Bia Figueiredo, a nossa brasileira nas pistas
A piloto que nos enche de motivos para assistir à Indy

Os pais são médicos, uma profissão que não tem lá muita ligação com velocidade. Mas Ana Beatriz Figueiredo, 26 anos, decidiu ser piloto. E hoje é a única mulher brasileira na Indy, uma das maiores categorias do mundo – especialmente nos Estados Unidos, onde acontece a maioria das provas.
A piloto, pela primeira vez, vai correr toda a temporada da Indy. A VIP conversou com a Bia, por telefone, no dia do seu aniversário, pouco antes dela viajar para São Petersburgo, na Flórida, para a primeira prova de 2011.
De onde veio sua vontade de correr? Tinha algum piloto na família?
Não. Meu pais são médicos, nada a ver (risos). Sempre gostei de ver corridas, brincava no volante do carro do meu pai. Veio naturalmente.
E a sua primeira lembrança sobre automobilismo?
Ah, as vitórias do Senna, com certeza. Me lembro também que às vezes ia de macacão e tudo pra escola (risos).
O ambiente do automobilismo é machista? Já sofreu preconceito?
O começo no kart, em 1991, foi bem difícil. Não tinha mulher nas categorias grandes. E era bem difícil para algum homens perder para uma mulher. Alguns até fingiam “perder” o freio nas curvas só pra me jogar pra fora da pista… isso aconteceu algumas vezes, até em categorias maiores. Só que aí eu comecei a revidar.
E como é o relacionamento com as outras mulheres hoje? Rola um “Clube da Luluzinha”?
Ah, é tranquilo, falo com todas elas [na Indy 2011 há mais duas mulheres: a americana Danica Patrick e a suíça Simona de Silvestro]. Mas o que acontece é eu ter mais contato com os brasileiros mesmo [há mais quatro na categoria].
E cantadas?
Na época do kart até que rolava, mas nenhuma assim criativa ou que mereça ser lembrada (risos). A Indy é tão profissional que nem dá tempo para essas coisas. Lembro que na época da Fórmula Renault, os pilotos brincavam comigo na hora de chegar e colocar o macacão. Claro que eu ia me trocar num lugar separado, mas eles diziam que eu era piloto e tinha que ser junto (risos). Já no último GP do Brasil da Indy tinha placas na arquibancada me pedindo em casamento (risos).
No documentário sobre o Senna, vimos que os carros da F1 de alguns anos atrás pediam um preparo físico muito forte. Mesmo hoje, com equipamentos mais modernos, uma mulher piloto sente alguma dificuldade nesse aspecto?
Existe preparo físico para pilotos antes do Senna e depois do Senna. Ele criou um padrão que é seguido até hoje. Os carros da Indy têm o volante bem pesado, então eu tenho que estar preparada.
E F1, é um objetivo?
Quando vim pros Estados Unidos, em 2008, foquei na Indy. Não me vejo na Fórmula 1, pelo menos por enquanto. Pode até aparecer alguma oportunidade, mas não é objetivo agora.
Então, o que vem depois da Indy? Para onde correr?
Pretendo ficar mais 10 anos na ativa, na Indy mesmo, e encerrar a minha carreira. Claro que depende muito do momento.
De repente, pode fazer igual o Michael Schumacher, parar e voltar?
Ah, a decisão dele não foi muito certa… todo mundo viu (risos). É muito difícil correr até os 40 anos de idade.
E a expectativa para o GP do Brasil [que acontece no dia 1º de maio]?
Vai ser especial, com certeza. Com a família, os amigos, com mais experiência. Vai ser melhor que no ano passado.











Deixe seu comentário
1 comentário
Adoro automobilismo e me sinto orgulhoso de ver esta talentosa piloto brigando de igual para igual nesta categoria dificil do automobilismo mundial. Parabéns e força Bia.