Chefe de Alonso, Michael Andretti destaca aprendizado com Senna

VIP conversou com Michael Andretti, dono da equipe que prepara o Formula Indy de Alonso nas 500 Milhas de Indianápolis

Campeão da Fórmula Indy em 1991 e com 42 vitórias na categoria, Michael Andretti ainda hoje é lembrado pelos fãs brasileiros pelos anos em que dividiu o time com Ayrton Senna na McLaren em 1993 na F-1.

“Foi um ano bem difícil para mim, mas a grande memória foi ter me tornado amigo de Senna”, disse Andretti em entrevista exclusiva à VIP no Indianapolis Motor Speedway, onde foi disputada a última etapa da Fórmula Indy (no circuito misto) e nesta semana se iniciam os treinos para a tradicional 500 Milhas. “Terei isso sempre em minha carreira: corri no mesmo time do piloto que provavelmente tenha sido o melhor de todos os tempos”, completou o piloto, que agora é dono de uma das melhores equipes da Indy, a Andretti Autosport.

E em 2017 ele terá uma importante missão: chefiar o bicampeão mundial de F-1 Fernando Alonso em sua estreia nas 500 Milhas deste ano – o espanhol surpreendeu o mundo do automobilismo ao abdicar do GP de Mônaco, que é disputado no mesmo final de semana, para participar de uma das três provas que compõe a tríplice coroa do esporte a motor (as 24 Horas de Le Mans completam o famoso trio).

“Temos que respeitar Alonso: ele está saindo da zona de conforto dele. É o que chamamos aqui de um verdadeiro ‘racer’, e percebeu que pode se tornar ainda maior se vencer as corridas mais importantes do mundo, como a Indy-500. Ele não vem aqui apenas para andar, virá para vencer”, diz Michael Andretti.

De fato, o norte-americano não apenas faz um discurso ensaiado: no ano passado, na centésima edição das 500 Milhas de Indianápolis, seu time coroou como vencedor justamente um estreante – Alexander Rossi, que também fazia sua primeira 500 Milhas de Indianápolis depois de correr algumas etapas na F-1.

Será que correr no atual time campeão traz pressão a Alonso? Andretti acredita que não. “Ele está acostumado a correr sob pressão. Vamos fazer nosso trabalho e buscar repetir o sucesso de 2016. Ele fez várias perguntas, tento ajudar ao máximo com minha experiência”, diz Michael, que como piloto jamais venceu as 500 Milhas (apenas como dono de equipe).

Independentemente do resultado, o mundo inteiro já está de olho neste acontecimento – o primeiro teste de Alonso no oval de Indianápolis rendeu incríveis 2 milhões de espectadores no “live” da transmissão do treino – e era apenas o espanhol andando na pista. “É incrível pensar que mais de duas milhões de pessoas ficaram acompanhando um único carro testando em um oval. Foi espetacular”, diz Andretti.

Quem também está bem empolgado com a chance de ver Alonso nas 500 Milhas é o pai de Michael, Mario Andretti, lenda do automobilismo internacional. Questionado pela VIP o que é mais difícil, ser campeão mundial da F-1 (título que ele conquistou em 1978) ou vencer as 500 Milhas (que ele faturou em 1969), o simpático ex-piloto respondeu:

“As duas são bem difíceis e de maneiras distintas. A grande dificuldade na minha época era que os carros quebravam muito”, lembra Mario, cujo currículo de vitórias nas grandes corridas do mundo pode inspirar Alonso: além do título da F-1 e das 500 Milhas, este americano de ascendência italiana conquistou quatro títulos da Indy, a tradicional Daytona 500 e um valioso segundo lugar nas 24 Horas de Le Mans em 1995.

“Tive vários anos em que o motor nos deixava na mão, e hoje praticamente todos os pilotos terminam a prova se não se envolverem em acidentes. Por isso, acredito que Alonso pode sim vencer as 500 Milhas e depois Le Mans, fechando assim a tríplice coroa – ele ainda é jovem e tem talento para isso”, diz Mario, do alto de seus 77 anos e seis décadas de esporte a motor.

Não poderia haver análise mais precisa, ainda mais vinda de uma lenda do automobilismo, para explicar porque Indianápolis – e o mundo – estão tão ansioso para ver esta nova e incrível jornada de Fernando Alonso.