Estivemos no Blessed Fight, evento de MMA, jiu-jístu, muay thai e submission que rolou num templo evangélico na zona norte de São Paulo
Por Cláudia de Castro Lima

Fazia frio em São Paulo na noite de 21 de maio. Mesmo assim, mais de mil pessoas foram até o número 1155 da avenida Ataliba Leonel, em Santana, na zona norte da cidade, para assistir à quarta edição do Blessed Fight, evento de MMA, jiu-jístu, submission e muay thai. O engraçado (na falta de uma palavra melhor) é que o “blessed” (abençoado) do nome deve-se ao fato de ele ter sido organizado por uma igreja evangélica – e de ter ocorrido dentro dela. No caso, a igreja Renascer em Cristo, aquela que era frequentada pelo jogador de futebol Kaká.
Lá dentro, um ringue foi montado em frente ao altar. Ele, aliás, serviu como uma espécie de ala VIP (até em evento de luta evangélica tem essa praga), onde ficaram sentados os organizadores, os treinadores e a comissão técnica dos competidores – além do Chico Lang (??). Eram 18 lutas casadas, uma delas um desafio internacional de MMA: Brasil x México. Eu estava lá porque meu professor de muay thai, o Ivam Batista, que dá aula na Fight Club e é atleta da equipe Still, lutaria na categoria profissional até 80 quilos. Prestes a ficar quarentão, ele decidiu que vai abandonar os ringues este ano, e, além desta, tem pelo menos mais duas lutas agendadas.
As pessoas começaram a chegar timidamente: o evento estava marcado para as 17h, mas a igreja encheu mesmo lá pelas 21h. Dentro dela havia, além da lanchonete da própria Renascer, três barraquinhas que vendiam salgadinho, refrigerante e bolo. Quando cheguei achei que tinha gelo seco no local, mas o cheiro de carne me fez perceber que era só muita, mas muita fumaça que vinha de uma churrasqueira, que estava na calçada, do lado de fora (um dos caras da organização anunciou no microfone a promoção: dois espetinhos por R$ 5).
As primeiras lutas não empolgaram muito: atletas meio apáticos e muito combate parado no chão. Confesso que não sou muito fã de jiu-jístu nem de submission, mas, quando a luta é pegada mesmo, acho até bacana. Não era o caso. A primeira luta realmente divertida foi uma feminina: Pamela Mara contra uma loira (não me lembro o nome dela, não era tão marcante quanto “Pamela Mara”). As duas lutaram com vontade, desferiram vários golpes com mãos e pernas e levantaram o pessoal. O desafio Brasil x México também foi bom: o mexicano teve que sair de ambulância do local (não que tenha sido bom por isso).
Tinha até esquecido que estava em um templo. Até que o pastor resolveu me lembrar. “Prometo ser breve”, ele anunciou antes de começar um sermão que, eu ia ouvindo de uma forma meio intermitente, falava de… “lepra”, …”leproso”, …”impureza”, …”Rio Jordão”, … e assim foi por uns… 40 minutos. Nosso conceito de brevidade realmente é bem diferente, pensei. As lutas recomeçaram depois de um interminável intervalo. As mais legais foram – tá bem, sou suspeita para falar, mas o público também achou – as de muay thai profissional. Numa delas, um atleta da equipe do ex-campeão mundial de muay thai Gibi (a Gibi Thai), que também é da Mancha Verde (havia vários caras da torcida organizada do Palmeiras lá), simplesmente detonou o adversário. Ele quase desmaiou no ringue e precisou de alguns minutos para conseguir sair de lá – carregado.
Assim que o atleta deixou o ringue, Ivam e seu adversário, 12 anos mais novo, subiram nele. Meu professor era bem superior – o cartel de 16 lutas profissionais e 14 vitórias contou a favor – e ele venceu por pontos. Metade da igreja era torcida dele (Ivam me contou que, sozinho, vendeu 120 ingressos). O mais divertido (para vocês, homens) é que quase 80% da torcida era composta por mulheres. As aulas do Ivam são lotadas de belas moças. Uma delas é uma tal de Sabrina Sato. “Blessed fight”, devem pensar os alunos da turma dela.
Foto: reprodução Facebook