O enigma de Fernando Alonso

Ele não é campeão há dez anos e não vence GPs há quatro. Mas o espanhol tem o maior salário do circuito e mantém-se popular como antes

Aos 35 anos, o espanhol Fernando Alonso fatura 40 milhões de dólares por temporada e é o piloto mais bem pago da Fórmula 1 – embora não seja campeão desde 2006 e não vença GPs desde 2013. Com dois títulos, supera o tricampeão Lewis Hamilton (31 milhões) e o tetra Sebastian Vettel (30 milhões). Popular, acaba de lançar sua própria marca de moda jovem, a Kimoa, e é garoto-propaganda de Adidas, Oakley e FedEx. Também é a estrela da megacampanha da nova coleção da grife brasileira Aramis. “Ele é o símbolo de um homem que realiza”, explicou Richard Stad, CEO da Aramis.

Hábil como poucos ao volante, Alonso deveria estar nas nuvens com a F1 de 2017. As máquinas ganharam mais aderência e velocidade, e a força gravitacional causa sensações como as do Renault com motor V10 de quase 900 cavalos, com o qual ele ganhou o primeiro título em 2005. “Guiar outra vez de forma livre, atacando as curvas sem poupar tanto os pneus, foi uma boa e divertida surpresa”, disse o piloto à VIP, em Barcelona.

Assim, tudo deveria estar perfeito para Alonso e sua McLaren-Honda número 14. Só que não.

Em vez da volta triunfal ao pelotão de frente, o carro manteve Alonso entre os figurantes. Na busca de novos desafios, ele surpreendeu ao anunciar que não estará no GP de Mônaco, o mais glamouroso da F1, em 28 de maio. Com a benção da McLaren, disputará no mesmo dia as 500 Milhas de Indianápolis. E adiantou que quer participar das 24 Horas de Le Mans. “Amo correr, sou apenas um piloto”, escreveu ele no Twitter.

Ele poderia nem estar na McLaren. No começo do ano, quando o atual campeão Nico Rosberg aposentou-se, Alonso foi procurado pela Mercedes, que domina a F1 desde 2014. “Fomos consultados, mas não era um negócio possível naquele momento”, disse à VIP, evasivo, Jose Luiz Abad, empresário do espanhol. Um fator pode ter sido a multa elevada. Outro, a presença do desafeto Lewis Hamilton na equipe alemã.

Os dois travaram uma guerra pessoal em 2007. Alonso desembarcou na McLaren como bicampeão. Hamilton era um talento descoberto aos 12 anos pelo inglês Ron Dennis, diretor-geral da equipe. “Ele gosta de copiar os ajustes que eu fazia no meu carro”, alfinetava o espanhol. A inimizade levou Alonso a detonar o Spygate, maior escândalo de espionagem da F1 – o chefe dos mecânicos da Ferrari passava segredos da equipe ao desenhista-chefe da McLaren. Alonso fez acordo, colaborou com as investigações e não foi punido.

Houve mais encrencas. Em 2008, de volta à Renault, sua única vitória aconteceu depois que Nelsinho Piquet, seu companheiro de equipe, bateu o carro de propósito para provocar uma bandeira amarela que manteria o espanhol em primeiro. A ordem foi de Flavio Briatore, diretor da equipe, que foi banido da F1. Alonso diz até hoje que desconhecia a manobra.

Em 2009, foi para a Ferrari. No GP da Alemanha, o engenheiro Rob Smedley ordenou pelo rádio que o brasileiro Felipe Massa cedesse a liderança para Alonso. “Tudo na Ferrari ganha uma dimensão muito maior do que deveria”, minimizou o espanhol para a VIP. Perguntado sobre isso, Massa ironizou e disse que o ex-companheiro “é mesmo fominha”.

Após três vices pela Ferrari, Alonso decidiu sair quando a diretoria mudou em 2014. Embarcou no sonho do então diretor-geral da Honda, o japonês Takanobu Ito: reviver a parceria vitoriosa com a McLaren dos tempos de Ayrton Senna e Alain Prost.

A McLaren não anda bem, mas o espanhol de Oviedo vive em Dubai com a modelo italiana Linda Morselli, a mais recente na lista de beldades que conquistou. Mora num apartamento de 1 355 metros quadrados, seis quartos, sete banheiros, sala de cinema e cinco vagas na garagem, em um edifício de luxo de 52 andares com vista de 360 graus para a Marina de Dubai. “É um lugar perfeito para mim”, garantiu. Longe do lar, seus companheiros são os livros com as sagas dos samurais. É fascinado pelo assunto. Há quatro anos, tatuou nas costas um imenso guerreiro, colorido de vermelho e negro, com um sabre. Como os cavaleiros medievais, Alonso quer um final épico para sua carreira.

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