Os objetos “esquecidos” pelas mulheres
Rastros deixados pela casa no dia seguinte podem revelar muito. Até o que elas acharam do seu desempenho na cama
Por Rogério Pacheco Jordão
Ilustração: F.N.
Não há bicho na Terra que não demarque território. Os leões e leoas rugem. As formigas deixam trilhas de feromônios, substância química que permite o reconhecimento mútuo. Deve funcionar, afinal elas estão por aqui há mais de 100 milhões de anos. Já na nossa espécie os rituais parecem mais elaborados. Ao menos para as fêmeas. Para além de seus dotes naturais, elas têm à disposição um arsenal de objetos a auxiliá-las na tarefa. Particularmente os que são deixados para trás após uma noitada. Mas nem sempre seus signifi cados são tão óbvios.
Os mais difíceis de decifrar são os menos íntimos. Estão nesta categoria itens como carteira de cigarros, isqueiro e aspirina. Muitas vezes dizem apenas uma coisa: ressaca.
Já um colarzinho, uma pulseirinha, pode significar: até breve. Uma demarcação sutil de território, principalmente se o objeto for esquecido em lugar improvável: na fenda de um sofá, por exemplo. Talvez fique lá por dias, semanas ou meses. Um colar vistoso com um pingente chamativo… então a simbologia muda. Trata-se de um apelo, uma entrada quase triunfal em sua vida. Uma vez um sujeito ganhou um desses. Devolveu-o pelo correio.
Mas há os sinais mais evidentes. A mulher que esquece um sutiã está fazendo um elogio de cunho sexual: a noite foi boa. Ela deixouse ali por inteira, de certa forma. É provável que queira voltar. Ao encontrar o objeto, é compreensível que sua reação inicial seja de contentamento, a sensação de sentirse macho diante de uma fêmea. Uma vitória, digamos. Mas se quem achou foi sua namorada ciumenta, e a peça não for dela, bem aí o desfecho é outro. Já houve caso de sutiã atirado pela janela. Girou como a hélice de um helicóptero pousando sobre o capô de uma Kombi. Às vezes, as melhores lembranças de um baladeiro simplesmente desaparecem na próxima esquina.
Bem, no caso de uma calcinha, isto é evidentemente uma provocação, e das mais gostosas. Sinal de que a noite não foi boa, mas excelente – dessas que podem ficar na memória por anos, vai saber. E encontrar uma calcinha no dia seguinte nem sempre é fácil, pode estar em qualquer lugar. Até secando no motor detrás da geladeira depois de noitada forte (aconteceu com um amigo, mas ele não me disse como foi que ela se encharcou). O que fazer com o achado, aí é gosto pessoal. O dono da geladeira até tentou devolver a lingerie, mas sem sucesso. Ao cruzar com ela na rua não foi reconhecido. Caso raro, mas acontece.
De toda forma, nunca é bom menosprezar os objetos deixados para trás pelas mulheres. Estes podem ser mensagens, como os feromônios das formigas. Mas também revelar intenções ou encerrar mistérios. E mesmo servir de inspiração para uma crônica.










