Há exatos cem anos, na manhã de 10 de abril de 1912, o padre jesuíta irlandês Francis Browne, de 32 anos, embarcou no transatlântico Titanic no porto de Southampton, Inglaterra. Ele ganhou uma passagem de presente de um tio.

Ali, a embarcação iria iniciar sua primeira viagem para se consagrar como o maior navio de passageiros já feito até então. E o mais luxuoso. E “inafundável”, conforme prometiam seus construtores. O destino final seria Nova York, nos Estados Unidos.

A bordo, o padre Browne dedicou-se ao seu hobby: fotografia. Fez dezenas de imagens dos diversos ambientes do Titanic (do convés à academia de ginástica e o restaurante para a primeira classe) enquanto o navio ia de Southampton até Cherbourg, na França, para uma escala e dali para Cobh, na Irlanda, para mais uma parada antes de se aventurar pelo Oceano Atlântico rumo à América.

O padre Browne desceu em Cobh no dia 11 para regressar a Dublin, capital da Irlanda, onde estudava teologia. Ainda fez uma última foto do navio partindo (veja acima, no topo do post).

Três anos depois, o padre Browne foi convocado para servir de capelão durante a 1ª Guerra Mundial (foto ao lado). Morreu em 1960, aos 80 anos.

O Titanic seguiu pelo Atlântico até bater em um iceberg nas congelantes águas a 580 quilômetros de Newfoundland, no Canadá, às 23h40 (hora local) de 14 de abril de 1912. Pouco mais de duas horas e meia depois, o navio avariado naufragou por completo. Das 2 224 pessoas a bordo, 1 514 morreram no mais famoso acidente marítimo do século 20.

Pela tragédia, as fotos do padre Browne acabariam ganhando um status de documento histórico que talvez ele nem imaginasse quando deu os cliques. O trabalho foi reunido num livro que acaba de ser relançado em edição de tributo ao centenário do Titanic. Father Browne’s Titanic Album: Centenary Edition custa 30 euros no site da editora cristã irlandesa Messenger.

***

(Fotos: reproduções do site Retronaut do livro Father Browne’s Titanic Album)