Negócio afiado: Bruno van Enck da Barbearia Corleone

O empresário paulistano Bruno van Enck, que revolucionou o mercado de barbearias com a Corleone, tem uma nova aposta: uma linha de produtos para o varejo

Sentado no espaçoso sofá bem em frente a uma vitrine, na qual o nome Barbearia Corleone está pintado de amarelo e vermelho, Bruno van Enck pega, empolgado, uma sacola de plástico preta. Sem esconder o orgulho, mostra o interior: seis potes marrons, cada um com a indicação de seu conteúdo (gel de barbear, pós-barba, xampu para barba e cabelo, óleo de barba e pomada e cera modeladoras de cabelo), todos com o nome de seu estabelecimento estampado no rótulo. “Este é o grande passo da Corleone para 2017”, diz ele, minimizando outros grandes feitos, como o fato de que a rede vai abrir este ano mais duas unidades em São Paulo, uma no Shopping Morumbi e outra em local ainda não definido.

Aos 33 anos, Bruno diz ter encontrado sua realização profissional. A marca Barbearia Corleone é hoje provavelmente a mais forte do país, embora tenha só duas unidades na capital paulista. Muito disso se deve ao carisma do proprietário, que abraça a causa, gosta de tratar diretamente com fornecedores e é capaz de ficar conversando horas com os frequentadores de seus salões, que podem bebericar uma cerveja artesanal enquanto passam pela tesoura. Foi assim que conquistou sócios como os artistas Jorge e Mateus na unidade da Vila Olímpia e na casa de eventos Villaggio JK.

“Você não precisa ser roqueiro, não precisa ser da moda, não precisa ser rotulado para vir aqui e se sentir bem”

Bruno van Enck

Rápidos namoricos com gente famosa como a modelo Jhenny Andrade, ring girl do UFC, e a cantora Anitta, que escolheu a Corleone como cenário do clipe da música Deixa Ele Sofrer, claro, ajudaram a tornar o local ainda mais popular. “Mas não é isso o que agrega na minha trajetória”, ele se apressa em dizer, afirmando que reatou e está firme com a antiga namorada, a advogada Paula Brofman. “A diferença da Corleone é que ela é democrática, para todo tipo de público. Você não precisa ser roqueiro, ser da moda, não precisa ser rotulado para vir aqui e se sentir bem. É essa a impressão que eu tinha das outras barbearias que existiam antes da Corleone”, diz.

A imagem de jovem bem-sucedido atraiu a atenção de marcas como a Jaeger-LeCoultre, de relógios de luxo, de quem é embaixador.Bruno é formado em economia e tem no currículo o curso de artes culinárias do chef Laurent Suaudeau. Abriu a barbearia em 2014, depois de passar anos (“desde os 12”) no restaurante da família – a Cervejaria Munique, no Shopping Center Norte, tocada pelo pai
(“o cara que mais admiro”) – e um breve tempo à frente do Munique Chopp Delivery, empresa que fornece chope e chopeiras a eventos, uma “tentativa de independência financeira”. “Não me realizei profissionalmente. Até que pensei em abrir algo que unisse o que eu conhecia, comida e bebida, a algo que não fosse óbvio.”

Com 600 mil reais, reformou um ponto no Itaim, na zona sul, e colocou três cadeiras de barbeiro. Em três meses, já começou a reforma de outro imóvel para a segunda unidade. Agora, ele aposta nos produtos que vai colocar no varejo: o Grupo Pão de Açúcar está na empreitada. “O grande segredo de qualquer empresa é entender os gastos. É só segurar o ego e fazer as conexões certas”, afirma.

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(Marcus Steinmeyer/Reprodução)

Nas gôndolas

Bruno van Enck voltou ano passado de Nova York com cerca de 200 produtos diferentes para barba e cabelo. “Testei todos. Contratei um químico e disse: quero um gel de barbear com a textura deste, a fixação deste, a cor deste, o cheiro deste”, conta. “Eram oito referências para cada produto. Não queria comprar um que já existe e só colocar o rótulo Corleone.” O Pão de Açúcar abraçou a ideia e a linha, a preços em torno de 35 reais, chega a 100 lojas em março e estará
em mais 500 até agosto.