Com muita chuva do lado de fora e um atraso de 50 minutos, o grupo cubano Orishas se apresentou para cerca de 6 mil pessoas no Via Funchal, em São Paulo, na noite do dia 27. A banda divulgou o novo álbum, ‘Cosita Buena’, e tocou antigos hits, como Represent, Cuba e A lo Cubano.
Quem queria ver um show com mais salsa e ritmos cubanos do que rap, se decepcionou. O Orishas veio sem banda – o trio Yotuel Romero, Roldan Rivero e Ruzzo se apresentou com um trompetista, um percussionista e um DJ. O som da casa, alto e abafado, comprometeu a qualidade musical do grupo.
Assim, com muito rap, o Orishas abusou do espanhol para falar com o público, que podia não entender quase nada, mas se agitou bastante. Especialmente a mulherada – gatas meio patricinhas numa quantidade e qualidade de respeito – que não se segurou com Yotuel Romero sem camisa. Algo totalmente dispensável.
Roldán Gonzalez, a voz mais característica do grupo, é responsável por lembrar visualmente que o Orishas é de Cuba. De cavanhaque, camisa aberta e blaser bicolor, ele liderou os passinhos ensaiados – às vezes com mulheres ou até uma menininha – no palco. Uma mistura de George Clooney com Borat dançando salsa.
Um dos pontos altos do show foi a participação de Fernando Ferrer cantando um dos maiores clássicos da música popular cubana, “Guantanamera”. Fernando é sobrinho de Ibrahim Ferrer, um dos maiores músicos do país e ex-membro do Buena Vista Social Club. Tipo um Caetano caribenho.
O Orishas se comprometeu a passar sua mensagem, o que, tratando-se de um grupo de rap de Cuba, significa falar de fome e do racionamento de comida na ilha de Fidel Castro. “A fome não tem cor, não é preta ou branca”, disse Yotuel, para o delírio da galera.
NOTA: 7
Escute Orishas no MySpace