Senna: imperdível para fã, bom filme para quem gosta de esporte
Por Rodrigo França*
O filme Senna, com estreia nesta sexta-feira (12) nos cinemas brasileiros, é um documentário de 1h47 sobre a trajetória do piloto brasileiro na F-1. A maioria absoluta das imagens se concentra entre os anos de 1984 e 1994, quando Senna conquistou seus três títulos mundiais e alcançou a aura de herói nacional – e de mito do esporte mundial, após a tragédia em Ímola.
Para os fãs, é um programa imperdível: cenas inéditas não apenas do tricampeão, mas também das discussões dos pilotos (a participação de Nelson Piquet defendendo Senna em uma delas é não apenas rara como simplesmente impagável, com a tradicional irreverência de Piquetzão) e até do austríaco Roland Ratzemberger – que morreu um dia antes de Ayrton, nos treinos de sábado do GP de San Marino de 1994.
Em entrevista com o diretor do filme, Asif Kapadia, que veio a São Paulo para promover o filme e também para assistir à penúltima etapa da F-1, disputada no último domingo, em Interlagos, o britânico destacou a importância destas cenas de Ratzemberger. “Todo mundo sabe que ele morreu no dia anterior da tragédia com Senna, mas nunca ninguém viu a cara dele. E conseguimos uma imagem que mostra ele reclamando da instabilidade de seu carro, e ainda observando o resgate de Rubens Barrichello”, diz Kapadia à VIP, citando o dramático acidente que também ocorreu em Ímola, nos treinos de sexta-feira.
A ascensão meteórica de Senna (com a magistral corrida na chuva em Mônaco, em 1984), a rivalidade com Prost na McLaren, as batalhas épicas no GP Brasil, a luta contra a Williams “de outro planeta” (de 1992), enfim, está tudo lá. A estética anos 1980, uma cena de Ayrton com Xuxa e uma entrevista de um Prost canastrão ajudam a descontrair o filme em diversos momentos. Mas é claro que a história, todos sabemos, terá um final triste.
Além de ser um grande programa para quem é fã de Senna, o filme também agrada aos que gostam de esporte – e querem entender mais sobre aquele que é considerado o melhor piloto de todos os tempos. Embora dure quase duas horas, “Senna” tem ritmo de um típico filme de Hollywood, sem usar os clichês de documentário, com entrevistas atuais – apenas o comentarista Reginaldo Leme faz intervenções vez ou outra sobre a carreira do brasileiro.
E, quando a telona no cinema mostra a câmera on board de Senna em uma volta rápida em Mônaco, é como presenciar um golaço no futebol: dá vontade de sair da sala e pagar outro ingresso.
*Rodrigo França é jornalista especializado e escreve sobre F-1 para a VIP













