É pau, é pedra: o teste de fogo do novo Land Rover Discovery

Testamos a quinta geração do Discovery na neve, nas dunas, na lama, nas rochas – e até no asfalto

Um simpático ruivo de olhos de um azul muito claro e forte sotaque britânico gritou no rádio de comunicação: “STOP!”. Pisei no freio imediatamente. Ele saiu correndo do carro da frente com seu colega, outro agradável britânico com barba e cabelos grisalhos, em minha direção, os pés afundando nas dunas. Um terceiro sujeito saltou de um bugre que nos acompanhava. E foi assim, com o SUV tombado de lado em uma ribanceira, três membros da equipe de apoio da Land Rover empurrando o veículo para ele não virar e cavoucando sob as rodas para retomar a tração, que pensei: como mesmo eu vim parar aqui?

Outras aventuras automobilísticas já podiam ser contabilizadas até aquele momento. No dia anterior, enquanto tentava subir umas rochas, pendi para o lado esquerdo, com a roda dianteira direita do carro solta para cima. Havia pilotado na chuva, em estradas com gelo na pista e sob a neve. Outras viriam depois: quase oito quilômetros de lama, em uma estrada bastante escorregadia, com direito a várias derrapagens. Ao todo, em dois dias, foram cerca de 600 quilômetros de testes, nas mais diversas condições, do novo Discovery, o versátil carro da Land Rover, cuja quinta geração chega ao Brasil até o meio do ano.

O local escolhido pela marca para o lançamento foi o trecho na fronteira dos estados norte-americanos de Utah e Arizona. Aquele é um destino de aventura que vem sendo muito visitado ultimamente, foi o que me disse um membro da equipe da marca. Por lá, diferentes terrenos e altitudes proporcionam uma experiência completa de direção. Verdade. O trecho que passamos é um dos menos frequentados do Grand Canyon. Além disso, a opção por aquela área de Utah passou pelo fato de o local ter boa estrutura e um excelente hotel. (Abro um parêntese para dizer que foi assim que fui parar no Amangiri Resort, onde posso ter usado a mesma cama na qual Angelina Jolie e Brad Pitt ou George Clooney já dormiram – por ser extremamente sofisticado e reservado, o Amangiri é bastante popular entre as estrelas nível 1 de Hollywood.) Esse é o lifestyle relacionado ao conceito do Discovery – off-road, sim, mas com sofisticação.

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Crédito: arquivo pessoal (arquivo pessoal/Fonte padrão)

No voo fretado para lá, recebi um tablet com todas as informações possíveis sobre o veículo. Soube, por exemplo, que o corpo do carro é feito com 85% de alumínio, o que o deixa 480 quilos mais leve (pesa pouco mais de duas toneladas) e 19% mais econômico. O Discovery acomoda sete pessoas em bancos independentes: dá para baixar qualquer um deles, ou todos, totalmente, em 21 configurações diferentes. Descobri também que sensores podem frear o carro caso você não o faça quando um pedestre cruzar seu caminho. O comando de quase tudo é feito por um sistema touchscreen. Pelo celular, você é capaz de abrir portas, baixar bancos e controlar a temperatura. E (quem pratica esporte vai adorar) ainda dá para deixar a chave no carro e ir, por exemplo, surfar com uma pulseira à prova d’água, que abre o veículo quando você se aproxima dele.

O episódio que abre esse texto contém certa dose de sensacionalismo, confesso, já que em nenhum momento passei perrengue ou me encontrei em perigo. O Discovery, que deve chegar ao país na versão 3.0 TdV6 diesel (ainda não foi decidido se a versão a gasolina vem também), por um preço acima de 400 mil reais, dirige por você. Com a tração recuperada nas areias de Coral Pink Sand Dunes, eu mesma saí do atoleiro. E continuei subindo e descendo dunas e derrapando na lama como se fosse uma pilota de rali.

Confesso que sou uma pessoa que sofre bullying dos parentes e amigos por, digamos, um excesso de precaução atrás do volante. Dirijo devagar, sou bem cautelosa – a ponto de, certa vez, numa experiência de pilotagem no Autódromo de Interlagos, ter sido motivo de chacota por ter dado seta em uma curva (foi sem querer, juro). A Land Rover não tinha como saber disso, mas, ao me fazer o convite para pilotar o tecnológico, robusto e ao mesmo tempo refinado Discovery, colocou realmente à prova seu novo produto. Um piloto experiente tira de letra dirigir na pirambeira de areia e lama ou sobre montanhas de pedras. Mas, quando eu me dou bem em qualquer uma dessas experiências, acredite, o mérito não é meu.

Discovery 3.0 TdV6 Diesel

Câmbio: automático

Potência: 190 kW (3.750 rpm)

Peso: a partir de 2.230 quilos

Velocidade máxima: 209 km/h

De 0 a 100: 8,1 s