Discografia comentada: The Rapture
por Tiago Lopes
O primeiro grande show de 2011 também foi o melhor show de 2011. Quem viu o LCD Soundsystem no dia 18 de fevereiro do ano passado, custa a pensar de outro jeito. O primeiro grande show de 2012 é o da banda nova-iorquina The Rapture e, não sei vocês, mas só a clássica formação do Kinks cantando Arthur na íntegra pode topar esse show, que acontece na quarta-feira, dia 25, no Cine Joia.
Isso ou alguma coisa inesperada que escape dessa previsão cega de empolgação. Mas o exagero tem muita base para existir. Com três discos lançados num espaço de oito anos (e dois ep’s antes do primeiro álbum oficial), o Rapture já ocupa um lugar confortável na linha do tempo que enumera as grandes bandas desse início de século. Segue uma breve retrospectiva da discografia da banda, para manter a ansiedade em um alto e justificado nível.
Todos os discos estão disponíveis para streaming, na íntegra, no site da banda: http://therapturemusic.com/music
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O primeiro, Echoes (2003), ainda possui o maior sucesso da banda, a ilimitada House of Jealous Lover. A música é tão boa que os caras contam até oito só para esticar pelo maior tempo possível o melhor cruzamento de cowbell e palminha da década que passou. Também continua tocando em baladas como se tivesse sido lançada ontem. O resto do disco é tão excelente quanto seu momento mais famoso. A voltagem segue alta em I Need Your Love, The Coming of Spring e na música que dá nome ao disco. Ainda tem duas baladas de rachar a mais espessa das couraças (Open Up Your Heart e Infantuation) e chega mais próximo do pós-punk que usou como referência máxima nas músicas Killing e Sister Savior.
Cotação: 10 galões de suor dentro de uma jaqueta estilosa.

Já em Pieces of the People We Love (2006), a banda muda o foco para não perder a capacidade de impressionar. Sai o punk, entra a disco e o funk como alicerces para a construção de um disco tão enérgico quanto o de estreia, mas bem mais produzido e carregado de suingue (ahem). Whoo! Alright, Yeah… Uh Huh é o nome da melhor música do álbum, tão divertida quanto seu título. No final da faixa, o vocalista faz a mais pessimista reflexão sobre uma pista de dança justo no momento mais barulhento e animado do disco. Os versos “People don’t dance no more / they just stand there like this / they cross their arms / and stare you down / and drink and moan and diss” são seguidos de guitarras prontas para desmentir uma observação até acurada. Ainda tem as elegantes Pieces of the People We Love e First Gear; The Devil, saída diretamente da boate de Tony Montana; e os únicos equívocos do Rapture: Calling Me e Living In Sunshine.
Cotação: um globo de discoteca aparecendo do nada na hora do play.

Cinco anos separam o lançamento de In The Grace Of Your Love (2011) do disco anterior do Rapture. Nas dezenas de entrevistas que os integrantes deram para divulgar o disco, explicaram incansavelmente os motivos da demora. Resumindo: a mãe do vocalista cometeu suicídio, um dos membros deixou a banda (segundo os que ficaram, ele não se importava com os outros), o vocalista deu um fim à banda (só voltou atrás porque levou uns petelecos do James Murphy, líder da finada LCD Soundsystem), e todos estavam cansados dos percalços de ter uma banda (turnês extensa, distância das famílias).
Como encaixar tudo isso no ainda firme objetivo de fazer as melhores músicas para dançar? Mantem o ritmo em alta voltagem e expurga todo o resto nas letras. Só que Luke Jenner, vocalista e principal compositor, escolheu a rota do otimismo e, ao invés de se lamentar, busca conforto na sensação de gratidão (por estar vivo, por ter uma mulher que o ama) nas letras mais espertas que já criou. Daí que In The Grace Of Your Love é um dos discos mais bonitos, sinceros e, caramba, animados do ano passado.
How Deep Is Your Love? tem quase sete minutos de uma batida de piano incessante, que só melhora quando acompanhada de palminhas, saxofones e panderola (substituindo o cowbell onipresente nas melhores da banda). Ainda tem dois rocks de pista (Sail Away e Children), uma trinca de fazer suar o mais ortodoxo dos esquimós (Come Back To Me, In The Grace Of Your Love e Never Die Again) e Roller Coaster, a balada oficial para cantar para a mulher depois de provocar aquela discussão panaca.
Cotação: agradando os extremos do corpo (pés e cabeça) da melhor maneira.











