Autor

Substantivo Masculino

por Tiago Lopes

O blog de literatura da VIP. Porque nem só de orgias, bebedeiras e jogatinas vive um homem.



Com a faca e o livro na mão

O nosso designer Dair Biroli tuitou (@biroli) a dica com a seguinte mensagem: “isso é doentio.” Fui conferir e achei que tinha tudo a ver com este blog…

Conheço quem usa livros para enfeitar a mesa da sala (uma sugestão bacana é Jazzlife, de Willian Claxton, pela Taschen). Para se distrair no banheiro (acredite: ler qualquer título de Malcolm Gladwell ajuda o intestino a funcionar). Até mesmo para calçar aquela escrivaninha bamba ou prender a porta (nestes casos, a espessura ou o peso da obra é determinante). Mas o artista plástico norte-americano Brian Dettmer foi além. Ele usa livros para fazer esculturas. Talhando folhas de manuais e enciclopédias, Dettmer cria peças em relevo que ora seguem o tema original do título, ora subvertem a proposta inicial do autor do livro. Não se trata de colagem — o material usado nas esculturas é todo parte da obra.

Em seu site, Dettmer explica o processo de criação:

Neste trabalho eu começo com um livro existente e lacro suas bordas, criando um recipiente fechado cheio de potencial a ser descoberto. Corto na superfície do livro e passo a dissecá-lo a partir do começo. Trabalho com facas, pinças e instrumentos cirúrgicos para esculpir uma página por vez, expondo cada camada durante o corte em torno de ideias e imagens de interesse. Nada dentro dos livros é realocado ou implantado, apenas removido. Imagens e ideias são reveladas para expor histórias e memórias alternativas. Meu trabalho é uma colaboração com o material existente e os seus antigos criadores, e as peças finalizadas expõem novas relações com os elementos internos do livro exatamente no local onde eles têm estado desde a sua concepção original.

Para conhecer mais do trabalho interessante de Brian Dettmer, visite seu site e seu flickr.

Em tempo: na sua opinião, que livro ( com ilustrações ou não) daria uma bela escultura? Responda nos comentários e ganhe… um… er… Bem, não ganhe nada. Mas responda, ok?


Taxi Driver, o livro

A Taschen acaba de lançar um livro sensacional para os fãs de um bom filme. Trata-se de Schapiro, Taxi Driver, obra que traz imagens sobre o filme Taxi Driver, rodado em 1976, sob a batuta do genial Martin Scorsese. Steve Schapiro, fotojornalista que fez o trabalho do pôster do filme na época, retratou os bastidores deste clássico durante as filmagens. São 328 páginas repletas de imagens — das quais 95% nunca foram publicadas antes — com toda a loucura do veterano da Guerra do Vietnã e taxista inconformado Travis Bickle (Robert De Niro),  a pureza perdida da prostituta de 12 anos Iris (Jodie Foster) e a cabo eleitoral por quem Travis tem uma queda, Betsy (Cybill Shepherd). Para quem tem uma grana de sobra — afinal, é um investimento de 700 dólares –, esta é uma dica bem bacana.

Eu já escrevi um post sobre livros que se tornam filmes, mas nunca havia pensado no inverso: filmes que se tornam livros — em fotos ou mesmo em textos. Na minha opinião, Cães de Aluguel daria um bom livro; Avatar não. E para você? Que filmes resultariam numa boa obra literária? E quais aqueles que não seriam dignos de preencher uma folha de papel?

(Dica do Gustavo Bacan, nosso editor de arte.)