John Bonham era um “o cara”

Há 30 anos, eu entrava na adolescência e começava a comprar meus próprios discos de rock. E ouvi no rádio que John Bonham, o baterista do Led Zeppelin, tinha morrido. Abatido por uma combinação de 32 ou 38 doses de vodca (as lendas urbanas já se alastravam na era pré-internet) com um estômago quase vazio num só dia. Tinha 32 anos naquele 25 de setembro de 1980.
Eu ainda não tinha nenhum disco do Led Zeppelin para chamar de meu. Mas eu sabia o que era Led Zeppelin. Havia anos. Criancinha, com 5 ou 6 anos – sei lá – ouvi pela primeira vez a música “Rock and Roll” na casa de um tio. E fiquei fascinado por todo aquele som massudo, pesado, que era introduzido por uma bateria altamente potente, barulhenta, explosiva.
(Só vim a descobrir muitos anos depois que aquela introdução de bateria era 100% clonada de “Keep-a-Knockin’”, um rock’n'roll tresloucado dos anos 1950 gravado por Little Richard. Há muitos que acusam o Led Zeppelin de ter cometido muitos plágios ao longo de sua carreira. Neste caso, parece mais uma citação/homenagem/tributo que um roubo explícito)
Aquela avalanche de John Bonham em “Rock and Roll”, abrindo alas para o estrondo da banda toda que entrava a seguir, me foi uma referência contínua do que eu gostava de ouvir, do que eu buscava ouvir, do que eu considerava rock. Foi uma educação. Conheço e gosto de vários gêneros musicais, muitos deles mais suaves. Mas sigo atraído pelo “efeito bomba atômica” que aquela música me anunciou na infância. É para o que pendo.
Não estou sozinho. Desde os anos 1980, quando a tecnologia começou a permitir o reuso de um ou outro trecho de um disco para criar outra obra completamente diferente (o fenômeno do sampler), muita gente manifestou seu apreço a toda massa sonora da bateria de John Bonham no Led Zeppelin “roubando” suas batidas para criar faixas de hip-hop e eletrônico.
De Beastie Boys a Chemical Brothers, muita gente boa “chupou” os beats de Bonham para enriquecer suas composições modernas. Dá para checar quem usou o quê no site Who Sampled, que cataloga usos de trechos de músicas em outras.
John Bonham não era apenas um baterista pesado. Batia forte, mas tinha ritmo, ginga. Metia a porrada e era também capaz de chacoalhar com um ritmo funk, todo quebrado (como em “The Crunge”, uma imitação brincalhona de James Brown que o Led Zeppelin fez num momento de farra e lançou em 1973).
O que mais me espantou quando comprei o DVD com apresentações do Led Zeppelin (algo que demorou três décadas para surgir, já que o Led Zeppelin não era uma banda que se apresentava em programas de TV nem deixava seus shows serem exibidos) foi que as partes mais intrincadas e carregadas que eu ouvia em discos eram tocadas por Bonham sem se descabelar, sem maiores gotas de suor.
Dos repiques de “Misty Mountain Hop” à locomotiva de ritmo de “In My Time of Dying”, tenho vários momentos favoritos de John Bonham. A apreciação é predominantemente feita pelo áudio (CD, MP3, vinil, o que for). Há pouquíssima coisa em vídeo. E pouquíssima no YouTube. Para indicar aqui, levantei algumas das coisas que existem:
*Seu solo-padrão em “Moby Dick”, aqui durante um show de 1970:
*No mesmo show, a explosiva “We’re Gonna Groove”:
*A última entrevista de Bonham (para a TV inglesa em 1980)
*Um minidocumentário da BBC inglesa, com alguns trechos de shows e músicas e depoimentos de bateristas como Dave Grohl (Nirvana e Foo Fighters), Roger Taylor (Queen), Ian Paice (Deep Purple), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) e o filho do homem, Jason Bonham (que tocou no lugar do pai com o Led Zeppelin no show único que a banda fez em Londres em 2007):
*Uma câmera fechada nele durante um show na França em 1969:
E tem muito mais a descobrir, só com os ouvidos ou também com os olhos. Mas o que é rock para mim, reconheço hoje, passa muito pelo que ouvi da bateria de John Bonham.











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é isso mesmo! eu amo led zeppelin e admiro muito o John,com suas batidas surreais.