A cantora americana Norah Jones lançou na terça-feira, 1º de maio, seu quinto álbum individual, Little Broken Hearts. A capa tem uma conexão cult-retrô: foi inspirada no pôster do “filme B” Mudhoney, feito em 1965.

A inspiração veio durante as gravações feitas no estúdio do produtor Danger Mouse em Los Angeles. Ele tem nas paredes o pôster de Mudhoney e de outros “trash movies” do cineasta Russ Meyer (1922-2004).

No material de divulgação, Norah Jones contou: “Esse pôster ficava diante do sofá em que eu me sentava todo dia. Eu sempre olhava e pensava: ‘Isso é tão cool que eu quero ser parecida com ela [a mulher no pôster]!’ O visual é demais”.

Pode-se dizer que é a segunda homenagem que o filme recebe da música pop. A banda Mudhoney, contemporânea do Nirvana no movimento grunge de Seattle na virada dos anos 1980 para os 1990, utilizou o nome da obra sem cerimônias.

O já citado Russ Meyer era um especialista em fazer filmes de baixo orçamento, rodados rapidamente e distribuídos em cinemas baratos nos anos 1950 e 1960 (daí o rótulo pejorativo “trash movies”, ou “filmes-lixo”). Mudhoney nem é seu trabalho mais conhecido e cultuado: essa honra cabe a Faster Pussycat! Kill! Kill!, também de 1965.

Os filmes de Meyer sempre tinham mulheres de bustos avantajados e cenas picantes, mas que não chegavam a concretizar pornografia — a explosão dos “x-rated” nos anos 1970 até acabaria aposentando Russ Meyer pela falta de público para seus filmes rotulados de “sexploitation” (ou seja, sugeriam fortemente algo erótico, sem chegar às vias de fato).

Só na década de 1980 é que Russ Meyer e outros que faziam filmes B como ele ganharam uma reputação cult em turmas alternativas.

Eis o trailer de Mudhoney, com as aparições de seios devidamente cobertas pelo logotipo do filme. Portanto, o trailer é tecnicamente “safe for work”.

E, para retomarmos a razão de falar de Mudhoney, eis o clipe de “Happy Pills”, música do novo álbum de Norah Jones. Que, por sinal, também tem um visual retrô.