Sentados na primeira fileira do HSBC Arena, no Rio de Janeiro, dois sujeitos grisalhos, elegantes em seus ternos e, sob um olhar mais atento, parecidos na fisionomia, encaravam o octógono montado no centro do ginásio. Vez ou outra trocavam palavras sobre as lutas que aconteciam na noite de sábado, 14 de janeiro. Não sofreram assédio, não tiraram fotos com os fãs, não foram ovacionados quando chegaram. Isso é coisa para Dana White, o presidente – e a “cara” – do UFC, o maior evento de MMA do mundo. Os verdadeiros donos do negócio, os irmãos Frank e Lorenzo Fertitta, gostam de ser discretos.

Proprietários de 18 cassinos e de uma série de outras empresas nos Estados Unidos, Frank Fertitta III, 49 anos, e Lorenzo, 42, estão na lista da Forbes dos bilionários. O irmão mais velho ocupa a 1 057a posição, com US$ 1,25 bilhão de fortuna. O caçula vem abaixo, na 1 140a colocação, com US$ 50 milhões a menos.

Já eram homens de negócio de sucesso quando, em 2001, resolveram investir US$ 2 milhões em um evento que beirava a falência. Fãs de boxe e de artes marciais, vislumbraram ali uma oportunidade. Dana White, amigo de escola de Lorenzo, era empresário de atletas que lutavam no Ultimate Fighting Championship e, em uma negociação com a empresa que detinha a marca, a Semaphore Entertainment Group (SEG), ficou sabendo que o evento andava cambaleante. Ligou para os irmãos, que aceitaram investir a grana necessária. Na época, o UFC sofria uma imensa campanha de difamação e, comparado a rinhas humanas, estava proibido em 36 estados nos EUA.

Investir no negócio em 2001 já parecia uma loucura. Mas ficaria pior: a Zuffa, empresa criada pelos três amigos, deu muito prejuízo até 2005. “Estávamos US$ 44 milhões negativos antes de começarmos a ter retorno financeiro”, diz Lorenzo, em uma entrevista exclusiva no hotel Windsor, na Barra da Tijuca, Rio de janeiro, onde ficou hospedado nas últimas vezes que veio para o Brasil – foram seis apenas no ano passado. Que espécie de homem de negócios razoável continuaria num buraco desses? O trio insistiu, mas foi por pouco. “Chamei Dana um dia, disse que não dava mais e perguntei se a gente conseguia encontrar algum comprador para o UFC. Alguns dias depois, recebemos uma oferta, mas era baixa”, revela Lorenzo.

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