70 anos de Ali
Ele brigou no ringue por seus títulos de boxe e brigou fora dele para combater o racismo. Alegre, desbocado, artístico, técnico, inovador, Muhammad Ali transcendeu o esporte como nenhum outro. Um mito para o qual outros mitos prestaram reverência – Por Marcelo Orozco
Que os reis, deuses e gênios de outras modalidades desculpem, mas Muhammad Ali é o maior ícone saído do esporte. Um mito pop e social. Ele faz 70 anos em 17 de janeiro, fragilizado pelo Mal de Parkinson causado pelos socos que tomou nos ringues e com a imagem histórica intacta graças a estes fatores:
O boxeador
Nos ringues, Ali foi brilhante, vencedor e inovador. Campeão olímpico e três vezes campeão mundial profissional (aos 22, 32 e 36 anos). Inteligente e estratégico, aplicava golpes certos na hora certa sem desperdício espalhafatoso de força. Superou Golias demolidores e se esquivava da maioria dos socos com uma agilidade incomum para m peso-pesado. E demoliu o clichê de que lutador deve bancar o guerreiro com cara de mau: sorria, dançava, zombava. Criou alegria num meio bruto.
O ativista
Ali aproveitou seus triunfos para ser ouvido num assunto sério: o racismo, ainda fortíssimo nos Estados Unidos dos anos 1960. Nascido com o nome de Cassius Marcellus Clay no segregador Sul americano, ele viveu ingenuamente até não ser atendido em um restaurante logo após ter sido campeão olímpico em 1960. Ferido com a injustiça, converteu-se aos engajados Muçulmanos Negros de Malcolm X e mudou seu nome para Muhammad Ali depois de ganhar o título mundial em 1964.
Seus ataques à discriminação pareciam apenas bravata. Até que ele tomou uma atitude radical: recusou-se a servir na Guerra do Vietnã em 1967. Para ele, não fazia sentido combater um povo distante por um país em que os negros eram tratados como pessoas de segunda classe. Teve seu cinturão cassado, foi proibido de lutar e esteve bem próximo de ir preso. Manteve-se firme. Aos poucos, a opinião pública virou a seu favor. Em 1970, ele voltou aos ringues como gigante moral e herói popular.
O ícone dos ícones
Por tudo que fazia, Ali virou ímã de ícones de outras áreas. Bob Dylan o citou numa música. Os Beatles lhe serviram de bobos da corte. Frank Sinatra fotografou sua luta contra Joe Frazier em 1971 para a revista Life. Woody Allen o entrevistou na TV. O adolescente Michael Jackson o fez de capacho numa foto. Pelé fez dele o principal convidado de sua despedida do futebol em 1977.
Simulou golpes com Elvis Presley e Sylvester Stallone. Posou para Andy Warhol fazer quadros que hoje valem muito em leilões. E sua luta épica com George Foreman em 1974 rendeu um livro de um dos principais escritores do século 20 (A Luta, de Norman Mailer) e um documentário que ganhou Oscar (Quando Éramos Reis).
O rei da autopromoção
Ali não tinha vergonha de se promover de vários jeitos. Tanto que foi um “pai” do MMA: em 1976, decidiu um suposto Campeonato Mundial de Artes Marciais com Antonio Inoki, campeão japonês de luta livre . O combate foi patético e terminou empatado. Mais bizarra que essa, só a “luta” de Ali contra o Superman numa HQ lançada em 1978 (a editora Panini acaba de lançar no Brasil uma edição em capa dura dessa história).
Autointitulado “The Greatest” (O maior) desde o início da carreira, Ali lançou três obras com esse nome: um LP, um livro e um filme. Mas a verdadeira “bíblia” dele é Greatest of All Time, enorme livro de luxo lançado em três versões pela editora Taschen. Uma, com mil cópias numeradas e autografadas por Ali, custa US$ 15 mil. Outra sai por US$ 6 mil. A mais básica está por US$ 150. Poucos têm cacife para receber um tratamento privilegiado (e sem medo de encalhe) como esse.



Helena Ramos
Matilde Mastrangi
Vera Fischer
Adele Fátima
Nádia Lippi
Aldine Müller
Nicole Puzzi
Sempre que estava bêbado no bar com a rapaziada, ele costumava dizer: “Mulher não pode encher o saco, porra!”. Era uma crítica indireta aos amigos e ao patético jogo de cintura com o qual precisavam se desdobrar a cada pedido de alvará para o chope, o pôquer, o futebol, a balada. No íntimo, ele se vangloriava por ser entre todos na turma o que mais liberdade tinha. “Saio quando quero, faço o que quero.” E de fato era mesmo. Não só com a atual mulher, mas também com as últimas três ou quatro namoradas. Quem pensasse que ele só escolhia mulheres liberais estava enganado. Todas essas garotas já haviam passado por relacionamentos em que os cinzeiros voam e que começam na cama redonda e terminam no divã.
Luiza morava com um cara que tinha bruxismo. Rangia os dentes muito alto quando dormia. “Eu só conseguia pegar no sono alcoolizada”, dizia. Às reticências de resposta, defendia-se: “Gente, é sério!” Ismael e Felipe se embriagam para movimentar a economia do país. “O bar da esquina está falindo, vamos ajudar.” Marcos também tem motivações estratégicas. Bebe cachaças de regiões pobres, feitas por produtores locais.


Fabiana foi a primeira mulher da minha vida. Nós estávamos na pré-escola e começamos a namorar. Foi na década de 1970. Ficamos completamente apaixonados. Tínhamos 5 anos. Não desgrudávamos um minuto. Na hora do intervalo, passávamos o tempo todo fingindo que estávamos nos casando. A gente andava de um lado para o outro do pátio da hoje extinta Escola Dinâmica, em SP, em posição de valsa, com os rostos colados, cantando a melodia da marcha nupcial. Achávamos que era assim que se casava. Até que alguém nos falou que estava errado e mostrou que o jeito certo seria com os braços entrelaçados. Eu não podia acreditar. Era muito chato da maneira certa. Fabiana também achava. Então continuamos a nos casar andando de um lado para o outro, em posição de valsa, com os rostos colados.
Elas tremem quando acham no computador do cara os tais “vídeos educativos”, para citar uma expressão clássica. Ou fotos, seja no PC ou no – ai, ai – banheiro. O ápice do susto feminino é quando alguma descobre que o amado, aquele homem que sabe tudo sobre mitologia grega e vinhos, já frequentou, hã, casas de moças de família. “Só para ver como era”, ele esclareceu.
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