11/08/08 - 0 Comentários
Vivemos num mundo dominado pela competição entre idéias, tecnologias, inovações. Nem bem uma emplaca, vem outra em seu encalço. Para se dar bem, as empresas desenvolveram uma nova cultura de trabalho que, apesar de variáveis aqui e ali, coincide no que diz respeito à necessidade de dedicação e à exigência de disponibilidade.
Nos últimos anos, essa superdemanda extrapolou o ambiente de trabalho, estendendo-se para todas as atividades do sujeito, decretando o fim do seu tempo livre. Ninguém mais fica à toa e até o lazer tem que ser produtivo. Viajar para o exterior agora é currículo. Exercício para emagrecer melhora a auto-estima ? o que é bom para sua carreira. Sair com os amigos ou ir ao clube virou ?incrementar as redes sociais? e ir ao cinema ou ouvir música é recomendado pelos consultores de RH como ?ampliação de repertório?. Até no futebol semanal você está sendo observado e precisa seguir regras de etiqueta social. Tudo, é claro, para você se tornar um indivíduo mais competente. Não melhor. Ou mais feliz.
No final, não se pode mais tomar um vinho e, simplesmente, gostar ou não. É preciso fazer cursos de história da vinicultura, conhecer os 316 tipos de uva e estudar a acidez do solo da Borgonha. Mas, aí, relaxa, se tudo der errado e você estiver prestes a pirar, pode procurar ajuda na terapia. Pelo menos até a psicanálise virar uma forma de autodescoberta, conhecimento e aceitação para o aprimoramento profissional. O quê? Já virou?
* Celso resiste e - que ninguém nos ouça - coça três vezes por semana.
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