BMW 540i: meio passageiro, meio motorista

BMW 540i: caimento na medida para quem quer descansar ou impressionar ao volante

Não quis perder tempo. Assim que a BMW liberou o novo Série 5 para fazer o test-drive, pulei para dentro do “meu” (quem dera….) exemplar, deixando para observar melhor suas linhas externas mais tarde. Queria colocar logo em ação toda aquela parafernália tecnológica a serviço da condução, esmiuçada por executivos da marca minutos antes, durante apresentação formal. O pior dos mundos para quem circula de carro pela cidade de São Paulo seria o terreno ideal para eu começar a me familiarizar com as novidades: o trânsito truncado, o para-e-anda sem fim. Não fiquei maluco, não. Ou, se fiquei, já explico.

Não há situação melhor para esquecer que está se locomovendo de um lugar para o outro do que o congestionamento, aquele momento infeliz em que nem conseguimos curtir a direção, nem relaxar e aproveitar o tempo perdido, seja parado, seja andando lentamente. E era exatamente como eu estava: pegando a Marginal Pinheiros, zona sul, a caminho da Rodovia Anhanguera, para avaliar o carro pelas estradas vicinais do interior até chegar ao Hotel Fasano da Fazenda Boa Vista, em Porto Feliz, onde almoçaria e retornaria – nada mau, reconheço.

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Era por volta de 9 e pouco da manhã, e São Paulo estava mais São Paulo do que nunca: muitos carros pelas ruas, andando devagar, sem a mínima chance de encontrar brechas para sair do engarrafamento. Só faltava chover – corrigindo: não faltava, não; já havia problemas demais. Ainda assim, seria tão bom se eu pudesse dirigir sem precisar ficar pisando no acelerador e no freio, sem precisar segurar a direção, sem precisar controlar se estou rodando dentro da faixa… Ops, seria, não, será!

BMW 540i M Sport
Motor: 3.0 biturbo
Potência: 340 cavalos
0 a 100 km/h: 5,1 segundos
Máxima: 250 km/h
Preço: A partir de R$ 399 950

Alguns dos maiores atrativos anunciados na Série 5 são os recursos que permitem a condução semiautônoma, a antessala do tão esperado carro do futuro, que um dia ainda irá andar praticamente sozinho, com a mínima ou sem nenhuma intervenção do condutor. O modelo vem com sistemas de assistência do condutor que representam, mesmo, um grande avanço em direção à autonomia completa. Por trás de um monte de siglas, que muitas vezes só são claras aos iniciados, estão soluções bem perceptíveis, acessíveis a um toque de dedo.

O motorista pode deixar a cargo do carro: acelerar e frear, bastando definir antes a velocidade e a distância que se quer estar do veículo da frente; manter sua trajetória na pista, permitindo até que se tire completamente as mãos do volante por alguns (poucos) instantes – depois de vencido o medo de que algo não funcione muito bem, claro; auxiliar na mudança de faixa, para que se faça a manobra na hora certa; intervir na direção para estabilizar o volante caso detecte algum movimento brusco. E por aí vai….

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(Divulgação/Reprodução)

Sedã com esportividade

Confesso que quase não percebi passar o tempo durante a cerca de meia hora em que demorei para percorrer um trajeto que, se estivesse livre, faria em uns dez minutos. Fiquei tentando entender e explorando os comandos que são o embrião para que, logo, logo, o motorista ocupe de vez a posição de passageiro durante seus deslocamentos, como já fazemos no ônibus, no metrô, no táxi.

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(Divulgação/Reprodução)

Estava tudo bem, até que eu peguei a alça de acesso para a rodovia. E a história melhorou. De uma hora para a outra, o trânsito acabou, o tráfego começou a fluir, as placas de sinalização indicavam que eu poderia pisar mais no acelerador, atingir 100 km/h, até chegar nos 120 km/h. Foi quando me dei conta do brinquedinho que tinha em mãos. A sétima geração do Série 5 é a quintessência do sedã que mescla luxo e esportividade, não apenas na aparência, mas também e principalmente na dinâmica.

Sim, o modelo, lançado em 1972, está com linhas mais arrojadas e sinuosas. Não tem nada a ver com aquele carro de tiozão que costumava imperar na categoria. Por dentro, está mais espaçoso, aconchegante, confortável, recheado de equipamentos, mimos que não servem apenas com o carro parado. Rodar ali é como se sentir ninado, a despeito dos buracos das pistas.

Conforto rodando e parado, graças a recursos como a condução semiautônoma e ao espaço maior

Mas o que chama atenção é sua capacidade de fazer o motorista se sentir o tal. Mérito do pacote M Sport que compõe a versão top de linha que dirigi – há também uma opção mais branda, se assim podemos chamá-la, com propulsor de 252 cavalos. Motor, câmbio, suspensão, comandos, visibilidade, enfim, tudo joga a favor do condutor, fazendo-o passar por um ser muito especial, seja no trânsito empacado, seja nas estradas rapidamente convertidas em pistas.

Ao fim da avaliação, pensei: a autonomia total do carro é um caminho sem volta, inevitável, necessária, blá-blá-blá… Mas vamos torcer para que sobre espaço para quem ainda se diverte domando e sendo domado por máquinas que nos fazem sorrir acelerando.