Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008 - 0 Comentários
Outono nos EUA. Época em que os super-heróis, filmes infantis e blockbusters em geral dão um tempo e as salas recebem as estréias dos filmes bons do ano, aqueles que vão concorrer ao Oscar e ao Globo de Ouro.
Embora estejamos no início dessa temporada, este primeiro final-de-semana está fraco em estréias: temos Mulheres - O Sexo Forte, trazendo a dispensável volta da Meg Ryan em filmes aceitáveis só para quem nunca recebeu um aporte mínimo de testosterona; temos Baby Love, um filme francês sobre um gay que resolve adotar um filho; e temos Fay Grim, de Hal Hartley, o diretor americano metido a descolado por excelência... ou seja, não há muitas opções.
Mas eis que aparece Promessas de um Cara de Pau, comédia sobre um paspalhão que, por acaso, se torna personagem central da eleição para presidente dos EUA. Esse paspalhão que, claro, só podia se chamar Bud, é vivido por Kevin Costner.
veja o trailer de Promessas de um Cara de Pau
Eu sei, você está pensando: "Kevin Costner é um babaca". Há alguns anos atrás, eu concordaria. Afinal, o cara cometeu Waterworld, o pior filme do mundo, o Íbis do cinema, e protagonizou aquele enorme sucesso dos anos 90, o filme que todas as meninas do colégio iam ver juntas, aquele horror em tela chamado O Guarda-Costas.
Mas, com um pouco mais de calma, o leitor vai perceber que Costner desenvolveu uma carreira respeitável nos filmes "menores", uns filmes bacanas e despretensiosos, que tratam de temas como a perda da juventude, a redenção através do esporte (especialmente o baseball), a busca da tal alma americana. Filmes como Campo dos Sonhos, Sorte no Amor, Por Amor (não se engane com os nomes: esses três filmes, a despeito dos títulos em português bolados pra enganar as menininhas, são coisa de macho - todos tratam de baseball e do acerto de contas com a juventude perdida. E todos são bons!). Filmes como JFK, do Oliver Stone. E como o mais recente Dizem por Aí, no qual ele encarna o "verdadeiro" Benjamin Bradock, personagem central do clássico A Primeira Noite de um Homem (então Dustin Hoffman).
Por tudo isso, preste atenção neste Promessas de um Cara de Pau (aliás, outra tradução bizarra; o título original é Swing Vote, algo como "voto decisivo"). É uma obra da maturidade do Kevin Costner. Ele não precisa mais ser o bom moço para promover os valores e a América que ele quer representar.
E se nada disso o convencer, vá à locadora e pegue Os Intocáveis, do Brian DePalma. É um daqueles filmes pra marmanjo nenhum botar defeito, da escola de O Poderoso Chefão e Scarface. Tem trilha sonora épica do Ennio Morricone, atuações antológicas de Sean Connery e Robert DeNiro (este, como Al Capone) e muita violência. Kevin Costner é o Eliot Ness, o "paladino da justiça", o personagem que ele adotou como paradigma visual e moral para os 20 anos seguintes - algo de que ele só está se livrando agora, como Bud, o idiota beberrão que aporta hoje nos cinemas brasileiros.
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Ricardo Garrido mostra que filme bom não precisa ter função social nem agradar crítico besta. O blogueiro preenche as horas vagas com muitos filmes, exceto quando não está nas arquibancadas da Fiel. O Coringão voltou!





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