Seis estratégias vikings contra dragões da rede
A internet tem sido um refúgio das simpáticas, que despistam sua imagem para esconder a falta de dotes físicos. Como descobrir se elas fazem isso? Confira seis indícios trazidos pela experiência araponga nos domínios estéticos da web
Por Fabrício Carpinejar
Ilustração: Bruno Borges

CITAR O PEQUENO PRÍNCIPE: o livro curiosamente voltou à lista dos mais vendidos no país. Eu sei o motivo. Antes, era leitura obrigatória de 100% das concorrentes a miss. Todas as candidatas citavam como a grande obra da humanidade. Agora, as bruacas fizeram uma revolução sexual e tomaram Saint-Exupéry para si. Se a mulher menciona que “o essencial é invisível aos olhos”, ponha na cabeça que ela não é bonita e nunca será. Está dando a letra de que não se importa – não com a sua – com a própria aparência. Pede perdão antecipado. Espere uma Fiona, sem depilação e desalinhada.
FRAGMENTAÇÃO: um dos recursos da feia na rede é nunca usar uma foto do rosto inteiro ou do corpo nas páginas pessoais do Facebook, do Orkut, do Twitter, do MSN e do blog. É um detalhe da face, aquilo que ela acha menos problemático, pode ser um olho, um ouvido, a boca, até um pé. Esconde seu trauma bancando a cult. Toda feia é seguidora de Jean-Luc Godard e dos enquadramentos camicases.
EMOTICONS: conhece a namorada que traz o ursinho de pelúcia para a primeira noite com você? Na internet, existe algo pior: os emoticons, desenhos nas cavernas do MSN. Feia abusa desse recurso e infantiliza a linguagem para ganhar empatia.
SEM WEBCAM: a menos favorecida não vai aparecer na webcam para uma conversa no Skype (muito menos aceitará encontro presencial no primeiro mês). A câmera dela vive quebrada.
TERMOS AVOENGOS: o dicionário é a bolsa da feia, sua necessaire, ela esbanja uma média de sinônimos superior a uma mulher comum de sua idade. Parece bem mais velha, significa que dedicou boa parte de suas noites à leitura de clássicos, enquanto as cinderelas viraram as madrugadas em baladas. Se uma mulher comum é tagarela, com uma média de 20 mil palavras por dia, as menos bonitas têm uma bagagem de mais de 30 mil palavras diárias. Ela empregará expressões lustradas por Brasso e do tempo de Camilo Castelo Branco, a exemplo de soslaio, esguelha, claudicante, pernóstico.
ROMANTISMO DOS NICKNAMES: feia que é feia não faz propaganda enganosa, a ponto de alardear que é gostosa, linda, quente, fatal. Sua timidez percorrerá os cumes do romantismo poético e da astrologia. Seu nome em chat será uma metáfora. Quanto mais lírico e esotérico, pior a face. Se ela falar com você com o nickname “admiradora_do_ sol” ou “destino_das_estrelas” ou “sacerdotisa_do_mar”, prepare-se para o vale das sombras.
———————
Fabrício Carpinejar é cronista e jornalista, homem-monstro, pós-graduado em segundas intenções, autor de Borralheiro (Bertrand Brasil), entre outros.










