sexta-feira, 3 de outubro de 2008 - 3 Comentários


Se você gostou de Mamma Mia! (que, no mais, continua em primeiro lugar nas bilheterias brasileiras), deve aproveitar o clima, passar na locadora, e pegar o parente mais próximo do filme: Across the Universe, lançado no ano passado e baseado na mesma premissa: roteiro montado a partir das letras de canções de uma banda muito famosa, com a vantagem de ter como matéria-prima a música dos Beatles, ao invés do ABBA...
























No entanto, as vantagens param por aí... por algum motivo - e como provam os faturamentos dos filmes -, Mamma Mia! deu muito mais certo do que Across the Universe. Veja: a música dos Beatles tem muito mais personagens e conteúdo e contexto do que a do ABBA; fez mais sucesso... afinal, o que diabos deu errado?

A conclusão (pelo menos a minha) é que o problema de Across the Universe é justamente esse: os Beatles. Porque os Beatles são considerados arte de verdade, então é natural que o diretor de um filme que respira a banda de Liverpool aspire à condição de arte. Só que a turma que rodou o filme não é exatamente Lennon & McCartney. E aí a coisa vira aquela pretensão, aquela pompa, e vira um resultado deixa um pouco a desejar.

A verdade é que os Beatles eram pretensiosos. Mas eram também geniais. E praticavam uma saudável auto-ironia, não se levando tão a sério assim. Não por outra razão, Across the Universe começa muito bem, com seus personagens se conhecendo e se apaixonando ao som da fase "bobinha" de All My Loving e I Wanna Hold Your Hand, mas vai perdendo a força e ganhando ares constrangedores na parte "cabeça" do fim dos anos 60, com embaraçosas montagens em I Want You, I am the Walrus e Let It Be.


A primeira cena do filme, em que é apresentado o casal central, o rapaz inglês Jude e a moça americana Lucy. Tudo ao som de Hold Me Tight, clássico menos badalado - e tão bacana quanto todos os outros - dos fab four.


No fim das contas, a parte legal sai ganhando. Não é a obra-prima que a música dos Beatles merecia, mas é um programa bacana para uma tarde chuvosa sem ter o que fazer.

PS: De quebra, Across the Universe encontrou, na nudez congelada da atriz Evan Rachel Wood, a melhor maneira de traduzir em imagens Something, do George Harrison, aquela que Frank Sinatra definiu como "a melhor canção de amor do século 20".

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3 Comentários:
Anonymous Cristina Tatit disse...

Interessante, psicodélico, divertidíssmo, e com uma trilha sonora excepcional!
Sinceramente, não sei por que, afinal de contas, o "Across" não fez sucesso! E o pior é que é verdade... Só conheço 2 pessoas que já ouviram falar desse filme!
Já eu, simplesmente, ADOREI!
E, discordando do nosso blogueiro, que bom que "Acoss" não ficou só na parte "bobinha" dos Beatles! O "filme" é tão mutante quanto foi a vida e a carreira dos garotos de Liverpool. Só achei que faltaram uns 30 minutinhos a mais de filme, pra que a evolução da Lucy, que é a personagem que mais simboliza tudo isso, se desse de maneira mais natural... Ainda assim,o filme é ótimo! Que bom seria se todos os musicais fossem tão bons...
Abraço a todos!

3 de Outubro de 2008 23:07

 
Anonymous Guilherme - FUTURO PENTA disse...

Cara. O blog tá muito bacana, os textos excelentes, mas não posso deixar de fazer um comentário maldoso. Aliás, dois comentários.

O que é aquela foto? Fique sabendo que a família já está por dentro do assunto e promete averiguar a fundo o porque referida foto tem ares de homo-metro-trans-ronaldosexual. E pra que se humilhar mostrando a paixão pelo time da marginal tiete?

Grande Abraço!!!

5 de Outubro de 2008 17:10

 
Blogger Redação VIP disse...

Tatit, sei que esse filme é um dos seus preferidos e, enquanto escrevia o post, pensei em você me xingando! Anyway: Across the Universe é legal, sou beatlemaníaco e tudo mais... mas acho que o filme faria mais sucesso - e daria mais certo - se apostasse mais em grandes hits (limando "I am the Walrus", com o Bono, que ficou uma droga) e mais no casal central (que é bacana - os personagens periféricos é que estão lá só pra aproveitar citações de músicas - coisa que o público médio não "pega"). Em tempo: "With a Little Help from my Friends" é um dos melhores momentos do filme!

6 de Outubro de 2008 14:21

 

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