Jagger optou por ser ele mesmo. E acertou.

Você já deve ter ouvido a música do Maroon Five, uma homenagem ao Mick Jagger. O clipe mostra uma pequena e contagiante antologia de cenas do longevo roqueiro britânico em ação, dançando. E também homens e mulheres se movendo como Mick Jagger.

O Jagger sexy que vemos ali jamais será acusado de ser alienado. Foi justamente a irreverência e a atitude ostensivamente sexual que fez dos Rolling Stones — Jagger sempre à frente — uma banda mais pertubadora e polêmica do que os Beatles, do ponto de vista político.

Bono Vox, do U2, poderia ter trilhado o mesmo caminho. Teria sido muito mais interessante em todos os sentidos. Na época de Achtung Baby (eu tinha dito The Joshua Tree, mas até AB foi legal), talvez o último disco realmente brilhante da banda, Bono era quem queríamos ser. Ele estava sempre vestido de preto como um Elvis e escolhia uma moça para subir ao palco para sucumbir aos seus afagos.

Mas ele escolheu abraçar o esquerdismo limonada que transformou sua música e a ele próprio num tédio absoluto. E, como ele, a toda gente engajada na religião das causas sócio-ambientais.

Mick Jagger, apesar de britânico, pertence à linhagem de Elvis Presley e Michael Jackson. Bono, o irlandês que um dia decifrou a música americana, não.