Livros riscados

Para o jornalista Kleyson Barbosa, ler livros não basta. É preciso dialogar com eles. Trocar sensações com seus autores por meio das palavras impressas no papel. Os melhores trechos ganham de Kleyson um grifo que eterniza o sentimento experimentado ao lê-los. Para compartilhar essa mania de sublinhar o que mais gosta nas obras, o jornalista criou o Grifei num Livro, blog com trechos marcados por ele e pelos leitores. Shakespeare, Caio Fernando Abreu, Jorge Amado, Italo Calvino… Vale tudo, desde que seja bom. A coleção aumenta a cada dia. Falei com Kleyson para saber mais sobre o projeto.
Você não tem dó de grifar seus livros?
Não, nenhuma. Na verdade, eu adoro livro marcado, grifado, sublinhado. Desde pequeno acho bacana você “sentir” que alguém se emocionou ao ler aquela parte. Tem um casal de amigos meus — que não são mais um casal hoje — que um dia, falando sobre grifar, contaram que se apaixonaram porque viram o que o outro tinha escrito no livro. Foram vendo afinidades e tal. Eu sei lá por que, desde pequeno, fico impressionado com isso. Antes, eu tinha dó, confesso. Só marcava as páginas. Mas depois eu comecei a grifar e aí foi.
De onde surgiu a ideia de fazer um tumblr de livros grifados? Desse casal de amigos?
Não, nem foi. Eu sempre quis ter um tumblr. E eu adoro projetos, sabe? Meus amigos brincam que eu penso num blog a cada dia. Só que se eu tenho ideias mil de projetos, eu tenho tempo zero pra eles. Um dia uma amiga me pediu um trecho de uma peça — ah, eu coleciono trechos de peças de teatro — e ela postou no tumblr dela. Eu achei lindo e falei “por que não faço um tumblr com grifos dos livros?”. A ideia é simples: eu já grifo mesmo; é só fotografar. Daí criei o tumblr — que não é só um tumblr viu? É um projeto todo: tem instagram também.
Você usa tumblr e instagram, que são o que há de mais “tendência” hoje. Ao mesmo tempo, os trechos grifados são de livros antigos — Clarice, Drummond, até Shakespeare. Literatura feita há mais tempo é mais “grifável”? Apetecem mais aos olhos do que a literatura do século XXI?
Não, nem é. É que vem mais por aí. Hoje mesmo era pra eu ter postado José Paulo Paes — que nem é old, vá. Tem Kurt Vonnegut na espreita. Tem Nick Hornby. Foi só porque os livros mais clássicos estavam coincidentemente na minha estante primeiro. Por ora, tem frases clássicas de Clarice e Shakespeare que eu sei de cor. Tenho um carinho todo pelos dois. Caio Fernando Abreu também. Fiz um “Caio Fernando Day”, viu lá? Só trechos dele no dia.
Para você, o que um trecho ou uma sentença deve ter para ser grifada? Há critérios?
Sim. Que toquem. E “é só isso”, como diz a música do João Gilberto [Bim Bom]. Sou um moço romantico. Daí, se tocou eu grifo, seja pela boa sacada, pela boa piada, pela capacidade de expressar algo especial.
Qual é o seu escritor mais grifado?
Cortázar, acho. E Caio Fernando. Não sei isso de cor mesmo, não é algo que fico noiado procurando. É de coração a coisa, sabe?
O tumblr é colaborativo, né? Galera pode mandar seus grifos…
Claro! Mandem, por favor: grifeinumlivro@gmail.com. Ficarei feliz em receber colaborações. Sabe que rolou algo bacana: muita gente já veio me falar que também grifa livro. Amei os comentários.











1 comentário
adorei!