão tão sobrecarregados com as dívidas que têm suas perspectivas financeiras arruinadas.

Veja também

Artigo sobre o fim da Universidade

Entrevista de Harden na TV

Resenha do livro no Yale Daily News

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