Da revista: dezembro*
Keith, o indestrutível
O stone gente boa abre o arquivo de drogas e outros abusos
Aos 66 anos e ainda na ativa, Keith Richards é o ser humano mais cotado para sobreviver ao apocalipse, junto com as baratas. Com quase meio século de Rolling Stones cravado nos calos que carrega nos dedos, o guitarrista acumula histórias do nascimento do rock e, em especial, da banda que influenciou gerações. Em seu novo livro de memórias, Vida (Globo Livros, 672 páginas, R$ 49,90), Keith repassa suas lembranças – aquelas que sobreviveram às drogas – sobre momentos públicos ou pouco conhecidos dos Rolling Stones, como a turnê de 1972 apelidada de Alvorecer de Cocaína e Tequila e o tempo em que os ingleses da banda ficaram hospedados na mansão Playboy. Excelente livro para quem curte os bastidores imundos do rock. Confira um trecho:
“Eu atribuo minha sobrevivência não apenas à máxima qualidade das drogas que eu tomava. Eu era muito meticuloso em relação à quantidade. Eu nunca usaria um pouco mais para ficar mais chapado. É aí que a maioria das pessoas se f*de com as drogas. A ganância nunca me afetou.”
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Inspire-se no maior ator anti-hollywoodiano
Biografia de Paul Newman revela um homem avesso à badalação do cinema e bem-sucedido em tudo
Paul Newman: Uma Vida (Agir, 496 páginas, R$ 59,90), nova biografia do crítico Shawn Levy, mostra as facetas do homem que se deu bem no cinema, no automobilismo e até mesmo na indústria alimentícia. E que, de quebra, foi um grande filantropo. Veja três “gols” de Paul Newman que você não encontra nas locadoras:
- Apesar do sucesso no cinema, em filmes como Rebeldia Indomável, Butch Cassidy e A Cor do Dinheiro, Paul Newman ganhou mais dinheiro com sua empresa alimentícia. Mas todo o lucro da Newman’s Own era revertido à caridade. Estima-se que, em 25 anos de filantropia, Paul tenha doado quase meio bilhão de dólares a instituições criadas por ele, como colônias de férias para crianças com câncer.
- Galã de Hollywood, poderia aproveitar o farto mundo de sexo, drogas e rock’n’roll característico dos bastidores da indústria cinematográfica. Contudo, Newman preferiu se manter afastado dos holofotes e da badalação e foi morar no outro lado dos EUA, em Connecticut, onde viveu por meio século ao lado de Joanne Woodward, sua segunda mulher.
- Newman tinha mais de 40 anos quando decidiu levar o automobilismo a sério. Participou de provas como 24 Horas de Le Mans e 24 Horas de Daytona. Apesar da idade e do problema de daltonismo, conquistou quatro títulos nacionais e duas vitórias como piloto profissional, além de outros oito títulos nacionais e quase 200 vitórias à frente de sua equipe, a Newman-haas Racing.
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Outros lançamentos
Nada me Faltará
Lourenço Mutarelli | Companhia das Letras
136 páginas | R$ 37
Só com diálogos, sem descrições, Lourenço Mutarelli mantém o tempo suspenso em todas as páginas de Nada me Faltará. Após um ano sumido, Paulo reaparece. Mas, para ele, nada aconteceu – o tempo não passou. Ele não tem vontade de trabalhar, de sair, nem saudade da mulher e da filha, também desaparecidas. A suspeita: teria ele dado fim à família? Livro de narrativa ligeira e suspense de primeira com boa dose de loucura.
Snuff
ChuCk Palahniuk | Rocco
208 páginas | R$ 32
Eis um convite para a gravação de um filme pornô histórico: uma conceituada atriz quer bater o recorde de 600 parceiros. Chuck Palahniuk leva o leitor aos bastidores da produção, a conversas com outros parceiros – como o número 137, ex-apresentador de TV, e o 72, jovem que guarda boas memórias de ver a atriz em cena – e a descrições pormenorizadas das atividades sexuais. Bem sacana… digo, bacana.
* Antes tarde do que nunca, não é?











