Pode até nem ter sido a primeira reportagem sobre ele. Mas a reprodução acima foi a estreia de Raí na PLACAR (da Editora Abril, que também publica a VIP), a maior revista sobre futebol do Brasil. Saiu na edição com data de 26 de março de 1982. Raí era apenas um garoto alto de 16 anos das categorias de base do Botafogo de Ribeirão Preto (SP).

A razão de ter merecido uma notinha ainda não era seu talento futebolístico, mas sim o fato de ser irmão mais novo de Sócrates, então meia do Corinthians (apesar de também revelado no Botafogo paulista) e capitão da Seleção Brasileira que disputaria a Copa do Mundo na Espanha três meses depois.

O pai dos dois garantia que Raí era melhor que Sócrates. Até hoje, isso motiva debates. O certo é que Raí conseguiu mais títulos que o irmão especialista em toques de calcanhar. No fim dos anos 1980, transferiu-se para o São Paulo, onde foi bicampeão da Libertadores (1992/93) e campeão mundial interclubes (1992, fazendo os dois gols na vitória de 2 x 1 sobre o Barcelona).

Raí também foi capitão da Seleção em uma Copa do Mundo. Pelo menos nos primeiros jogos do torneio de 1994, foi ele quem usou a braçadeira. Porém, em má fase, acabou sendo sacado do time para a entrada de Mazinho no meio-campo e a glória de levantar a Taça Fifa ficou com Dunga.

De qualquer forma, Raí sagrou-se campeão de uma Copa. Algo que Sócrates não conseguiu nem com a maravilhosa Seleção de 1982 nem com o apenas bom time de 1986. Nas duas ocasiões, o Brasil nem chegou às semifinais e acabou em 5º lugar. A vida é injusta, o futebol também.

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(Imagem: reprodução da revista PLACAR de 26/3/1982)