No mundo do futebol parece impossível um árbitro ser aplaudido e requisitado para fotos e autógrafos. No MMA a cena é comum. Mario Yamasaki é conhecido no mundo inteiro como o cara que coloca ordem no octógono. Único árbitro brasileiro e dos mais respeitados do UFC, ele hoje tem em Washington (EUA) uma equipe de jiu-jítsu com o irmão Fernando. Confirmado como um dos árbitros do UFC Rio, Mario acredita que a popularidade do MMA “vai triplicar no Brasil”. E diz que quer dar cursos de arbitragem para começar a profissionalizar juízes por aqui. (Fabiana Mello)

Quantos UFCs você tem em seu currículo?
Estive no cage de 91 UFCs. Bastante, não? [Risos.] Minha primeira luta como árbitro de vale-tudo foi em 1994 em Virgínia, onde estreou o canadense Carlos Newton, que mais tarde seria campeão do Ultimate. O fim do evento culminou em uma briga daquelas, com direito a arremesso de cadeiras. Já no MMA estreei em 7 de maio de 1999, no UFC 20, em Birmingham, no Alabama, EUA. Arbitrei as lutas de Fabiano Iha contra LaVerne Clark e Wanderlei Silva com Tony Petarra.

Qual foi a luta que deu mais repercussão?
Duas lutas foram muito importantes. Uma foi minha primeira disputa de cinturão, em 30 de dezembro de 2006, no UFC 66, com Tito Ortiz e Chuck Liddell. Era a final mais esperada da época, recorde de público e de pay-per-view, a luta do século então. Outra inegavelmente foi no UFC 126, em fevereiro: Anderson Silva e Vitor Belfort.

E qual foi a luta mais marcante?
Não me esquecerei da luta de Royce Gracie com Sakuraba no Pride de junho de 2007. Por um motivo curioso: minha esposa estava grávida e ainda faltavam duas semanas para o nascimento de meu segundo filho. Cinco minutos antes da luta, em Los Angeles, meu telefone tocou com a notícia de que ele tinha acabado de nascer. No pé do ringue comecei a chorar de emoção.

Como é vista uma luta dentro do cage?
Quando a gente arbitra, acaba não assistindo à luta exatamente, a gente presta atenção nas falhas dos lutadores. Ainda fico nervoso quando subo no octógono. Acho ótimo, porque adrenalina me dá concentração e me deixa mais focado ainda. E aprendi a bloquear a pressão de fora porque preciso prestar atenção em tudo.

Já sobrou algum soco durante uma luta?
Nenhum atleta nunca me atingiu. No MMA é comum o público aplaudir o árbitro. No cage não temos o poder de decidir a luta, estamos lá para o cumprimento das regras e para a segurança dos atletas. São os juízes de mesa que atribuem a pontuação. Mas há quem não saiba disso e às vezes xingue. Eu já fui. Mamãe está acostumada.

História de família
As artes marciais estão no sangue da família Yamasaki. “Eu e meu irmão começamos a treinar judô com meu pai ainda muito cedo, tinha 3 anos. Para meu pai isso era normal, afinal ele começou ainda criança, aos 9 anos de idade, com Ryuzo Ogawa, o pioneiro do judô no Brasil. Meu pai pegou a faixa preta e abriu uma academia em 1958 no Largo Ana Rosa, a primeira de 14”, conta Mario. “Se hoje o judô tem credibilidade, é também porque minha família fez um ótimo trabalho de base.” O jiu-jítsu entrou na vida de Mario em meados de 1986. E sua experiência em arbitragem vem de cedo: ele cresceu vendo seu pai e seu tio, Shigueru e Shigueto, arbitrarem lutas de judô – eles foram juízes em cinco Olimpíadas: Montreal (1976), Moscou (1980), Los Angeles (1984), Seul (1988) e Barcelona (1992). “Minha primeira vez foi aos 16 anos”, diz. Hoje, o pai de Mario tem 78 anos e mantém em São Paulo uma fábrica de quimonos. Mas ele também foi com o judô em São Paulo na esteira do que Helio Gracie foi com o jiu-jítsu no Rio de Janeiro: um dos defensores de seu esporte nos treinos de vale-tudo . “Em 1962, meu pai usava o judô em treinos de vale-tudo. Foi nessa época que começaram os desafios de VT e a surgir a modalidade”, relembra.

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