24/09/09 - 0 Comentários

Sem tempo para ler livros? Separamos alguns escritores legais para você seguir no Twitter e colocar um pouco de literatura no seu dia-a-dia. Agora vê se lê pelo menos 140 caracteres, pô!


Xico Sá (@xicosa)
Um dos autores favoritos da redação. Xico Sá é daqueles escritores que falam sobre o que gostamos: mulheres, botecos, futebol, modos de macho, modinhas de fêmea. No Twitter ainda manda haikais espertos, como "monge na disciplina/expliquei o dia sem carro/para uma maria-gasolina".


Millôr Fernandes (@millorfernandes)
Desenhista, humorista, escritor e mais uma cacetada de profissões, Millôr consegue com menos de 140 caracteres tirar risadas e virar ao avesso lugares-comuns, como "Pois é, amigo, a vida é assim mesmo. Hoje nós estamos aqui - e amanhã... também".


Fabrício Carpinejar (@carpinejar)
O poeta Carpinejar lançou ano passado o livro de crônicas Canalha em que destaca as qualidades (ou não) da alma masculina. Suas frases no Twitter deverão ser publicadas em um livro a ser lançado em outubro. Uma delas: "Da foto quadrada do porta-retrato à foto redonda da lápide. Viver é cortar arestas".


Marcelino Freire (@MarcelinoFreire)
Marcelino Freire já era fã de contos curtos bem antes de alguém imaginar o Twitter. Em 2004 idealizou e organizou a antologia Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século reunindo diversos autores para escrever histórias inéditas com menos de 50 letras. No Twitter, faz os Contos Nanicos. Aí vão dois da série: "CONTO NANICO N° 21: Tentava encontrar o meu ponto G com o GPS." e "CONTO NANICO N° 31: - Eu nunca chamei minha mu mu mu mulher de vaca. Juro, doutor".


Edson Aran (@EdsonAran)
Nosso vizinho de andar aqui na Abril, Edson Aran é escritor, cartunista e diretor de redação da Playboy. Além de updates muito bem-humorados, de vez em quando ele fala sobre as próximas capas da revista. Alguns updates do Aran: "O amor não é uma coisa capaz de transformar você em outra pessoa. O nome disso é roupa de drag queen. O amor é outra coisa." e "Repolho não pensa. Logo, não existe."


Paulo Coelho (@paulocoelho)
Seu Twitter não é o diário de um mago, mas tem cerca de 100 mil seguidores. O escritor manda reflexões e ainda responde a perguntas de twitteiros (ficamos sabendo por exemplo que ele era amigo da cantora Sinead O'Connor). Apesar de já ter sido traduzido para mais de 50 idiomas, no Twitter ele apenas posta em português e inglês.


Rodolfo Viana (@rodolfoviana)
Nunca lançou um livro, mas é o único repórter da VIP que pretende se candidatar ao Nobel de Literatura.




(Fábio Calvetti)

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14/08/09 - 0 Comentários

Confira três aberturas de três obras-primas com menos de 150 páginas para três tipos de leitores.

1) Leitor cabeça
"Sou um homem doente... Um homem mau. Um homem desagradável. Creio que sofro do fígado"

Um dos poucos livros fininhos do escritor russo Fiodor Dostoievski (1821-1881), Memórias do Subsolo serviu de base para as obras gigantes dele, como Crime e Castigo e Irmãos Karamazov. Um narrador anônimo, o homem do subsolo, destila amargura contra tudo e todos e acaba formando um dos mais precisos painéis da condição humana já pintados pela literatura. Não à toa, este fininho de Dostoievski vivia na cabeceira de dois malucos: Kant e Freud.



2) Leitor pé na areia
"Ele era um velho que pescava sozinho em seu barco, na Gulf Stream"

O livro O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway (1889-1961), é talvez o mais belo texto de apologia ao homem que alguém já escreveu. Santiago, um velho pescador, está há 84 dias sem pegar um peixinho sequer, e o pessoal em volta já começa a achar que ele um baita pé-frio. Então ele parte sem seu ajudante para o mar, onde trava uma épica batalha que se arrasta por dias com um merlin enorme, enfrentando com bravura todos os limites do corpo e da mente.



3) Leitor urbano
"Eram jovens, educados e ambos virgens nessa noite, sua noite de núpcias, e viviam num tempo em que conversar sobre as dificuldades sexuais era completamente impossível."

Ian McEwan (1948-), um dos melhores escritores ingleses da atualidade, usa todas as 128 páginas de Na Praia para mostrar o quanto uma transa malsucedida pode arruinar a vida de um casal e mudar completamente os rumos do homem e da mulher. O casal em questão se uniu um pouco antes das revoluções dos anos 60 (a musical e a sexual), e sua noite de núpcias serve como pano de fundo para o retrato de toda uma geração.



(Renato Krausz)

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16/07/09 - 1 Comentários


Imagine uma demorada viagem no tempo para 4 bilhões de anos atrás, em que vamos em busca de nosso antepassados e encontramos pelo caminho peregrinos de outros ramos e espécies fazendo a mesma coisa. Todos trocam suas histórias e com isso nos ajudam a entender o universo complicado da evolução.

Este é o enredo do livro A Grande História da Evolução - Na Trilha de Nossos Ancestrais, um catatau do cientista-sensação da Inglaterra, Richard Dawkins, que a Companhia das Letras lançou no Brasil cinco anos após a obra ter sido publicada originalmente, em Londres. Graças ao estilo fluente de Dawkins e à forma brilhante que ele encontrou para engendrar o livro, esta volta às origens é infinitamente menos árdua que o caminho que percorremos de lá até aqui, mas isso não quer dizer que seja fácil. Afinal, são 760 páginas de histórias bem contadas, porém permeadas com muita, mas muita, informação de biologia, zoologia e afins.

Se você decidir encarar a empreitada, boa viagem. Na volta escreva para VIP dizendo o que achou. Se preferir pular, contente-se com algumas informações curiosas que comentamos abaixo:

Ser foca pode ser demais
No jargão jornalístico, foca é o repórter em início de carreira, sem experiência nenhuma, que precisa ser bem orientado para não cometer tanta besteira. Ser foca também pode significar ser capacho: é a foquinha amestrada, que bate palminha para tudo, não importa o que lhe façam.

Não parece nada bom, não é? Mas no mundo animal ser foca pode ser magistral. Na página 250 do livro, Richard Dawkins conta que as focas se arrastam em bandos para a praia a fim de se reproduzir, e lá chegando, num dos "mais extremos exemplos de poliginia", 4% dos machos são responsáveis por 88% de todas as cópulas.

Lógico que os outros 96% de machos que ficam chupando o dedo não devem gostar nem um pouco do espetáculo e tampouco bater palminha, mas, se você tiver a sorte de ficar entre aqueles 4%, é pouco provável que encontre algo melhor nesta ou em qualquer outra vida - mesmo sendo foca.

Hospedeira ideal
Espécies que pareciam assexuadas revelaram depois ter machos ocultos, escreve Dawkins na página 496. Ele cita dois exemplos: o do diabo-marinho, um peixe cujos machos são anões quase invisíveis que pegam carona como parasitas no corpo das fêmeas, e o das cochonilhas, insetos que vivem de um jeito sui generis: os machos, minúsculos, ficam grudados nas pernas das fêmeas.

Ao ler isso não pude deixar de fazer uma transposição para a nossa realidade, de humanos, e me imaginei diminuto e grudado na perna de uma mulher, numa simbiose linda, subindo devagar até vocês sabem muito bem onde e causando na minha hospedeira sorrisos quase involuntários - no ônibus, no escritório, em qualquer lugar. O Woody Allen ainda vai fazer um filme sobre isso, penso.

Faça amor, não faça guerra
Dawkins conta na página 49 uma experiência curiosa de seleção artificial (o oposto da seleção natural). Um grupo de cientistas capturou várias raposas e passou a cruzá-las sem parar, com o objetivo de obter animais mais mansos.

Cruzando entre si os bichos mais calmos de cada geração, os malucos, ops, os cientistas obtiveram, em 20 anos, raposas que se comportavam como dóceis cachorrinhos da raça border collie. Procuravam a companhia das pessoas e abanavam a cauda para elas. Essas raposas ficaram inclusive parecidas fisicamente com os collie.

Sabem o que mais? Adquiriram o hábito de se reproduzir o ano todo, em vez de somente numa temporada específica. Aí está, talvez, uma bela explicação para entender os caras esquentadinhos que vão para a rua querendo distribuir sopapos nos outros: é falta de mulher.

Richard Dawkins veio na Flip 2009 de verdade. A VIP criou uma Flip dos sonhos, cheia de mulher e escritores safados. Veja como seria

(Renato Krausz)

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30/06/09 - 0 Comentários


Se você gosta de pôquer, leia o livro que conta a história da mais bizarra mesa de todos os tempos (na ficção): Música do Acaso. Trata-se de um livro não tão famoso do escritor americano Paul Auster, mas que poderia facilmente figurar na lista das melhores obras dele, ao lado de Trilogia de Nova York, Leviathan e A Invenção da Solidão.

Após perder o pai e ser abandonado pela mulher, o bombeiro Jim Nashe decide pegar a grana que herdou do velho e sair de carro sem rumo pelo país. Dirige de um canto a outro, sempre ouvindo Bach, Mozart ou Verdi no toca-fitas.

A sensação que este novo estilo de vida lhe proporciona é inebriante, e ele não consegue mais se imaginar de outro modo. Até que o acaso o leva à tal mesa bizarra de pôquer. Tensão para todos os lados, e eis que ele se sentirá obrigado, numa última cartada, a apostar a sua própria liberdade.

Obviamente não vou contar o que acontece, mas posso dizer que as coisas que mais incomodam a jogadora profissional e gata Vanessa Rousso (que dá dicas aos iniciantes na VIP de julho, recém-chegada às bancas) numa mesa de jogo - "gente que não toma banho direito ou fuma" - são fichinha perto da encrenca em que se mete Jim Nashe.

Música do Acaso infelizmente está esgotado. Se você se interessou, terá de procurá-lo em sebos. Pode começar por aqui, na Estante Virtual


(Renato Krausz)

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23/06/09 - 0 Comentários

Já ouviu falar da Estante Virtual? Não é mais novidade, mas sempre é bom mostrar sites legais - e úteis. Trata-se de um monstruoso sebo digital, uma rede formada por vendedores de livros de todas as partes do Brasil. Difícil você não encontrar o livro que procura lá. São 1431 sebos de 246 cidades, vendendo milhões de títulos diferentes.

E a navegação é bem funcional. Busque pelo nome, preço, endereço do sebo etc. até encontrar a melhor compra. Depois, você negocia pagamento e entrega direto com o vendedor. Muito bom!

Conheça a Estante Virtual e diga a seus amigos malas que VIP também é cultura, sim

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22/06/09 - 0 Comentários

Se você gostou da matéria "A Flip dos sonhos da VIP" (publicada na edição de junho na revista. Sexta-feira, a matéria estará disponível no site), identificou-se com a Mesa Branca e achou legal encontrar ali os doidões Charles Bukowski e John Fante, você precisa conhecer Knut Hamsun.

Quem lê Bukowski sabe que o cara era fã de Fante. Ainda bem jovem, Buck não arredava o pé da biblioteca, apesar do saco já completamente cheio diante de tanta porcaria publicada. Até que conheceu o criador de Arturo Bandini.

Com a vida transformada e os ânimos recarregados, Bukowski criou Henry Chinanski, um alter ego semelhante ao Bandini de John Fante. E ambos, Bandini e Chinanski, foram dois anti-heróis que conquistaram gerações e gerações e deixaram muita gente com vontade de largar tudo e virar um escritor beberrão e solitário.

Mas quem foi o inspirador de Fante? É aqui que entra o Knut Hamsun (1859-1952) citado acima. Norueguês, ganhador do Nobel de Literatura em 1920, ele escreveu em 1890 o livro Fome, uma obra-prima cujo maior mérito é funcionar como um soco no estômago - neste caso, vazio.

O livro conta a saga de um jovem escritor que enfrenta uma roubada atrás da outra nas ruas de Cristiânia (atual Oslo), na Noruega. Como não consegue publicar, ele passa fome e, como passa fome, não consegue mais escrever. Nos raros momentos em que emplaca um texto e ganha algum dinheiro, gasta tudo em minutos - como mais tarde viriam a fazer Bandini e Chinanski.

O pobre coitado tem devaneios dignos de um Raskólnikov - calma, não vamos falar de Dostoiévski - e chega ao extremo de descosturar os bolsos do seu único paletó para poder comê-los. Em Pergunte ao Pó, Fante presta uma bela homenagem ao mestre, no trecho em que Arturo Bandini diz que não se desgrudava do volume de Fome, já encardido de tão lido. Bukowski também citou Hamsun aqui e ali em sua obra.


Esgotado no Brasil há muito tempo, Fome foi relançado pela Geração Editorial. E a tradução é de outro fera das letras: Carlos Drummond de Andrade. O preço sugerido pela editora é R$ 29,90

ps: na Mesa Branca da Flip da VIP, Knut Hamsun ia participar, mas na última hora cedeu seu lugar a Hunter S. Thompson.

(Renato Krausz)

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15/06/09 - 0 Comentários

Lembra do Wally (Waldo na gringa), o viajante de estilo meio nerd que vendeu bicas de livros na década passada em livros-jogos ilustrados cuja função era localizar o personagem em cenários mais atolados que Mumbai na hora do rush? Pois o cara é o protagonista desta sátira criada por um grupo de comediantes canadenses, The Imponderables, com a trilogia Bourne, sucesso dessa década.

Onde Está Wally? na Desciclopédia

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28/08/08 - 0 Comentários


Se existem duas coisas que o grande Nelson Rodrigues conhecia bem são mulheres e literatura. E no auge de sua sapiência lúgubre, ele afirmou que "nem todas as mulheres gostam de apanhar, só as normais; as neuróticas reagem". Apesar de "amor" e "dor" ser rima pobre, os substantivos não poderiam se encaixar mais perfeitamente. Quem nunca deu uns tapinhas na mulher amada ou sentiu arrepio quando levou uma mordida que atire a primeira pedra. Mas atire pra machucar, por favor!

No mês do cachorro louco, acontece o lançamento da primeira coleção de textos sadomasoquistas da literatura brasileira, organizada pelo professor Antonio Vicente Seraphim Pietroforte, da USP, com a colaboração do poeta fetichista Glauco Mattoso. A obra M(ai)S: Antologia Sadomasoquista da Literatura Brasileira explora esse universo de dominadores e dominados, violência e dor convertidos em prazer.

A temática sadomasoquista estimula a imaginação até mesmo dos mais pudicos, como nós, da VIP, que somos santos. Fazem parte da antologia 44 autores de diversas épocas - incluindo os classicões Machado de Assis e José de Alencar, o escritor boa vida João do Rio, o poeta Augusto dos Anjos e novidades como o contista Marcelino Freire.

A antologia sai pela Dix Editorial, selo literário da casa paulistana Annablume, e a tarde de autógrafos e coquetel será dia 30 de agosto, sábado, a partir das 15 horas, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena - Telefone (11) 3814-5811). Quem não for, apanha!

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