Uma agenda anti-D.R.
ADMITAMOS: os relacionamentos não precisam ser tão complicados assim. A virada do semestre é uma oportunidade de simplificarmos tudo. Basta que as mulheres cumpram uma agenda de poucos e fáceis itens, a saber:
- Que reduzam ao mínimo as discussões sobre o relacionamento. Uma para manutenção, no meio do ano, parece mais que suficiente.
- Que não tenham dores de cabeça, reais ou imaginárias, nos momentos interessantes para o sexo.
- Que evitem o choro e, como prega o Dalai, riam sempre porque faz bem para a mente e evita rugas.
- Que nos poupem da sogra; a sogra é tão legal que deixamos toda ela para a filha.
- Que nos façam surpresas amorosas, como trazer, todos os dias, o café da manhã na cama, de preferência com croissant e geleia de morango; uma Coca gelada nos momentos de sede é sempre bem-vinda.
- Que aceitem que ver mesas-redondas de futebol domingo à noite é uma forma de meditação transcendental.
- Que levem em consideração, no penteado e na roupa, sobretudo a íntima, também o nosso gosto, e não apenas o delas.
- Que se convençam de que uma rapidinha é muito bom também para elas, uma espécie de poupa-tempo sexual.
- Que se incumbam, elas mesmas, de parte das preliminares; para isso é que existem dedos, vibradores e imaginação; os sábios chineses falam das virtudes da solidão, e isso vale para o aquecimento pré-sexo.
- Que sejam um pouco mais breves nos telefonemas.
- Que não achem que olhamos para toda mulher bonita que passa, ainda que olhemos; é um tributo ao belo sexo, não um ato machista, vulgar e inconveniente; se esse argumento não é convincente, que elas lembrem sempre daquele herói do rúgbi irlandês, 2 metros de masculinidade e músculos, que jamais olhou para outra mulher que não a esposa, trocada depois com enorme estardalhaço por homens.
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Paulo Nogueira é jornalista e correspondente da Editora Abril em Londres.











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