Aldous Huxley: um profeta anarquista
Em sua obra máxima, Admirável Mundo Novo, o inglês Aldous Huxley descreveu, em 1932, uma sociedade futurista pautada pela ordem excessiva — desde o controle genético por gerações ao condicionamento mental em prol de uma suposta harmonia plena.
Uma pílula da felicidade. A religião tida como artifício do ignorante. Fertilização in vitro. Lavagem cerebral por meio da propaganda. Tais eram ferramentas de controle social que propunham uma felicidade ilusória em que nada se questiona. Conflitos e dúvidas não faziam parte do cotidiano de tal civilização, cujas ansiedades eram controladas quimicamente pelo soma, uma droga que extirpa os indícios de insatisfação. Com todos os homens felizes — ou induzidos à felicidade –, o controle sobre a sociedade é infinito, pois se restringem as escolhas da vida.
Algumas de suas previsões são realidade hoje. Ainda que nos droguemos em busca de uma certa felicidade, ainda que possamos procriar por meio de tubos de ensaio, ainda que nos deixemos seduzir pela ideia panfletária de ordem para o progresso, o futuro proposto por Huxley é catastrófico. No processo evolutivo, as dúvidas, os medos, os credos, os conflitos têm um papel fundamental. O homem é o que é devido às indagações de gerações anteriores. Ou seja, de forma resumida e até mesmo ingênua, a curiosidade que matou o gato fez sobreviver o homem.
Talvez você, leitor, extraia outras lições de Admirável Mundo Novo. O que eu aprendi diz muito sobre a dádiva da anarquia (moderada, claro) e sobre sempre ir além do que se mostra por aí. É duvidar da ordem em demasia, do condicionamento perpetrado pelo sistema. Ou, como dizem hoje em dia, “pensar fora do quadrado”. Amanhã, 22 de novembro, é aniversário de 47 anos da morte de Aldous Huxley. Que sua mensagem perdure por gerações, por séculos depois de Ford.
Achei este trecho do documentário End Game, de Alex Jones. Trata-se de um discurso de Aldous Huxley sobre a ditadura científica do futuro retratada em Admirável Mundo Novo.


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