10/11/08 - 1 Comentários

A fórmula não é nada complicada. Basta aliar um nome de peso de verdade (mesmo que em decadência) a novidades bem cotadas por crítica e com popularidade ascendente e cobrar um ingresso justo por isso. O Planeta Terra, mais uma vez, é o melhor festival do ano. Adolescentes tardios e suados, eufóricos com a apresentação enérgica do Offfspring, se misturavam aos fãs do novo rock de Kaiser Chiefs e Bloc Party, e aos moderninhos de trajes excêntricos que vieram para o palco indie curtir Spoon e Animal Collective. Quinze mil pessoas tudo que é tipo, em paz, como todo bom festival.

SOM
O Kaiser Chiefs é uma das grandes esperanças do rock de arena nos anos 00. É das poucas novas bandas que têm presença e carisma para pôr o público para pular de verdade (apesar de este não corresponder em boa parte do show). Mesmo assim, foi o melhor da noite, que foi recheada de bons concertos. O Bloc Party, com um som mais contido, se redimiu do fracasso exibido no VMB (a banda tocou em playback na festa da MTV). The Offspring lembrou os grandes hits dos anos 90, numa nostálgica apresentação de punk pop, a mais agitada da noite, sem dúvida.
No mesmo horário do show dos californianos, o indie Spoon fez uma apresentação competente para um público surpreendentemente grande, condizente com os teclados e melodias assobiáveis em excesso da banda. Já o DJ Mylo tocou para moscas. Ele teria ficado bem mais à vontade no Skol Beats...
NOTA 9

PÚBLICO
Gente de lenço no pescoço (te irrita? Olha outras coisas irritantes), indies, new ravers, skatistas, playboys, largadões. Tinha povo de tudo que é tipo. Mulherada, pouca, mas com esforço era possível encontrar uma gata perdida. Paquera era pouca também, mas o clima de satisfação por um festival decente pairava no ar.
NOTA 7

BAR
As filas eram razoáveis, os preços, caros. Cerveja a R$ 4.
NOTA 6

GERAL
A Vila dos Galpões, na zona sul de São Paulo, é realmente um lugar bacana para um festival que mescla palcos abertos e cobertos (mas o som no DJ Stage reverberava no teto, ficou parecendo baile funk). Latões de lixo reciclável, coleta de bitucas, tudo no esqueminha sustentável, mas sem fazer alarde comercial em cima disso (o que, cá entre nós, já deveria ser obrigação), decoração bacana, com latões pintados, poltronas de pneu velho e cartazes dos shows pregados nos muros das vielas do local e uma bela cobertura ao vivo dos shows nos telões, com direito a nome das músicas sendo executadas, fizeram do Planeta Terra o melhor festival do ano. E o essencial: shows pontuais.
NOTA 8,5

Veja fotos do festival no Abril.com

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26/10/08 - 1 Comentários


Na falta de um nome realmente de peso, o MGMT - e não o rapper Kanye West, como foi previsto - assumiu o papel de maior atração do Tim Festival 2008. A banda nova-iorquina surpreendeu, agitou e pôs o público para pular. Parecia até rock de verdade, com roqueiros de verdade na platéia. Mas era uma noite indie. Já o festival, caduco desde 2007, tentou se redimir, mudando o endereço dos shows em São Paulo. Fazer no Parque do Ibirapuera é muito bom, mas cobrar R$ 610 por quatro dias de festa é uma piada, se não for ofensa. Pelo menos teve Sonny Rollins, lenda do jazz, tocando de graça no sábado de manhã. Vamos às avaliações do "Ponte Brooklyn", a última noite de shows na Arena de Eventos:


SOM
O The National é oitentista demais, mesmo comparado a todas as bandas oitentistas dos anos 00. A diferença é que eles são deprê, assim como os originais de 25 anos atrás, o que dá mais desenvoltura ao show, que tinha violinos, instrumentos de sopro e uma voz potente no vocalista Matt Berninger. Bacana. Já o MGMT fez o melhor show do festival, parecia banda grande, com as 3500 pessoas presentes pulando alucinadas com os hits "Kids" e "Time to Pretend", deixados para o final. Sintetizadores, guitarrinhas e meninas empolgadas nas primeiras fileiras, que deram um ar mais pop e mais rock ao ambiente modernoso-indie. Ben Goldwasser e Andrew VanWyngarden tiveram uma recepção pra lá de calorosa, e fizeram por merecer.
NOTA 8,5

PÚBLICO
Indie, o que quer dizer: gente doidona fazendo pose, caras de bigode e roupas estranhas e poucas mulheres bonitas. Mas apesar de blasé, o público soube se divertir, sem exageros, sem brigas, com filas no bar e no banheiro razoáveis.
NOTA 6,5

BAR
Mais uma vez, cerveja a R$5 em copo plástico, água a R$ 4. Atendimento simpático, tanto no caixa como no balcão.
NOTA 5

GERAL
Banheiro patrocinado é outra coisa, estava um brilho, mesmo nas últimas horas da noite. Mas o TIM Festival errou feio ao não trazer nenhum nome significativo (MGMT? Muito bom, mas qualé, os caras têm um álbum, duas músicas conhecidas só por um punhado de descolados) e cobrar um absurdo pelo ingresso. Na edição 2009, se é que ela vai rolar, que mantenham o único ponto realmente positivo no braço paulistano do evento: realizá-lo no Parque do Ibirapuera.
NOTA 3

MAIS TIM FESTIVAL 2008:
Confira a avaliação do show de Kanye West

Confira a avaliação do show de Marcelo Camelo

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24/10/08 - 1 Comentários


Marcelo Camelo subiu ao palco do Auditório do Ibirapuera para, finalmente, esquentar a terceira noite do TIM Festival. Depois de uma apresentação distante do que um grande festival deve mostrar, feita por Roberta Sá (que decepcionou quando agradeceu a platéia do "Prêmio TIM"), a fila para devolução de ingressos só aumentava. Eram os fãs desconsolados de Paul Weller (atração inglesa que pulou fora do festival e foi substituída por duas atrações: Roberta e Arnaldo Antunes) descontentes com a nova programação.

Arnaldo, sempre bom, encerrou a noite com show para um auditório vazio, com um terço da capacidade. A noite batizada de Bossa Mod (péssimo batismo, diga-se de passagem) era para ser recheada de inovação, com Camelo e Weller, virou um show inédito para os paulistas, o do ex-vocalista do Los Hermanos - sem dúvida o ponto alto da noite. O carioca entrou no palco por volta das 22h junto com o grupo Hurtmold e com o trompetista americano Rob Mazurek. Estava armado o concerto do primeiro CD solo de Marcelo Camelo em São Paulo. A apresentação mais cheia (quase lotada) da noite tinha na platéia fãs inveterados com as novas canções na ponta da língua e duas versões de músicas do antigo grupo de Camelo: "Morena" e "Pois É".


SOM

A banda Hurtmold quase engoliu o vocalista. O som primoroso do grupo paulista estava enchendo o ar do auditório de graça e virtuosismo, o que quase (eu disse quase) deixou Camelo em segundo plano. Foram momentos que misturaram jazz e rock progressivo da melhor qualidade. Se não fosse pela sua humildade em permitir os arranjos inusitados do Hurtmold e pela sua bonita poesia, Marcelo Camelo perderia o show. A qualidade técnica do auditório é boa, toda a leva de instrumentos podia ser ouvida com classe (xilofone, três guitarras, baixo, batera, trompete, sax, percurssão, voz....). Camelo acertou quando entrou em sintonia com a banda paulistana, sem que um ou outro tomasse a cena. Caso contrário, seria um desastre. E a potência sonora ao vivo bateu de longe a qualidade técnica do CD. Destaque para as músicas "Mais Tarde" e "Tudo Passa", tristeza por Camelo não ter tocado o samba-pierrot "Copacabana" e a melancólica "Santa Chuva".

NOTA 8


PÚBLICO

Seres modernosos ao quadrado, misturados a jornalistas famintos por novidades e uma ou outra gata de parar o trânsito. O fator preço (R$150), a desistência da grande atração (Paul Weller) e o fato de todos assistirem sentados a um show do ex-Los Hermanos (conhecido por arrancar gritos das fãs) afetaram a noite.

NOTA 6


BAR

Entre cada apresentação havia um tempo de aproximadamente 15 minutos para descer ao saguão e comprar uma Bohemia por R$4. A cerveja estava gelada, e se resumia ao saguão. Dentro do Auditório nada de birita.

NOTA 6


GERAL

O TIM Festival está amargando a falta de público. O evento é grandioso, porém murcho. O que se via eram muito convidados, alguns indiferentes sobre os shows. No caso desta terceira noite no Auditório o clima foi ainda mais amargo: a grande atração da noite não apareceu e as filas para devolução eram maiores do que as do bar.

NOTA 2

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23/10/08 - 3 Comentários


Trecho do show de Kanye West em São Paulo. Rap teatral para público empolgado.

Kanye West é o cara do hip hop atual. Produtor que circula em rodas da música antes não muito exploradas pelos rappers - não é qualquer um que faz parceria com o Chris Martin, do Coldplay, ou que revisita, e melhora, um hit do Daft Punk), o americano desembarcou com sua nave espacial no Brasil esta semana, para se apresentar no TIM Festival. A VIP conferiu o show em São Paulo, na noite do dia 22, e avalia o que realmente importa.

SOM
Grave bom, no hip hop e em qualquer música mais pesadona, é grave que dá soco no peito e não distorce. Além de potente, o som de Kanye West estava razoavelmente cristalino, empolgante nos maiores sucessos, como Champion e Stronger, que jogaram mãos ao alto e vozes ao uníssono. A galera se empolgou, Kanye tem presença e ego a ponto de não dividir o palco com um músico sequer. Apenas ele, um cenário galáctico meio kitsch, saído de um musical futurista (ou um enlatado tipo B), e um roteirinho que incluía diálogos com uma nave chamada Jane. Tosco, mas tá valendo.
NOTA 7

PÚBLICO
Só metade da arena montada no parque do Ibirapuera estava ocupada. Claro, R$ 250 para ver um show de um rapper com meia dúzia de músicas conhecidas é uma facada (aliás, por que pagamos tão caro por um show? Ouvimos anônimos e especialistas, confira). Mas quem foi se comportou, famosos deram as caras, como Alice Braga e Luciana Mello, e havia um número considerável de minas a caráter, gostosas e rebolantes no melhor estilo hip hop.
NOTA 7

BAR
Cinco reais por uma cerveja, infelizmente, já está virando padrão nos grandes festivais. E em copo de plástico, mesmo que em nome da segurança, enfraquece qualquer coisa. Pelo menos o atendimento era rápido e as barwomen, gatas e atenciosas - apesar de esnobarem o copo plástico usado para reenchê-lo de cerveja, jogando-o fora e dando um novinho para você. A natureza agradece, assim como as árvores decorativas na pista, com plaquetas de conscientização. Tsc tsc...
NOTA 5

GERAL
Mesmo com só um pouco mais da metade da arena para 4 mil pessoas ocupada, o calor já incomodava. Pouca ventilação, banheiros mal sinalizados e decoração/animação extra-show nula. Hoje tem mais TIM Festival, evento que já foi o melhor do Brasil. Vamos ver o que rola.
NOTA 3

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28/09/08 - 0 Comentários

Cadê os maloqueiros do Skol Beats? O evento está mais com cara de patricinha-de-TIM-Festival

Numa noite fria e em versão pocket, com apenas duas tendas principais, o Skol Beats 2008 foi "co-construído" (cacofonia escatológica na área!) pelo público, que votou e ajudou a escolher a seleção de artistas que se apresentaram. Direto ao ponto, a VIP avalia o que realmente importa na nona edição do evento.

SOM
Para ter status de atração principal, o duo francês Justice deixa a desejar no quesito carisma. A cruz iluminada que orna o palco tinha mais presença que os donos do hit D.A.N.C.E. Para compensar, a divindade eletrônica Marky faz o que quer no vinil e ainda hoje põe o povo pra dançar o sambinha frenético do drum'n'bass, suposto ritmo decadente, segundo os entendidos de plantão. A dupla alemã Digitalism abala.
NOTA 6

PÚBLICO
Os cybermanos viraram emos ou imigraram para o Grande Acelerador de Partículas, a máquina do Big Bang? No lugar dos amalucados de cabelos coloridos e máscaras de gás, muitos boyzinhos, mulherada gata (mas não farta) e, como sempre, um ou outro gato pingado, quer dizer, fritado, viajando dentro de seus óculos escuros. A falta de atrações realmente de peso deixou a muvuca longe. Festa sossegada.
NOTA 7

BAR
Bem distribuídos no terrível trajeto do sambódromo (atravessar a avenida para ir de uma tenda a outra é sacal) e sem filas enormes e tumultuadas, já que nem tinha gente para tanto. Cerveja pouco gelada (xii) e em copo plástico (putz).
NOTA 6

GERAL
Menos tendas é legal, atrasos nos shows principais não é legal, o sambódromo só é legal para o acesso a quem vem de fora de São Paulo. Um show grande, pelo menos, seria muito legal.
NOTA 5

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